Você sabe o que é pesquisa de design?

Você sabe o que é pesquisa de design?

4 minutos de leitura

Na hora de desenvolver um aplicativo, realizar uma pesquisa de design para entender os sentimentos dos usuários é mais importante que apenas entregar uma solução.



Por Redação em 24/05/2021

Na hora de desenvolver um aplicativo, realizar uma pesquisa de design para entender os sentimentos dos usuários é mais importante que apenas entregar uma solução.

A designer gráfica, curadora e escritora japonesa Kenya Hara sempre afirmou que o design é “uma ocupação que força nossos olhos e ouvidos a descobrirem novas questões no meio da vida cotidiana”.

É com essa filosofia que muitas empresas realizam pesquisas de design antes de lançar seus produtos e serviços. Até porque, muitos usuários – sejam eles B2B ou B2C – esperam experiências de qualidade, que só são possíveis quando esses clientes são vistos como humanos, e não como números.

Apesar de muitas empresas ansiarem por lançar produtos e serviços o mais rapidamente possível, entender quem é seu consumidor faz toda a diferença. Para a Adobe, “experiências incríveis para o cliente proporcionam resultados de negócios vencedores – e impulsionam seu ROI.”

No estudo “The Total Economic Impact Of Adobe Experience Cloud’, a Adobe mostrou que empresas que apostaram na experiência do cliente tiveram como resultados:

  • Crescimento 1,4 vez a mais que outras empresas;
  • Taxa de satisfação 1,6 vez maior;
  • Retenção dos clientes 1,7 vez maior.

Já o relatório “The Six Steps For Justifying Better UX”, da consultoria Forrester, destacou que para cada US$ 1 investido em UX (a sigla para User Experience, ou experiência do usuário), a empresa tem US$ 100 de retorno.

Por que, então, pensar no fator humano antes de desenvolver uma solução? Porque não oferecer as experiências que as pessoas buscam aumenta as chances de um aplicativo, site ou qualquer que seja o produto ou serviço, dar errado.

Abaixo, confira mais sobre o conceito de pesquisa de design e algumas dicas do que é necessário para você criar algo pensando na jornada do cliente.

Pesquisa de design: entendendo o seu consumidor

Em linhas diretas, a pesquisa de design é um processo em que os designers e outros colaboradores do time de UX vão entender quais são os desejos e necessidades do público-alvo e quais desafios a empresa terá para atender o que esses usuários precisam.

Quais são as barreiras que uma pessoa mais velha enfrenta ao tentar marcar uma consulta por aplicativo? Ou como um site varejista trabalha a acessibilidade para que PCDs consigam navegar e realizar suas compras?

Como escreve Krystal Tung, UX designer e escritora do UX Collective, publicação independente sobre design, fazer essas pesquisas não é o mesmo que realizar as pesquisas de mercado tradicionais ou de “confirmar uma hipótese ou encontrar uma solução.”

“É ter uma conversa aberta com as pessoas na tentativa de melhor entendê-las.”

– Krystal Tung

A especialista afirma que é preciso ter uma curiosidade genuína sobre como o público-alvo experimenta o mundo. Isso vai ajudar a descobrir histórias, motivações e momentos que vão facilitar a entrega de uma solução com as experiências desejadas.

5 verdades sobre realizar pesquisas em UX

Criar uma solução não é apenas entender quem é o público-alvo, mas quais são as experiências que ele deseja ter com uma respectiva marca. Isso vai exigir uma série de investigações – quantitativas e qualitativas – para entregar os recursos necessários.

Porém, como em toda jornada de desenvolvimento, algumas suposições podem criar ruídos no projeto. Elisa Sattyam, design lead do Centro de Estudos e Sistemas Avançados (CESAR) destaca, em uma publicação, 5 pontos sobre pesquisa de design que as empresas devem ficar atentas.

1. Pesquisa em UX não é sobre a empresa

A empresa deve ter em mente que nem ela e nem o time de UX são o público-alvo de uma solução. Sattyam destaca que “muitas experiências, vieses, preconceitos e equívocos” podem gerar um produto ou serviço que não refletem a realidade dos usuários.

Ela ainda sugere a leitura do “You are not the user: The False Consensus Effect” (em inglês), da Nielsen Norman Group, sobre o assunto.

