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Startups apostam em licenciamento de conteúdo e atraem investidores

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Licenciando conteúdo protegido, startups de IA atraem US$ 215 milhões e buscam crescer com inovação e respeito a direitos autorais



Por Redação em 18/06/2025

O atual ecossistema da inteligência artificial está marcado por investimentos robustos e pela emergência de novos modelos de negócios. Startups especializadas no licenciamento de conteúdos protegidos por direitos autorais são exemplos nesse movimento, atraindo a atenção de investidores e criando uma nova frente de monetização.

Empresas como Pip Labs, Vermillio, Created by Humans e Human Native captaram US$ 215 milhões desde 2022, segundo a Dealroom. O foco dessas companhias é desenvolver plataformas que permitem que estúdios, editores e artistas sejam remunerados ao autorizarem o uso de suas obras no treinamento de sistemas de IA de big techs como OpenAI, Google e Meta.

A Vermillio, que conta com investimentos da Sony Music e da DNS Capital, estima que o mercado global de licenciamento de conteúdo para IA, que era de US$ 10 bilhões em 2025, chegue a US$ 67,5 bilhões até 2030. Essas startups vêm se aproveitando de lacunas deixadas pelas grandes empresas, que, preocupadas com a regulamentação e a concorrência internacional, deixam passar oportunidades que os empreendedores de menor porte abraçam. 

Investimentos em startups de IA crescem

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Foto: The Corgi/ Shutterstock

Outro levantamento da Dealroom mostra que os aportes em startups de IA cresceram em 62% de 2023 para 2024, movimentando US$ 110 bilhões globalmente. Esse crescimento foi alimentado por soluções que buscam corrigir distorções do mercado, como o uso de obras protegidas por direitos autorais sem consentimento de seus criadores.

Startups focadas em licenciamento legal de conteúdo estão entre as mais beneficiadas por esse novo cenário. Elas oferecem uma alternativa para que empresas de tecnologia treinem seus modelos de IA sem recorrer a práticas arriscadas do ponto de vista regulatório. A combinação entre inovação tecnológica e conformidade jurídica atraiu não apenas investidores tradicionais, mas também grandes players da indústria cultural interessados em monetizar seus catálogos de forma sustentável. 

Em um dos primeiros casos que avaliam se empresas de inteligência artificial devem pagar pelo uso de dados protegidos por direitos autorais coletados da internet, escritores nos Estados Unidos levaram a Meta à Justiça. Apesar de já ter firmado vários acordos de licenciamento de dados, a OpenAI também enfrenta ações judiciais por supostas violações de direitos autorais.

Um desafio potencial será convencer artistas e criadores de que o uso de suas obras para treinar modelos de IA pode trazer vantagens para eles.

Brasil busca espaço no mercado global

O movimento de expansão também ganhou força entre startups brasileiras, que veem no cenário internacional uma oportunidade de crescimento e captação de recursos. Em fevereiro de 2025, o Web Summit Qatar reuniu empresas de tecnologia de diversos países e contou com uma delegação expressiva do Brasil. Muitas dessas startups estão de olho no mercado de licenciamento de conteúdo para IA e apostam em modelos que priorizam remuneração justa e compliance com direitos autorais, uma vantagem competitiva diante das crescentes exigências regulatórias.

O interesse por parcerias com investidores do Oriente Médio reflete uma busca por fontes alternativas de financiamento, além da visibilidade estratégica em um evento global. A internacionalização se torna atrativa para empresas que atuam com inteligência artificial generativa e precisam escalar com rapidez para atender à demanda global por soluções éticas. 

A economia da cultura e das indústrias criativas no Brasil movimenta cerca de R$ 230 bilhões, o que equivale a 3,1% do PIB de 2020. A proteção dos direitos autorais vai além das artes e também abrange conteúdos como reportagens e publicações científicas. Esses direitos garantem o retorno financeiro necessário para que o jornalismo continue desempenhando seu papel e que a pesquisa científica avance.



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