As experiências acumuladas em eventos como Carnaval, Lollapalooza, Fórmula 1 e grandes shows serviram de pano de fundo para a apresentação de novas soluções de conectividade voltadas à produção audiovisual durante o painel 5G: Novas aplicações em produções audiovisuais do jornalismo aos megaeventos, realizado na SET Expo 2026.
Além de compartilhar abordagens técnicas e lições aprendidas na utilização de redes 5G em grandes coberturas e transmissões de eventos, os executivos da Claro empresas apresentaram produtos e serviços voltados a emissoras, produtoras de conteúdo e equipes de jornalismo móvel, incluindo recursos de network slicing, redes privativas 5G e APIs de Quality on Demand (QoD) para priorização dinâmica de tráfego.
Ao longo do painel, os executivos mostraram como as novas capacidades do 5G permitem ampliar a qualidade, a estabilidade e a mobilidade das transmissões ao vivo, ao mesmo tempo em que criam novos modelos de produção remota para emissoras e produtores de conteúdo.
Segundo o diretor de Vendas de Mídia e Satélite da Claro empresas e conselheiro da SET, Guilherme Saraiva, as operações realizadas nos últimos anos permitiram validar diferentes modelos de priorização de tráfego para atender às exigências das transmissões profissionais, que dependem de mobilidade, qualidade de imagem, estabilidade da conexão e baixa latência.

Uma das abordagens utilizadas é o network slicing, tecnologia que permite reservar parte da capacidade da rede para aplicações específicas. A solução já foi empregada em eventos como Carnaval e Lollapalooza para separar a capacidade destinada às transmissões profissionais daquela utilizada pelo público presente.
3,5 GHz compartilhados e 26 GHz dedicados
Um dos casos analisados durante o painel foi a operação realizada no show da cantora Shakira. A experiência ilustra a abordagem em situações em que o compartilhamento da faixa de 3,5 GHz, entre conexões de uso geral e dedicadas, implicaria risco de saturação da capacidade.
Saraiva explicou que as equipes de produtos B2B da operadora monitoram continuamente os impactos das soluções corporativas sobre a conectividade dos assinantes, que podem chegar a dezenas de milhares de celulares concentrados em um único local.
“Para fazer o slicing no show da Shakira, teríamos que tirar a banda do público, o que seria inaceitável. Então trouxemos uma nova solução que é rede privativa na faixa de onda milimétrica, 5G em 26 GHz. Em algumas torres, temos uma banda totalmente separada. O nosso espectro na faixa de 3.5 GHz é de 100MHz e na faixa de 26 GHz é de 400 MHz. Dá para alocar muito mais vídeo e ter uma qualidade muito superior”, descreveu.
A utilização da faixa de 26 GHz permitiu ampliar significativamente a capacidade disponível para vídeo, sustentando taxas muito superiores às obtidas nos modelos tradicionais de slicing. Os testes realizados em shows, eventos esportivos e no Carnaval de São Paulo registraram velocidades superiores a 50 Mbps dedicados, chegando perto de 80 Mbps em algumas aplicações.
Além da capacidade adicional, o executivo destacou outra possibilidade de uso da tecnologia. O 5G em ondas milimétricas pode funcionar como alternativa a enlaces de fibra óptica temporários, dispensando o lançamento de cabos para determinadas aplicações. Em cenários com boa visada entre antena e terminal, sem obstáculos relevantes, a solução pode ser utilizada em enlaces de até 500 metros.
Ao mesmo tempo, a experiência acumulada nos eventos trouxe aprendizados importantes sobre as limitações operacionais da faixa. “Como nem tudo é perfeito, a onda milimétrica não gosta de obstrução. Portanto, tem que se tomar certo cuidado. Para fazer uma transmissão em onda milimétrica 26 GHz, o modem tem que estar alto, acima das cabeças. Se a pessoa abaixar o modem, entra em uma sombra e o sinal falha”, advertiu Saraiva.
Produtos para jornalismo e transmissões ao vivo
No painel, o gerente de produtos da Claro empresas, Eduardo Massaud, apresentou os produtos desenvolvidos para diferentes perfis de produção audiovisual. Segundo o executivo, as necessidades variam de acordo com a frequência de uso e as características dos locais onde as transmissões são realizadas.

Entre as novas ofertas está o SIM Jornalístico, evolução de uma solução originalmente voltada aos mochilinks utilizados por emissoras de TV. Nessa modalidade, em vez de um equipamento dedicado embarcado no mochilink, o chip é capaz de sinalizar à rede requisitos especiais de qualidade de serviço (QoS). “Qualquer repórter na rua pode fazer um link direto”, explicou.
A proposta é oferecer prioridade dinâmica para repórteres e equipes de transmissão que precisam atuar em qualquer ponto da cidade sem planejamento prévio da área de cobertura.
Produção em nuvem e QoS de ponta a ponta
Além da priorização na rede de acesso móvel, a Claro empresas passou a oferecer mecanismos de qualidade de serviço de ponta a ponta para aplicações de transmissão.
Isso significa que a garantia de desempenho não termina na conexão 5G utilizada pela câmera ou pelo mochilink. Quando o tráfego chega à infraestrutura central da operadora, continua sendo transportado por uma rede com níveis controlados de velocidade, estabilidade e disponibilidade. Como resultado, atividades tradicionalmente realizadas dentro das unidades móveis podem ser executadas remotamente, em centros de produção ou ambientes de nuvem.
Segundo Massaud, essa arquitetura permite que diretores, produtores e equipes de edição trabalhem à distância, sem a necessidade de instalar toda a infraestrutura de produção no local do evento.
APIs de rede e o futuro das transmissões
O painel também destacou o papel das APIs de rede associadas às iniciativas Open Gateway e Projeto Camara. A principal novidade apresentada foi o uso do recurso de Quality on Demand (QoD), que permite ativar prioridade de rede sob demanda para aplicações corporativas.
“O QoD, que vem do padrão do TM Forum (Open Gateway, projeto Camara), permite fazer uma chamada de API. Quando preciso da banda, mando o comando e ligo a prioridade sob demanda, para aquele tempo específico da transmissão”, explicou Massaud.
Segundo o especialista, a tecnologia já vem sendo utilizada em diferentes cenários, incluindo transmissões audiovisuais, terminais de pagamento, sistemas de validação de ingressos, monitoramento por vídeo, sensores de segurança e aplicações voltadas a equipes de emergência em grandes eventos.
Para os palestrantes, a combinação entre redes 5G, fatiamento de rede, redes privativas e APIs de QoD representa uma nova etapa da evolução das produções audiovisuais, permitindo ampliar a mobilidade das equipes e reduzir a dependência de estruturas físicas complexas para transmissões ao vivo.
