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Confiança é a nova vertente da IA

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Para lançar um assistente virtual de reuniões, empresa realizou pesquisa que terminou revelando a tendência de IA confidence, e a sua importância para a adoção da tecnologia



Por Rafael Maia em 29/04/2025

Diante de um mercado com 68% dos brasileiros utilizando ao menos uma solução de inteligência artificial (IA) por dia, uma pesquisa da empresa Read AI deu insight para a vertente de IA baseada na confiança (IA confidence). O levantamento realizado com 600 entrevistados revelou que trabalhadores buscam produtividade, empresas correm riscos desnecessários ao não fornecer treinamento adequado para o uso de IA e as pessoas (principalmente os brasileiros) não gostam de reuniões.

No Web Summit Rio 2025, o CEO da empresa que fornece assistente de IA para reuniões, David Shim, contou como a Read criou uma IA para avaliar reuniões, inclusive a necessidade de determinada pessoa estar nela. Mas antes, ele comentou sobre o cenário da educação corporativa para o uso de IA e o quanto isso faz com que a tecnologia seja bem ou mal adotada na organização.

Para ele, falta clareza sobre o papel que a tecnologia vai assumir dentro das empresas. “Muitas empresas não estão educando seus funcionários para entender que a IA não veio para substituí-los, mas sim para aumentar suas produtividades. Se a comunicação começasse mostrando os benefícios, as pessoas estariam mais abertas. As empresas precisam ser mais transparentes e ensinar como a IA agrega valor”, ressaltou Shim.

David Shim, cofundador e CEO da Read AI (Foto: Vaughn Ridley/Web Summit via Sportsfile)

A falta de transparência sobre os dados é outro problema, segundo Shim, pois as pessoas temem que suas informações sejam utilizadas para treinar modelos que depois irão substituí-las. Sim, é a desconfiança e, contra ela, a estratégia adotada pela Read foi dar ao usuário o controle dos dados, de modo que eles são expostos sempre que estão presentes em uma reunião. Os colaboradores também passaram a ter a opção de deletar as gravações das reuniões.

Brasil é oportunidade de mercado

Apenas 31% dos entrevistados disseram que suas empresas fornecem treinamento para colaboradores utilizarem IA de maneira adequada. Mesmo assim, o CEO da Read considera o mercado promissor e justifica isso lembrando dos 68% mencionados no início desta matéria, além da intenção de uso confirmada por 90% dos entrevistados ao serem questionados se usariam a IA para melhorar a rotina de trabalho.

Shim considera, ainda, o arcabouço regulatório brasileiro menos restritivo do que, por exemplo, o Europeu. Isso facilita a expansão de empresas estrangeiras, como a própria Read, que viu o número de usuários ativos duplicar e segue nessa constante sem nenhum tipo de marketing ou estratégia de publicidade.

Análise comportamental

A solução da Read não se limita a simplificar reuniões ou produzir resumos. Shim explicou que, por meio de modelos que detectam reações emocionais como concordância ou discordância silenciosa, a IA também analisa o comportamento das pessoas. Assim, os resumos se tornam mais ricos e úteis para a organização. 

Se detectado que um colaborador pouco engaja ou é pouco produtivo em uma reunião, a ferramenta pode avisar ao organizador para que, nas próximas, aquele seja liberado. Assim, a adesão à tecnologia costuma reduzir, já nos primeiros meses, de 10% a 20% das participações em reuniões, permitindo que esse tempo do funcionário seja utilizado para outras atividades.


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