Mulher assistindo TV aberta no celular com tecnologia 5G broadcast em uma sala moderna e confortável. Imagem gerada digitalmente

5G Broadcast: testes em Curitiba indicam viabilidade de TV aberta direta no celular

3 minutos de leitura

Nova tecnologia avança no Brasil e abre caminho para assistir TV aberta no celular sem consumir dados móveis



Por Nai Fachini em 23/03/2026

A cidade de Curitiba foi palco, em março de 2026, de um dos testes mais relevantes da tecnologia 5G Broadcast no Brasil, apontada como peça-chave para a evolução da TV aberta na era digital. A demonstração aconteceu nas instalações da Rede CNT, com coordenação da empresa Rohde & Schwarz e acompanhamento técnico do Ministério das Comunicações (Mcom), da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e equipes técnicas de diversas emissoras. 

O principal objetivo foi verificar se o sinal 5G Broadcast pode operar sem causar interferências nas redes móveis já existentes, um dos maiores desafios para a adoção da tecnologia.Os experimentos começaram ainda em fevereiro, com medições iniciais sem transmissão para estabelecer parâmetros técnicos de referência. Na sequência, o sinal foi ativado de forma progressiva. 

De acordo com Rodrigo Martinez, presidente da Rede CNT, houve uma progressão de potência sobre a rede. “Iniciamos com potência de 30 watts e ampliamos gradualmente até 1 quilowatt. Fizemos testes de transmissão contínua e simulações de desligamento e religamento do sistema”, explicou. Segundo ele, não foram identificadas interferências relevantes nas redes móveis até o momento.

O que é o 5G Broadcast?

Jovem assistindo TV aberta no celular com tecnologia 5G broadcast deitada no sofá da sala de usa casa.
Foto: Drazen Zigic/ Shutterstock

O 5G Broadcast é uma tecnologia que permite transmitir TV aberta diretamente para celulares, sem uso de internet ou consumo de dados móveis. Diferente do streaming, o modelo funciona como a radiodifusão tradicional em que um único sinal é enviado e milhões de usuários podem receber simultaneamente sem sobrecarregar redes móveis. 

De acordo com Vinicius Caram, superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel, trata-se de uma abordagem estratégica para integrar a TV aberta ao ecossistema digital e viabilizar a chamada TV 3.0 no Brasil. Ele ainda ressaltou que o foco dos testes é garantir a convivência entre tecnologias. “O objetivo desses testes é justamente verificar se o sinal do 5G Broadcast pode operar sem causar interferências nos sistemas atuais. A evolução tecnológica não se limita às redes móveis, mas também alcança a radiodifusão. Com a TV 3.0, surge agora a possibilidade de levar esse conteúdo diretamente para dispositivos móveis. Os testes buscam justamente garantir que o 5G Broadcast opere sem interferir nos sistemas atuais. Com o avanço dessa agenda, a expectativa é que, em breve, a população possa acessar o sinal de TV aberta e gratuita no smartphone de forma simples e acessível”, completou o especialista reafirmando a questão da distribuição do sinal de TV nos telefones celulares sem uso de dados das operadoras.

Tecnologia apoia a transformação do setor 

O Ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, acompanhando testes do 5G Broadcast
O Ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, acompanhando testes do 5G Broadcast (Foto: Peter Neylon/ MCom)

Durante a agenda em Curitiba, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, destacou o potencial da tecnologia para ampliar o acesso à informação. “A recepção da TV 3.0 nos aparelhos celulares representa uma evolução importante para o setor de comunicações, especialmente porque combina o alcance da TV aberta, a mobilidade dos dispositivos digitais e a ampliação de serviços públicos e informação”, afirmou.

Para Wilson Wellisch, secretário de Radiodifusão do Ministério das Comunicações, o teste representa uma mudança estrutural na forma de distribuição de conteúdo. “O 5G Broadcast é um padrão tecnológico que permite a transmissão do sinal de radiodifusão diretamente para dispositivos móveis. Na prática, isso significa que teremos o sinal da TV aberta no celular sem consumo de dados, maior estabilidade em grandes eventos e a possibilidade de uso em alertas de emergência, tudo distribuído pela rede 5G Broadcast”, ressaltou. 

Segundo ele, os testes realizados em Curitiba foram solicitados pelo MCom e têm como objetivo avaliar se a tecnologia pode operar de forma harmoniosa com as redes móveis já existentes.

Resultados preliminares animam o setor

Segundo Martinez, os primeiros resultados já indicam que a tecnologia é tecnicamente viável no Brasil uma vez que não houve interferência relevante nas redes móveis, a  transmissão se manteve estável mesmo com aumento de potência e o funcionamento foi consistente em diferentes cenários de teste. “Além disso, testes de variação operacional (liga/desliga) também não apontaram impactos críticos nas redes existentes”, justificou.

O teste da tecnologia em Curitiba reforça um movimento do setor de comunicação na tentativa de reposicionar a TV aberta no ambiente digital.

Segundo o próprio Ministério das Comunicações, o 5G Broadcast pode ampliar alcance para smartphones, competir com plataformas de streaming e reforçar o papel da radiodifusão como serviço público. Ou em outras palavras, a tecnologia pode permitir que a população receba um sinal de TV gratuita diretamente no celular, de forma simples, acessível e sem custo de dados. 

Desafios da nova tecnologia

Apesar da importância do momento e dos avanços técnicos observados nos testes de 5G Broadcast, a implementação da tecnologia em larga escala no Brasil pode enfrentar desafios. Entre os principais entraves estão a definição do espectro que será destinado ao serviço e a necessidade de adaptação de dispositivos móveis para recepção do sinal.

Segundo Caram, a construção de um marco regulatório específico é o próximo passo para a consolidação de um modelo de negócios sustentável para emissoras e operadoras.

Ele citou ainda que, superada a fase inicial de validação técnica, outro obstáculo passa a ser de ordem regulatória e econômica, e não mais tecnológica.



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