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Carro esportivo moderno destacando-se na cidade ao entardecer, simbolizando inovação e tecnologia nos produtos automotivos Imagem gerada digitalmente

IoT e IA transformam valor e experiência dos produtos conectados

3 minutos de leitura

Combinação de sensoriamento, conectividade, nuvem e inteligência artificial já reconfiguram a proposta de valor e a experiência do usuário, com serviços contínuos e adaptativos



Por Vanderlei Campos em 03/10/2025

Em uma nova geração de produtos industriais, o valor agregado vai além das funcionalidades embarcadas. Junto aos recursos de sensoriamento e processamento em veículos ou equipamentos de produção, a conectividade e a criação de soluções em nuvem inverte a lógica de depreciação: o produto vai se tornando melhor depois de sair da fábrica. Ao mesmo tempo em que essa transformação permite a criação de serviços e modelo de negócios, os aspectos relacionados à segurança e transparência definem a viabilidade das inovações.

Paulo Spacca, presidente da Abinc (Associação Brasileira de Internet das Coisas) e mediador do painel Ecossistema IoT e AI: um universo em expansão, no Futurecom 2025, salientou que o termo “sensoriamento” é mais preciso quando se trata da modalidade de IoT relacionada à captura de dados. Outras inovações mencionadas no painel, contudo, desdobram as possibilidades, com análises avançadas dos dados coletados, que por sua vez desencadeiam adaptações em tempo real.

“Sensoriamento, conectividade, nuvem e IA inseridas na experiência do agricultor representam rentabilidade para o produtor e sustentabilidade para todos”, afirmou Niyantri Ramakrishnan, diretora de TI e transformação digital da Bayer. Ela descreveu o FieldView, um serviço da companhia em que leituras de solo, umidade e outras variáveis aferidas pelos dispositivos são enviadas à nuvem. Uma aplicação de IA processa os dados e devolve ao agricultor uma prescrição para aplicação dos produtos no local e na medida exata.

“Carro novo” a cada atualização online

Da esquerda para direita: Niyantri Ramakrishnan, Alexandre Dal Forno, Andrea Mannarino, André Martins, Luciano Driemeier, Paulo Spacca (Foto: Adriana Otero)

Luciano Driemeier, gerente global de novos negócios conectados da Ford, explicou por que as funcionalidades dos carros exigem mais da rede. Além de centenas de sensores de telemetria, a conexão é usada para incrementar as próprias funcionalidades do carro. Ele contou que a montadora havia colocado a função de controle de temperatura na tela touch screen. Ao verificar que o consumidor preferia o potenciômetro convencional, uma atualização online transformou o controle de volume em um botão multifuncional. “Um carro desenhado em torno da conectividade não precisa manter as características de fábrica”, disse. “Nesse caso, foi uma atualização de 3 GB. O desempenho da conexão é fundamental”, observou.

Andrea Mannarino, Diretora de Operações da Claro empresas
Andrea Mannarino, Diretora de Operações da Claro empresas (Foto: Adriana Otero)

“A conectividade disponível e de qualidade é a base. Mas quando tratamos dados relacionados a operações e informações críticas, a infraestrutura tem que ter segurança fim a fim, na rede e na nuvem”, enfatizou Andrea Mannarino, Diretora de Operações da Claro empresas.

A partir dos dispositivos digitais embarcados em carros, residências, cidades ou nas vestimentas, Andrea prevê que as mudanças na forma de “rentabilizar” – não apenas em termos econômicos, mas também com benefícios amplos – tendem a se aprofundar. “Hoje as operadoras são grandes parceiras da indústria automotiva”, complementou Driemeier.

O gerente de novos negócios da Ford avalia que a conectividade hoje faz parte dos produtos, embora reconheça que as inovações incrementais são só o início. “Hoje, pensamos em IA e carros autônomos considerando o jeito que nós dirigimos. Com a conexão V2V (entre veículos), um carro vai receber aviso dos outros”, mencionou.

Cibersegurança e alta disponibilidade

Da esquerda para direita: André Carneiro, Burt Trewikowski, Eliane Lima, Lourenço Pereira, Luiz de Abreu (Foto: Vanderlei Campos)

“Cibersegurança é a premissa de tudo, do desenvolvimento à prestação de serviços consentidos”, reforçou Driemeier. Evidentemente, assim como ocorre com a confiabilidade dos componentes mecânicos, qualquer vulnerabilidade digital representa uma exposição inaceitável ao risco. “Só se pode conversar com o carro mediante a uma autenticação forte”, acrescentou. Outro pilar, mais relacionado à gestão do que à cibersegurança, se refere a compliance no uso dos dados. “É fundamental a transparência ao consumidor”, disse.

Andre Martins, CEO da NLT, destacou o papel do integrador de rede nesses projetos. “Manter essas malhas interconectadas e contingenciadas pode envolver a combinação de links pela rede celular, satélite e outros meios. Não é só acesso”, afirmou.

“Não há IA sem dados e não há dados sem medição”, sumarizou Alexandre Dal Forno, diretor de IoT e 5G da TIM.

A executiva da Claro empresas esclareceu que, além das diversas formas de conexão, o parceiro também deve ser capaz de implementar soluções integradas de sensor, aplicações de análise, nuvem e outros componentes. Junto a seus próprios produtos e competências, cabe ainda ao parceiro incorporar, de forma segura e compatível, inovações de outras empresas, em um marketplace confiável.

Embora os recursos digitais e o software sejam diferenciais cada vez mais relevantes dos produtos, Driemeier reconheceu que o aprofundamento dos benefícios depende de padronização e escala.

Paulo Spacca explicou que o correto tratamento dos dados, com padrões de interoperabilidade e compliance, dá base aos “data spaces”, em que as informações de dispositivos conectados são compartilhadas e contextualizadas por ferramentas de IA.



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