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Painel na Futurecom 2025 sobre 30 anos de Telecom e IA, com destaque para radiobase no foco do debate entre especialistas. Da esquerda para a direita: Luiz Alexandre Garcia, Lucas Alberti, Pablo Guaita, Débora Bortolasi, Rafael Mezzasalma e Ari Lopes (Foto: Divulgação/ Futurecom Oficial via Flickr)

Especialistas preveem IA embarcada em estações radiobase

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Painel na Futurecom revela avanços capazes de transformar o tráfego de dados e impulsionar a inovação em telecomunicações



Por Nelson Valêncio em 01/10/2025

A combinação de inteligência artificial (IA) e 5G vai avançar na infraestrutura das operadoras, segundo o country manager da Nokia no Brasil, Rafael Mezzasalma, participante do painel “30 anos em 1? Telecom e IA”, na Futurecom 2025. Um dos exemplos citados pelo executivo são as estações radiobase (ERBs) com IA embarcada (embedded). Na prática, a iniciativa traz capacidade computacional mais próxima dos clientes potenciais, o que pode diversificar e ampliar a oferta das operadoras.

O processamento computacional na borda – e não apenas concentrado nos grandes data centers – também pode ajudar a equilibrar uma mudança importante no tráfego das redes de telecomunicações: o crescimento do upload, com usuários enviando informações em volumes parecidos com o que recebem (download).

Mezzasalma acredita que a explosão de upload impulsionado, entre outros fatores, pelo uso de recursos como realidade aumentada, pode ser acomodada com a combinação de IA + 5G. E mais: a evolução para o 6G deve trazer aplicações de IA nativas nos equipamentos de redes, que já sairiam de fábrica com a tecnologia. “Não é simples, porque as redes estão cada vez mais complexas”, resume o executivo.

Outra tendência que pode favorecer o uso da IA em telecomunicações é a possibilidade de uso do processamento de linguagem natural (PLN). Isso permite  que outros profissionais – e não só os técnicos – possam desenvolver ideias para aplicação no segmento, uma vez que as máquinas, por meio do PLN, compreendem textos e palavras como são faladas por humanos.

Para o diretor operacional da V.Tal, Lucas Alberti, a IA tem sido uma grande aliada em várias frentes, começando com o básico que é manter a rede neutra da empresa. É o caso dos técnicos de manutenção que enviam fotos de equipamentos para que a IA treinada da operadora possa analisar que tipo de dispositivo e qual seria o procedimento mais correto para correção de falhas. “A cada situação, o profissional aprende a resolver melhor e usar mais eficientemente o tempo, com uma linguagem simples, que integra o técnico à ferramenta”, detalha.

Outra aplicação da IA – e também disruptiva – é a atuação dos agentes na área de pré-vendas, onde eles estruturam soluções de infraestrutura personalizadas, inclusive com precificação. No final, os profissionais de negócios recebem as propostas e podem validá-las ou não, com o conhecimento humano que detêm. O grande desafio, em soluções como essas, é cultural, na avaliação de Alberti. Para ele, a IA atuando como agente de pré-venda não pode ser percebida como ameaça pelos colaboradores humanos.

Um pensamento similar foi destacado por Luiz Alexandre Garcia, diretor-presidente da Algar Telecom. “A mudança cultural é extremamente relevante para aumentar a velocidade de adoção de colegas virtuais de trabalho”, argumenta. Para ele, a IA agrega eficiência em áreas críticas de telecom, como o combate ao churn (quando o cliente muda de operadora), ao antecipar as possibilidades de troca, por meio de predições baseadas em dados reais do cliente.

O executivo lembra ainda que o Brasil reúne diferenciais para atrair data centers e impulsionar o processamento de dados por meio de IA. O tema é crítico, porque envolve a cadeia de telecom como parceira dos empreendimentos. Os pontos favoráveis do país envolvem desde energia limpa até conectividade, mas podem ser ameaçados pela questão tributária.

A tributação mais competitiva de países como Paraguai também pode ameaçar os data centers e suas parceiras operadoras. O país vizinho – com energia barata e sobrando, oriunda da usina de Itaipu – foi citado por Pablo Guaita, diretor da Deutsche Telekom. Ari Lopes, da Omdia, e mediador do painel, ressaltou que mesmo países do Caribe – sem energia barata e sujeitos a catástrofes naturais – estão na corrida pela instalação de data centers, o que ressalta as vantagens que o Brasil possui.

Além da tributação, a formação de mão de obra especializada é um gargalo importante para o uso de IA na indústria de telecom e em outros setores, conforme afirmou Débora Bortolasi, da Vivo. A executiva destacou que o Brasil é um dos países mais conectados do mundo, mas, ao mesmo tempo, metade da população tem dificuldade para enviar um e-mail com algum tipo de material anexo. 



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