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Painel do web summit, quem controla dados, controla a ia Da esquerda para direita: Luiz Pacete, Rodrigo Assad, Carol Cevciuc e Silvio Meira.

IA exige que empresas repensem seus modelos, dizem especialistas

3 minutos de leitura

E preparem profissionais com capacidade intelectual para usar a IA, inclusive usando pensamento estratégico



Por Nelson Valencio em 10/06/2026

A discussão sobre IA mostra alguns pontos superados, entre eles, o fato de que a tecnologia vai automatizar o trabalho repetitivo e algorítmico. O que deve mudar, segundo Sílvio Meira, Carol Sevciuc e Rodrigo Assad, é a necessidade de repensar os modelos e focar na estratégia. Os três especialistas participaram de um debate no Web Summit 2026 e defenderam que o diferencial humano agora é o pensamento estratégico e a reconfiguração da forma de trabalhar.

Meira, cientista-chefe da TDS Company e professor universitário, destaca que cabe aos humanos atuar articulados com a IA, garantindo sentido, valores, moral e propósito, pois a “máquina sozinha gera a mesma estratégia genérica para qualquer um”.

Carol, vice-presidente de Estratégia e Transformação da Pepsico, aponta que digitalizar o processo atual não basta e o objetivo deve ser mudar o modelo operacional. Já Assad, diretor de Inovação da Claro empresas, argumenta que o verdadeiro desafio é repensar como fazemos as coisas, construindo o presente a partir da visão do futuro.

Os três destacaram ainda a importância do repertório e de saber fazer perguntas. Em outras palavras: a tecnologia em si tem barreiras de acesso muito baixas, mas o que diferencia os profissionais é a capacidade intelectual de usar a IA.

Carol, por exemplo, enfatizou a importância da requalificação de equipes para entender os dados e saber como formular as perguntas corretas para a IA. Meira, por sua vez, reforçou essa ideia afirmando que os melhores resultados vêm de pessoas com bastante repertório, pois quem “estuda mais sabe fazer as perguntas certas e tem capacidade de criticar a resposta da máquina”, segundo ele.

Assad complementou, ao lembrar que é essencial entender a estratégia para saber qual pergunta fazer e qual dado buscar. Para o diretor da Claro empresas é necessário também uma mudança mental. Ele argumenta que o desafio não é partir dos processos do presente, mas sim, desenhar a solução no futuro e trazê-la de volta para o momento atual. Na prática, significa entregar soluções de software de forma muito mais ágil, gerando mais valor, entre outros exemplos.

Outro ponto defendido por ele, é a necessidade de ter qualidade dos dados. “Decisões baseadas em entradas ruins de informação vão gerar saídas ruins”, alerta.

Observando grandes corporações no dia a dia, Assad aponta a dificuldade e a importância vital de encontrar onde o dado útil está, limpá-lo e prepará-lo antes mesmo de pensar em ferramentas de IA. Ele sugere começar pequeno, com squads de experimentação, para testar a relevância das informações.

Mulher de terno vinho lidera apresentação sobre redesign de fluxo de trabalho em painel digital para equipe em reunião.
Imagem gerada digitalmente

Carol também é partidária dessa estratégia e traz uma visão pragmática para líderes organizacionais, defendendo que a IA deve ser implementada primeiramente em ambientes de teste (sandboxes) com princípios e objetivos claros.

Para que a transformação digital funcione na prática, ela argumenta que é preciso quebrar os silos da companhia através de poucas metas, que sejam também convergentes. Isso evitaria que departamentos trabalhem de forma isolada com seus próprios KPIs.

Ela critica a prática de empresas que criam “grupos multifuncionais” sob o nome de squads, mas não dão a essas equipes o poder da “caneta da decisão”, o que trava o andamento dos projetos. “Toda mudança e priorização deve migrar de forma coordenada a partir da estratégia principal da empresa”, diz.

Meira também deu destaque à organização das empresas e criticou as estruturas hierárquicas tradicionais, algumas delas focadas em reuniões que não agregam valor. Ele apontou que colocar ferramentas do futuro em estruturas lentas do passado, não funciona.

O especialista defende ainda uma verdadeira “orquestração” e dá o exemplo do Magalu, onde squads possuem autonomia total sobre o algoritmo de busca com base no número de conversão, sem precisar da aprovação da diretoria.

Meira reforçou a manutenção da capacidade cognitiva e aprendizado contínuo, alertando para o perigo de terceirizar o pensamento para a máquina. Segundo ele, a chegada da IA nessa escala decretou o fim da escola tradicional, exigindo que as pessoas desaprendam habilidades nas quais eram boas e aprendam coisas completamente novas.

“Precisamos manter nossa capacidade crítica e criar valor para sobreviver e pagar nossos boletos”, resumiu.

* Acompanhe a cobertura do Web Summit Rio 2026 na página especial do Próximo Nível.



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