Mulher sorridente sentada em carro autônomo, destacando tecnologia de veículos autônomos e direção automatizada. Foto: Aerogondo2 / Shutterstock

Direção autônoma pode ganhar espaço, mas esbarra em custo, demanda e regulação

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Montadoras aceleram sistemas “eyes-off”, enquanto Uber aposta em robotáxis autônomos. No mercado brasileiro, a complexidade do trânsito e a regulação são entraves



Por Redação em 07/04/2026

A corrida global pela direção autônoma entrou em uma nova fase, marcada pelo avanço de sistemas de Nível 3, conhecidos como eyes-off, que permitem ao motorista tirar os olhos da estrada e delegar temporariamente a condução ao veículo. A tecnologia representa um salto em relação aos atuais sistemas de assistência, mas ainda levanta dúvidas sobre viabilidade econômica, segurança e responsabilidade jurídica.

Ao mesmo tempo em que montadoras aceleram o desenvolvimento desses sistemas, empresas de mobilidade como a Uber Technologies ampliam investimentos em frotas autônomas e projetam expansão global. No Brasil, porém, a chegada dessa tecnologia depende de regulação, adaptação ao trânsito local e maturidade dos sistemas.

Nível 3 e suas promessas

Os sistemas de nível 3 de automação, na prática, permitem que o motorista realize outras atividades, como usar o celular ou trabalhar, até que o veículo solicite a retomada do controle. A inovação já ganha desenhos estratégicos em montadoras globais como a Ford Motor, que planeja lançar um sistema eyes-off em veículos elétricos acessíveis até 2028, com o objetivo de otimizar o tempo dos motoristas.

Mulher utilizando sistema de automação, aproveitando para usar o celular à vontade no carro enquanto dirige
Foto: Unai Huizi Photography / Shutterstock

O avanço também é impulsionado por uma competição crescente entre marcas mais tradicionais, como a Mercedes-Benz, e mais recentes e voltadas para o mercado tecnológico, como a Tesla. O desenvolvimento chinês no segmento pressiona o setor e intensifica a disputa global dos veículos de nível 3.

Apesar do otimismo, o impasse de custo de desenvolvimento e a incerteza sobre a demanda geram preocupações entre os investidores. Um estudo da McKinsey & Company, reproduzido pelo Olhar Digital, aponta que sistemas de nível 3 podem exigir investimentos de até US$ 1,5 bilhão, cerca do dobro do necessário para tecnologias de nível 2.

Uber mira expansão 

Enquanto as montadoras debatem o Nível 3, a Uber Technologies trabalha para adicionar veículos totalmente autônomos à sua plataforma. A empresa anunciou investimentos de até US$ 1,25 bilhão em parceria com a Rivian Automotive para criar uma frota de robotáxis nos EUA, Canadá e Europa. A operação já ocorre em cidades como Phoenix, Dubai e Abu Dhabi.

O gerente global de mobilidade autônoma da Uber, Noah Zych, confirmou ao O Globo o entusiasmo em levar os veículos autônomos ao Brasil, mas que no curto prazo não seria viável, dados os estágios de maturidade que ainda precisam ser alcançados em termos de tecnologia e regulação.

Desafios do nível 3 e de carros autônomos

Apesar do avanço das tecnologias automotivas, o Brasil ainda enfrenta obstáculos no que diz respeito à complexidade do trânsito e ao arcabouço regulatório. Segundo Zych, o país exige soluções adaptadas a ambos os aspectos, que passam, entre outros pontos, por mapeamento detalhado das cidades, coleta de dados locais e testes extensivos com operador até que o sistema guie com mínima intervenção humana.

Ainda de acordo com o executivo da Uber, em cidades com trânsito mais agressivo e imprevisível, deve haver um equilíbrio para que a direção excessivamente cautelosa da tecnologia não seja um inibidor do tráfego e um fator negativo para a experiência do usuário. Nesses casos, a implementação do modelo é feita de maneira “híbrida”, ou seja, se a avaliação do sistema indicar que o percurso não reúne as condições ideais para a viagem com carros autônomos, um motorista parceiro é direcionado. 

Em sistemas eyes-off, a preocupação com a segurança também integra o debate, sobretudo em relação à responsabilização em casos de acidentes. De acordo com o Olhar Digital, analistas observam o aumento da possibilidade dos fabricantes serem responsabilizados. Para evitar incidentes, o desafio consiste em garantir que o sistema identifique corretamente quando solicitar intervenção humana e mantenha a condução com segurança até a retomada.



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