2. Pesquisa de design não demora e nem custa caro

Sattyam afirma que é possível criar pesquisas de design adequadas ao orçamento, tempo e recursos disponíveis em uma empresa. O mito de custar dinheiro é, segundo a design lead do CESAR, o fato de muitos pensarem que esses estudos são puramente qualitativos.

A sugestão da especialista é criar abordagens qualitativas e quantitativas e usá-las de forma complementar na investigação das experiências desejadas pelo público-alvo.

3. A pesquisa não serve apenas para iniciar um projeto

Uma pesquisa de design pode ser dividida em algumas etapas. Logo no início do projeto, ela pode ser feita para entender quem são os usuários e identificar suas necessidades, dores e oportunidades no desenvolvimento de uma solução.

Já em um segundo momento, em que existe um protótipo ou um MVP (Minimum Viable Product, ou Produto Mínimo Viável), a empresa pode fazer uma pesquisa em que vai analisar se a usabilidade da solução atende aos desejos e às necessidades do público-alvo.

Como destaca Sattyam, esses dois tipos de pesquisa também devem ser complementares, apesar de realizadas em momentos distintos do projeto.

4. Teste de usabilidade não é a única abordagem

E a empresa nem deve ter essa mentalidade quando o assunto é pesquisa em UX. Testes de usabilidade, geralmente, se baseiam nos feedbacks dos usuários que utilizam a solução ofertada. Porém, a falta de mais dados amplos sobre a ferramenta pode limitar a experiência.

Por exemplo, um aplicativo de e-commerce envia notificações que direcionam o usuário a uma página WEB, criando mais etapas para finalizar uma compra. A empresa pode até atualizar a plataforma, mas ainda não terá uma visão holística daquilo que pode melhorar na experiência do cliente.

5. Pesquisa em UX não é somente aplicar um questionário

Assim como o teste de usabilidade, o questionário é mais um tipo de abordagem em pesquisa de design. Ele pode, sim, fornecer insights relevantes para o time, mas vai depender de qual é o objetivo e de como ele será aplicado.

Principais destaques desta matéria

  • Pesquisa de design é importante para que uma empresa tenha embasamento sobre o usuário.
  • Facilitando o desenvolvimento de uma aplicação que atenderá as necessidades do usuário.
  • Confira 5 pontos de atenção importantes antes de desenvolver um aplicativo do zero.


Matérias relacionadas

Painel de debate em evento com cinco participantes ao lado do telão, com José Carlos Aronchi, Cláudio Marcio, Elmo, Eduardo Calvet e Fernando Moreira em apresentações Inovação

IA desafia formação de novos profissionais de mídia

Especialistas defendem que domínio de IA precisa vir acompanhado de repertório, método e criatividade na formação para o audiovisual

Fabio Alencar, Renato Sviresky, Guilherme Saraiva e Deepak Mathur durante uma apresentação em um evento, em um palco com telões e painéis de conferência. Inovação

TV via satélite combina inovação e inclusão para sustentar crescimento da TV aberta

Painel na SET Expo 2026 mostrou como, mesmo com o avanço do streaming, a TV via satélite incorpora recursos digitais e novos modelos de negócio sem abrir mão do alcance e da acessibilidade

Foto de painel em evento no palco com Guilherme Saraiva, Tiago Nunes Tolentino, Alexandre Vila e Carlos Ottoboni sentados em cadeiras, diante de telão com apresentação e público ao redor. Inovação

Da cobertura à inteligência: TVRO 2.5 prepara a próxima fase da parabólica digital

Proposta discutida na SET Expo 2026 prevê receptores conectados para ampliar interatividade, mensuração de audiência e publicidade segmentada, preservando o baixo custo que impulsionou a adoção da TV aberta via satélite

Reunião de líderes de grandes bancos em uma sala de reuniões com janelas amplas e equipe discutindo gráficos e relatórios sobre mesas e post-its em um painel. Inovação

Líderes dos maiores bancos discutem futuro da IA no Febraban Tech 2026

Presidentes e CEOs de sete grandes bancos vão debater como a inteligência artificial e os agentes autônomos podem transformar o sistema financeiro