Inteligência Artificial é uma aliada para empresas se adequarem à LGPD

Inteligência Artificial é uma aliada para empresas se adequarem à LGPD

2 minutos de leitura

Evento LGPD Countdown discutiu como a tecnologia pode ajudar no tratamento de dados sem ocorrer uso abusivo das empresas.



Por Redação em 23/07/2019

Evento LGPD Countdown discutiu como a tecnologia pode ajudar no tratamento de dados sem ocorrer uso abusivo das empresas.

Principais destaques:
– Inteligência Artificial pode ajudar empresas no tratamento de dados pessoais;
– Tecnologia é um meio para empresas estarem em conformidade com a LGPD;
– Tratamento na borda (edge computing) ou em um ambiente cloud garante informações relevantes;
– Inteligência Artificial e LGPD foram destaques no mais recente LGPD Countdown, no inovabra.

Não é mais novidade que os dados pessoais são considerados o novo petróleo. Desde o início dos anos 2000, há um movimento das empresas em oferecer diversos serviços gratuitos aos consumidores em troca de seus dados. Mas com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que entra em vigor em agosto de 2020, como garantir o tratamento correto deles e evitar o uso abusivo por parte das companhias?

Tecnologia é a palavra-chave. E o uso da Inteligência Artificial pode auxiliar na jornada das empresas em se adequarem à LGPD. “A IA vai entender padrões e vai conseguir prever coisas que vão acontecer com base nos padrões do passado”, comentou Alexandre Del Rey, presidente da associação i2AI, durante o LGPD Countdown, realizado no inovabra (São Paulo) ontem (22).

O grande desafio, para Del Rey, é como as empresas farão uso da Inteligência Artificial. “A tecnologia exige esforço porque ela precisa ser treinada. Não é um software que você compra e já funciona de imediato”, ressaltou o executivo pontuando dois cenários para o tratamento de dados a partir da IA: cloud ou edge computing (computação de borda).

Na computação de borda, a coleta de dados é feita localmente (no ambiente no qual o consumidor se encontra). Se uma pessoa estiver jogando algum game mobile, por exemplo, a empresa consegue “gênero, idade, humor de quando a pessoa estava jogando e faz todo esse processamento na borda. A IA vai organizar esses dados antes de armazená-los nos servidores da empresa, garantindo que a companhia tenha somente informação relevante para a tomada de decisão, sem precisar guardar dados que identifiquem o consumidor”, explicou Del Rey.

Já na nuvem, a Inteligência Artificial iria “resolver na raiz” o tratamento dos dados, como disse Del Rey. “A remoção, edição e criptografia dos dados coletados aconteceriam dentro de um ambiente em nuvem”, complementou. Nas duas situações, ele afirmou que “o lado bonito da Inteligência Artificial é realizar milhares de iterações e, depois que a empresa encontrar o modelo ideal de tratamento para o negócio dela, ela pode se desfazer dos dados.”

Como alinhar a Inteligência Artificial com a LGPD?

Durante o LGPD Countdown, Alexandre Del Rey explicou que as empresas podem treinar a Inteligência Artificial com atributos genéricos de baixo nível. “Uma maçã tem um determinado formato e variações de cor – verde e vermelha. A partir desses três exemplos, a IA vai aprender esses atributos e criar hierarquias de classificação que irão ajudar a empresa a ter insights – seja em relação ao cliente ou aos processos dela – sem utilizar dados identificáveis e/ou sensíveis.”

Um exemplo apresentado foi o da Bradesco Inteligência Artificial, ou BIA, do Banco Bradesco. A Inteligência Artificial foi treinada com dados anonimizados (sem nenhum elemento de identificação) para responder as perguntas mais genéricas feitas pelos usuários. “Quando é preciso de agência, conta e CPF de um cliente, essas informações ficam dentro [dos servidores] do Bradesco, não vão para a nuvem”, explicou Henrique Albuquerque, gerente de equipe de IA da instituição financeira, afirmando que, até julho deste ano, já foram 151 milhões de interações (clientes que enviam texto ou áudio) com a BIA.



Matérias relacionadas

Computação quântica: interior de laboratório com um criostato e bobinas de metal ao centro, com racks de equipamentos ao fundo e iluminação em tons vermelho e prateado. Inovação

Computação quântica avança em capacidade e segurança na China

Tecnologia chinesa combina processamento quântico em larga escala e criptografia pós-quântica para ampliar a capacidade computacional e a proteção de dados

Cibersegurança com símbolo de cadeado no centro e pessoas trabalhando em computadores ao fundo, remetendo à inovação e proteção de dados. Inovação

Cibersegurança busca espaço na agenda de inovação para garantir orçamentos

Analistas do Gartner defendem que segurança digital deve deixar de ser percebida apenas como proteção e passar a ser tratada como habilitadora da transformação digital e do uso seguro de IA

Cenário de tecnologia jurídica: mão apontando para um ícone de balança dentro de uma moldura holográfica, com documentos, números e conexões em tons de vermelho, simbolizando IA na condução de disputas judiciais. Inovação

Caso no Reino Unido mostra avanço da IA na condução de disputas judiciais

Empresa utilizou inteligência artificial em diferentes etapas de ação vitoriosa, enquanto experiência brasileira aponta avanço da tecnologia com supervisão humana

Evento com cinco participantes sentados e conversando em um cenário de estúdio, com Euricion Murari, Sergio Costantini, Eduarda Davidovic, Regina Pedroso e Bruno Diniz ao redor de uma mesa e poltronas. Inovação

Ecossistema de fintechs: da expansão acelerada à busca por sustentabilidade

Debatedores do Febraban Tech defendem proporcionalidade regulatória, autorregulação e governança para conciliar inovação e solidez no setor