Fintechs: o Brasil tem muito a ensinar para o mundo

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Nos anos 1980, o setor bancário criou uma cultura de alta tecnologia, única no mundo, que acabou sendo o embrião das atuais fintechs



Por Redação em 15/02/2022

A quinta maior empresa mundial considerada “unicórnio” (definição para startups cujo valor ultrapassa US$ 1 bilhão) é a brasileira Nubank, que fica atrás apenas de duas americanas, uma chinesa e uma sueca. Além de unicórnio, ela se enquadra na definição de fintech, ou seja, alia o setor financeiro com tecnologia. 

“Existe uma razão para o Brasil ter fintechs em um nível mundial de sofisticação”, destacou o jornalista especializado em tecnologia, Pedro Dória, em vídeo produzido em parceria com a Embratel. Segundo ele, poucos setores da economia se envolvem há tanto tempo com tecnologia de ponta como o bancário. 

“Nos anos 1980, a inflação acabou levando o segmento a investir em uma cultura de alta tecnologia. Havia investimentos ancorados em dívida pública e o dinheiro mudava de valor todos os dias, então a tecnologia foi necessária para as atualizações e demais processos bancários”, explicou. A tendência se manteve ao longo dos anos e, ainda hoje, esse setor, no Brasil, é um dos mais desenvolvidos do mundo. “Poucos países têm soluções ágeis e inovadoras como o PIX”, exemplificou Dória. 

Fintechs uniram a tecnologia dos bancos às inovações do Vale do Silício

Foi nesse cenário de desenvolvimento tecnológico que as fintechs surgiram, trazendo consigo visões do Vale do Silício. “Esta mistura permitiu a criação de bancos mais rápidos e ágeis”, afirmou Dória. 

Uma das explicações para isso foi o armazenamento de dados em nuvem. No passado, um banco demandava uma enorme infraestrutura de servidores para isso. “Quando se cria um banco, não sabemos quantas pessoas vão emitir cartões, abrir conta. Por isso, a nuvem foi a solução ideal para as fintechs, uma vez que a tecnologia permite escalabilidade e também garante a segurança necessária para a operação”, explicou o jornalista. Além disso, sua implantação é mais rápida e a operação mais barata, o que garantiu a diferenciação das instituições tradicionais. 

Soluções ágeis permitem que as fintechs se destaquem junto aos clientes

Outra tecnologia bastante relevante para as fintechs é a inteligência artificial, que permite estudar o comportamento das pessoas e oferecer soluções customizadas. Na visão de Dória, entender os recursos e demandas dos clientes é uma estratégia das empresas que se destacam no setor. A inteligência artificial permite identificar erros e, rapidamente, melhorar a satisfação dos clientes. 

“O setor bancário foi muito bom em tecnologia, mas bastante lento para atender a essas demandas dos clientes. Havia uma grande preocupação com segurança e estabilidade, mas as respostas não eram tão ágeis. E foi justamente aí que as fintechs acabaram se destacando”, apontou Dória. Segundo ele, essas características fazem do Brasil um palco mundial na área de inovação nesse segmento. 



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