Os data centers se consolidaram como ativos estratégicos para sustentar avanços tecnológicos e disputas globais sobre o domínio da inteligência artificial. À medida que ganham escala para atender à crescente demanda computacional, aumentam também os desafios relacionados ao consumo de energia, ao uso de água e às emissões de gases de efeito estufa. Diante desse cenário, empresas e governos buscam soluções capazes de conciliar crescimento da capacidade instalada e sustentabilidade ambiental.
No Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, o debate sobre a sustentabilidade dos data centers ganha ainda mais peso. Com projeções apontando para a expansão da infraestrutura de data centers até o fim da década, o setor tem investido em eficiência energética, energias renováveis, reaproveitamento de água e novas tecnologias construtivas.
Consumo energético
O desenvolvimento de soluções e aplicações de inteligência artificial, em uma corrida global pelo domínio tecnológico, aumentou a demanda pela infraestrutura responsável por sustentar essas aplicações. Equipados com milhares de GPUs (unidades de processamento gráfico) de alto desempenho, os data centers de IA exigem elevada capacidade elétrica para operarem.
Diante da disputa pela liderança tecnológica, o consumo energético dos data centers cresce em ritmo acelerado. De acordo com projeções da Agência Internacional de Energia (IEA), o consumo global de eletricidade dos data centers deverá mais que dobrar até 2030, alcançando cerca de 945 terawatts-hora (TWh). A demanda do segmento deve crescer quatro vezes mais rápido que a dos demais setores econômicos, com incremento anual de aproximadamente 15%.
Além da energia necessária para alimentar os servidores, uma parcela do consumo está associada aos sistemas de resfriamento, indispensáveis para evitar o superaquecimento dos equipamentos.
Emissões ainda pesam
A expansão da capacidade computacional também eleva o aumento das emissões associadas à operação dos data centers. Embora as grandes empresas de tecnologia tenham assumido compromissos de neutralidade de carbono e ampliado a contratação de energia renovável, a demanda por energia dos data centers tem tornado essas metas cada vez mais difíceis de alcançar.
Dados da S&P Global apontam que a capacidade instalada global de data centers deverá saltar de 200 GW em 2024 para 382 GW até 2030. A expansão tende a elevar as emissões de gases de efeito estufa sobretudo em regiões onde a oferta de fontes renováveis não acompanha o ritmo de crescimento da infraestrutura digital.
O estudo da consultoria aponta um descompasso entre novos projetos renováveis e a demanda adicional de energia dos data centers. Como consequência, parte do crescimento do consumo elétrico acaba sendo suprida por energia de combustíveis fósseis, elevando as emissões.
O desafio do consumo de água

Além da eletricidade, os centros de dados fazem uso intensivo de água para a refrigeração. A questão, por si só, já gera debates no setor em relação ao desperdício de água, mas em regiões sujeitas ao estresse hídrico, a preocupação se torna maior.
Estudos da S&P Global indicam que cerca de 43% dos data centers do mundo já operam em áreas sob estresse hídrico. Na China, por exemplo, 60% dos ativos estão expostos a esse cenário. Já nos EUA, o percentual de exposição é de 38%, com maior concentração nas regiões oeste e centro-oeste.
De olho no panorama global, o Brasil, no âmbito do Nova Indústria Brasil (NIB), promove o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center no Brasil (Redata). Com o objetivo de estimular data centers no país e impulsionar a economia digital, o Redata estabelece critérios rigorosos de sustentabilidade. Dentre eles, apresentar eficiência hídrica (WUE) igual ou inferior a 0,05 L/kWh.
O uso hídrico para resfriamento em circuito fechado, ou seja, com abastecimento único de água, também se apresenta como uma das soluções adotadas pelo mercado brasileiro. De acordo com a Brasscom, em 2030, 90% do parque brasileiro será composto por esse modelo.
Construindo data centers mais sustentáveis
As mudanças não se restringem à operação e englobam também a construção dessas instalações, que começa a incorporar critérios de sustentabilidade.
Um exemplo vem da Meta, que está utilizando madeira engenheirada em parte de um novo complexo de data center nos Estados Unidos. A estratégia busca reduzir a pegada de carbono da construção, diminuir o uso de concreto e acelerar a execução das obras. Outras empresas do setor também avaliam soluções semelhantes como forma de reduzir emissões incorporadas à infraestrutura. A adoção de materiais de menor impacto ambiental e de soluções construtivas mais eficientes sinaliza que a busca por sustentabilidade nos data centers tende a abranger todo o ciclo da infraestrutura, da construção à operação.
