Febraban Tech 2025 Febraban Tech 2025
Bancos inteligência artificial Foto: Shutterstock

Apenas 5% dos bancos não utilizam algum nível de inteligência artificial

3 minutos de leitura

Adoção da IA no setor bancário acontece principalmente na otimização da infraestrutura e aprimoramento da experiência do cliente



Por Redação em 23/05/2025

O uso da inteligência artificial nos bancos passa por um processo de amadurecimento constante, mas com indicações claras de crescimento: 30% das instituições adotam a tecnologia em escala de produção e 65% delas estão no estágio de exploração ou de piloto. Apenas 5% não utiliza – ainda – a IA.

Os dados fazem parte do relatório Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, organizado pela Deloitte a partir da entrevista com 30 executivos de 20 bancos. Juntos, essas instituições representam 85% dos ativos bancários do país.

Como a IA é utilizada nos bancos?

Das três áreas macro mapeadas no levantamento, o uso da IA está mais avançado na eficiência operacional. De acordo com os especialistas que produziram o documento, o dado reforçaria que os bancos, quando lançam mão da IA, têm focado em otimizar os processos internos e reduzir riscos.

A maior utilização, nesse caso, é na detecção de fraude e lavagem de dinheiro, onde 60% dos bancos têm ferramentas integradas em larga escala com base na IA. Outros 20% aplicam a tecnologia em escala limitada. A análise de risco de crédito é a segunda aplicação, com grande margem de maturidade: um em cada dois bancos usam a inteligência artificial em seus processos.

Aparecem ainda com destaque o uso de chatbots ou assistentes virtuais para os colaboradores (42% das instituições usam IA para isso), automação robótica de processos (30%) e inteligência artificial preditiva (25%). A gestão do conhecimento (20%) e o tratamento de dados estruturados (10%) estão no fim da fila de priorizações quando se trata da aplicação da inteligência artificial nos bancos.

A experiência do cliente é a segunda área onde o setor bancário está concentrando a aplicação da IA e, nesse caso, os chatbots ou assistentes virtuais para clientes aparecem com destaque: 65% já adotam, sendo 45% em larga escala.

As atividades de Know Your Customer (KYC) e onboarding são a segunda maior aplicação em maturidade e, juntas, são usadas por 45% dos bancos em larga escala e por 15% em implementações limitadas.

A tempo: o KYC é o processo de verificação da identidade dos clientes para garantir que eles sejam realmente quem dizem ser. Em outras palavras, a IA é uma ferramenta importante para evitar atividades ilegais como lavagem de dinheiro e fraudes.

Infra de TI concentra adoção de inteligência artificial nos bancos

Foto: chayanuphol/ Shutterstock

No rol de iniciativas para melhorar a experiência do cliente, a pesquisa da Febraban aponta ainda a biometria, personalização de ofertas, ouvidoria, uso de recursos de omniverse e avatares e o aconselhamento via robô como práticas para maturar a IA.

A infraestrutura de TI é a terceira área onde foram mapeados os usos da inteligência artificial nos bancos e, nesse caso, três aplicações se sobressaem. A primeira é a adoção da IA nos processos de linguagem natural (PLN): metade das instituições focam nessa iniciativa, sendo que 35% delas têm projetos em larga escala.

A cibersegurança é o segundo foco, com três, em cada dez bancos, usando a IA em estágios de amplo amadurecimento, e 35% usando em projetos de implementação limitada. A geração de código com IA é a terceira aplicação top em infraestrutura de TI: metade dos bancos estão em fase de larga implementação.

Outro mapeamento importante do relatório é a adoção da versão generativa da IA (GenAI). Segundo o documento, os dados atuais mostram que houve um salto No uso dessa vertente de IA em 2024: 82% das instituições indicaram a adoção da GenAI em algum tipo de aplicação, contra 59% do levantamento anterior.

As três principais aplicações incluem o atendimento ao cliente (72%), desenvolvimento de sistemas (67%) e operações (67%). No entanto, outras aplicações já mostram a pegada de crescimento, caso da personalização e interações com o cliente (50%) e DA criação de conteúdo interno (39%), além do desenvolvimento de produtos e serviços.

Para finalizar, a pesquisa também indicou que os bancos estão atentos ao aumento de eficiência a partir do uso de IA e GenAI. A média de incremento seria de 11,4%. Por outro lado, para 38% dos bancos, a adoção da tecnologia amplia a eficiência em mais de 20%.



Matérias relacionadas

Servidores em um data center com racks iluminados por luzes vermelhas e arquitetura tecnológica de alta performance. Estratégia

Corrida pela infraestrutura de IA desafia a economia antes dos ganhos de produtividade

Investimentos bilionários em data centers, energia e chips pressionam custos globais e a política monetária, enquanto o Brasil busca espaço na nova cadeia de valor

Pessoa trabalhando em notebook com interface digital de IA em estilo futurista, mostrando o texto “IA Agents”, elementos de busca, anúncios e painéis de análise em vermelho e branco. Estratégia

Tecnologia pode substituir horas de trabalho por eficiência no varejo

Automação de processos e inteligência artificial permitem elevar a produtividade, redistribuir tarefas e preservar a qualidade do atendimento diante da possível redução da jornada e do fim da escala 6×1

ícone de cadeado digital em destaque com circuitos e pontos luminosos em tons de vermelho, simbolizando cibersegurança, proteção e segurança de dados Estratégia

Organizações avançam na cibersegurança de ambientes industriais

Visibilidade sobre parques automatizados, estrutura de defesas e arquiteturas seguras de conectividade trazem amadurecimento da segurança em ambientes que sustentam operações críticas, enquanto amplia consciência sobre os riscos

Mão em primeiro plano segurando um escudo digital em estilo holográfico com ícones de tecnologia, sugerindo proteção e soberania digital. Ao fundo, notebook na mesa. Estratégia

Estudo identifica inovação, governança e autonomia tecnológica como pilares da soberania digital

Publicação do CTS-FGV defende a implementação de um Sistema Nacional de Soberania Digital para reduzir a dependência de plataformas estrangeiras