Reunião de líderes de grandes bancos em uma sala de reuniões com janelas amplas e equipe discutindo gráficos e relatórios sobre mesas e post-its em um painel. Foto: Fizkes / Shutterstock / Modificada com IA

Líderes dos maiores bancos discutem futuro da IA no Febraban Tech 2026

4 minutos de leitura

Presidentes e CEOs de sete grandes bancos vão debater como a inteligência artificial e os agentes autônomos podem transformar o sistema financeiro



Por Redação em 21/08/2026

Reunir líderes de sete das principais instituições financeiras do país em um mesmo painel é uma forma de colocar em perspectiva o tamanho da transformação tecnológica que atravessa o sistema financeiro brasileiro. No Febraban Tech 2026, representantes de instituições com diferentes modelos de negócio, públicos e estratégias digitais vão discutir uma mesma questão: como a inteligência artificial pode mudar a operação dos bancos e, principalmente, avançar de ferramentas de apoio para sistemas capazes de executar tarefas com maior autonomia.

O painel “Agentes inteligentes, liderança humana: como os bancos estão redesenhando escala, confiança e valor no setor financeiro” será no dia 24 de agosto, das 10h20 às 11h30, na abertura do evento. Participam Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco; Tarciana Medeiros, presidenta do Banco do Brasil; Marcelo Noronha, CEO do Bradesco; Livia Chanes, CEO para a América Latina do Nubank; Gilson Finkelsztain, CEO do Santander Brasil; Carlos Vieira, presidente da Caixa; e Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual. A abertura será feita por Isaac Sidney, presidente da Febraban, com moderação de João Borges, diretor de Comunicação da entidade.

O painel vai colocar lado a lado instituições que ocupam posições diferentes no mercado. Há bancos privados de grande escala, uma instituição pública com presença nacional, uma sociedade de economia mista, um banco digital que nasceu em uma arquitetura tecnológica mais recente e uma instituição voltada ao mercado de investimentos e atacado. Essa diversidade ajuda a mostrar que a adoção da IA não segue um único caminho no setor financeiro.

Sete bancos, diferentes perspectivas sobre a transformação digital

Milton Maluhy Filho, do Itaú Unibanco, representa um dos maiores bancos privados do país e uma operação que combina varejo, atacado, investimentos, seguros e outros serviços financeiros. A presença do Itaú no debate ajuda a dimensionar o desafio de incorporar inteligência artificial em uma estrutura de grande escala, com milhões de clientes e diferentes áreas de negócio.

No caso do Banco do Brasil, representado por Tarciana Medeiros, a discussão incorpora a perspectiva de uma instituição de alcance nacional, com atuação em segmentos como varejo, agronegócio, empresas e governo. A transformação digital, nesse contexto, precisa combinar eficiência e inovação com escala, segurança e atendimento a diferentes perfis de usuários.

Marcelo Noronha, do Bradesco, deve levar ao debate a experiência de uma instituição que também opera em múltiplas frentes do sistema financeiro e vem utilizando tecnologia como parte de uma agenda de transformação operacional. A IA entra, nesse caso, tanto na relação com o cliente quanto em processos internos, análise de dados, produtividade e gestão.

A presença de Livia Chanes, CEO Latam do Nubank, vai acrescentar outra perspectiva. O banco nasceu digital e construiu sua operação sobre uma infraestrutura tecnológica mais recente, com forte utilização de dados e canais digitais. A expansão do Nubank para outros mercados latino-americanos amplia ainda mais a discussão sobre como a inteligência artificial pode contribuir para personalização, escala e desenvolvimento de produtos financeiros.

Já Gilson Finkelsztain, CEO do Santander Brasil, chega ao painel com uma trajetória ligada também à infraestrutura do mercado financeiro. Antes de assumir o banco, o executivo presidiu a B3. Sua participação acrescenta ao debate uma visão que conecta bancos, mercados de capitais, dados e infraestrutura financeira em um momento de rápida transformação tecnológica.

