Uum datacenter subaquático futurista com iluminação neon e estrutura tecnológica sob o oceano, destacando a inovação na tecnologia de data centers mergulhados. Imagem gerada digitalmente

China inaugura o primeiro data center subaquático movido a energia eólica do mundo

2 minutos de leitura

Instalação une resfriamento natural marinho e energia offshore para reduzir consumo e emissões, um avanço na integração entre computação inteligente e sustentabilidade



Por Redação em 11/11/2025

A China deu um passo inédito na convergência entre sustentabilidade e tecnologia ao concluir a construção do primeiro data center subaquático movido a energia eólica do mundo. A instalação, localizada na Área Especial de Lin-gang, uma zona econômica de inovação em Xangai, é um marco no desenvolvimento de infraestrutura digital verde. Na fase inicial, o projeto tem capacidade de 2,3 megawatts (MW), com previsão de alcançar 24 MW na etapa seguinte.

O centro de dados combina eletricidade gerada por turbinas offshore com o resfriamento natural do ambiente marinho, reduzindo significativamente os custos e o impacto ambiental. A iniciativa integra as metas nacionais chinesas de neutralidade de carbono e busca estabelecer Xangai como um polo global de computação inteligente.

Inovação a favor da eficiência energética

Parque eólico offshore ao pôr do sol, com turbinas de energia renovável no mar, destacando a importância da energia sustentável e fontes renováveis.
Foto: ShutterDesigner / Shutterstock

O novo modelo de data center utiliza mais de 95% de eletricidade proveniente de energia eólica offshore. Além disso, a água do mar é empregada como sistema natural de resfriamento, reduzindo o consumo energético que normalmente representa de 40% a 50% do gasto total em instalações terrestres. Com a tecnologia subaquática, essa proporção cai para menos de 10%.

Outros resultados positivos do resfriamento natural dizem respeito à redução do uso de água doce em mais de 90% e à queda de 22,8% no consumo total de energia. O resultado é uma eficiência no uso de energia (PUE, na sigla em inglês) estimada em 1,15 — índice considerado avançado no setor, já que quanto menor o número, mais eficiente é a operação. Essas métricas superam as metas nacionais definidas pelo governo chinês para 2025, que exigem um PUE inferior a 1,25 em data centers de grande porte.

A primeira fase do projeto, já concluída, operou em modo de demonstração com 2,3 MW de capacidade. Além de abrigar dados, o data center fornece poder computacional para aplicações como treinamento de modelos de inteligência artificial, suporte a redes 5G e Internet das Coisas (IoT) e infraestrutura para o comércio eletrônico.

Na segunda fase, o empreendimento deve alcançar 24 MW, ainda sem cronograma divulgado. O investimento total é estimado em 1,6 bilhão de yuans, o equivalente a cerca de R$ 1,2 bilhão. 

Computação em larga escala com energia renovável

Segundo Huang Dinan, presidente do Shenergy Group, o Mar da China Oriental oferece condições ideais para o projeto, com mais de 3 mil horas anuais de ventos favoráveis para geração de energia. “Essa inovação integra energia eólica offshore com sistemas de computação submarina, alcançando coordenação eficiente entre geração, rede e carga, ao mesmo tempo em que atende aos requisitos de eletricidade verde dos data centers”, afirmou.

Autoridades locais destacam que o centro simboliza a integração entre a economia digital, a transição energética e a economia marítima, pilares do plano chinês para consolidar Xangai como um hub global de inovação científica e tecnológica.

Embora a inauguração represente um marco tecnológico, os data centers subaquáticos estão em estágio inicial de desenvolvimento. Segundo o presidente da Third Harbor Engineering, Wang Shifeng, ainda é preciso avançar em maturidade técnica, otimização de custos e manutenção para viabilizar a aplicação em larga escala.

Mesmo assim, o modelo é visto como uma resposta promissora à crescente demanda por capacidade computacional com menor pegada ambiental. Xangai, inclusive, planeja expandir a indústria de computação em nuvem inteligente para 200 bilhões de yuans (aproximadamente R$ 150 bilhões) até 2027, o que representa uma capacidade de processamento estimada em 200 EFLOPS.



Matérias relacionadas

Mulher sorridente sentada em carro autônomo, destacando tecnologia de veículos autônomos e direção automatizada. Inovação

Direção autônoma pode ganhar espaço, mas esbarra em custo, demanda e regulação

Montadoras aceleram sistemas “eyes-off”, enquanto Uber aposta em robotáxis autônomos. No mercado brasileiro, a complexidade do trânsito e a regulação são entraves

Placa do evento da outh Summit em Porto Alegre Inovação

South Summit Brazil destaca IA, sustentabilidade e novos modelos de negócio

Evento realizado em Porto Alegre reuniu 24 mil participantes de 70 países e ampliou conexões no Cais Mauá

Imagem ilustrativa de inteligência artificial sob demanda com mãos robóticas trocando uma peça de LEGO que forma uma lâmpada, símbolo de inovação tecnológica. Inovação

IA sob demanda ganha destaque como facilitadora de projetos

Oferta pioneira permite agilidade e flexibilidade financeira para viabilizar iniciativas de IA com menor risco, em modelo baseado no uso sob demanda de GPUs e suporte certificado pela NVIDIA

Rodrigo Assad, diretor de inovação e produtos B2B da Claro empresas Inovação

Claro e AWS levam estrutura da nuvem para onde as operações industriais acontecem

Parceria anunciada no MWC leva pontos da nuvem aos locais de coleta de dados e automações, com redução de latência, custos e riscos operacionais

    Embratel agora é Claro empresas Saiba mais