Carlos Vieira, presidente da Caixa, representa a perspectiva de uma instituição pública com uma das maiores bases de clientes do país e papel relevante em crédito, habitação, pagamentos e políticas públicas. Para a Caixa, a adoção de novas tecnologias envolve não apenas ganhos de eficiência e inovação, mas também questões de escala, segurança, inclusão e prestação de serviços para diferentes públicos.

Completa o painel Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, instituição com forte atuação em banco de investimento, gestão de recursos, crédito corporativo e mercado de capitais. Sua presença incorpora ao debate a perspectiva de negócios financeiros em que dados, análise, automação e tomada de decisão têm papel central.

A expectativa é que este painel demonstre o uso de IA por diferentes ângulos. No varejo, a tecnologia pode transformar atendimento, personalização e concessão de crédito; nos processos internos, pode ampliar produtividade e automatizar tarefas; no atacado e mercado de capitais, pode acelerar análise e tomada de decisão; e em instituições públicas, pode ajudar a ampliar a eficiência de serviços de grande escala.

Da IA generativa aos agentes inteligentes

Essa diversidade ganha importância porque o debate do setor já começa a avançar para além da inteligência artificial generativa. O tema central do Febraban Tech 2026, “Agentes Inteligentes, liderança humana”, coloca em discussão sistemas capazes de executar etapas de processos, interagir com diferentes ferramentas e atuar com maior grau de autonomia.

A mudança representa uma evolução em relação ao uso mais conhecido dos modelos generativos, como produção de textos, síntese de informações e apoio à consulta de dados. Com agentes inteligentes, a discussão envolve também execução, orquestração de tarefas, tomada de decisões e interação entre diferentes sistemas.

Para os bancos, essa evolução pode alcançar praticamente todas as etapas da operação. Agentes podem apoiar atendimento, análise de documentos, prevenção a fraudes, processamento de informações, desenvolvimento de produtos, relacionamento com clientes e atividades administrativas.

Ao mesmo tempo, quanto maior a autonomia desses sistemas, maior a necessidade de estabelecer mecanismos de controle. Segurança da informação, privacidade, explicabilidade, governança, responsabilidade e supervisão humana passam a fazer parte da discussão tecnológica. É justamente essa transição que explica a presença dos principais líderes dos bancos na abertura do evento. 

Um setor que já opera em escala digital

O cenário brasileiro ajuda a explicar por que o sistema financeiro está no centro dessa discussão. O próprio Febraban Tech aponta que 83% das transações bancárias dos brasileiros são realizadas por canais digitais e 78% ocorrem pelo celular. Nos últimos cinco anos, as operações de mobile banking cresceram 169%.

Ao mesmo tempo, os investimentos em tecnologia continuam crescendo. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, citada pela organização do evento, os bancos brasileiros devem destinar R$ 50,4 bilhões à tecnologia em 2026, crescimento de 8% sobre 2025 e de 58% em cinco anos.

Esse volume de recursos mostra que a inteligência artificial não chega a um setor que ainda está começando sua transformação digital. Ela se sobrepõe a uma infraestrutura já amplamente digitalizada, com grandes volumes de dados, operações em tempo real e milhões de interações realizadas diariamente.

É nesse ambiente que os agentes inteligentes podem ganhar escala. O desafio agora é determinar quais atividades podem ser automatizadas, quais decisões precisam permanecer sob supervisão humana e como garantir que sistemas autônomos funcionem dentro dos parâmetros de segurança e confiança exigidos pelo setor financeiro.

O painel de abertura do Febraban Tech é destaque pela possibilidade de comparar estratégias. Os sete bancos não estão no mesmo estágio tecnológico, não têm os mesmos modelos de negócio e não atendem exatamente aos mesmos públicos. Ainda assim, todos precisam responder às mesmas mudanças provocadas pela inteligência artificial.

O painel reúne diferentes visões sobre uma transformação que pode afetar desde a experiência do cliente até a infraestrutura que sustenta o sistema financeiro. As estratégias apresentadas por Itaú, BB, Bradesco, Nubank, Santander, Caixa e BTG podem indicar como diferentes modelos de instituição financeira pretendem equilibrar automação, produtividade, segurança e supervisão humana na próxima etapa da adoção da IA. 



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