A capacidade dos data centers brasileiros, atualmente estimada em 800 megawatts, poderá receber até 2 gigawatts adicionais no final da década. Os dados são de reportagem do Valor Econômico. As projeções dos especialistas ouvidos pelo jornal indicam que esse salto poderá movimentar investimentos entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões, dependendo do cenário adotado, do mais conservador ao mais otimista.

O incremento desse mercado no país tem, entre outros aspectos, o fornecimento de energia limpa. A questão energética é estratégica, uma vez que os data centers consomem cerca de 2% da energia em nível mundial. E mais: a energia é um componente-chave dos custos de operação deles, podendo responder de 40% a 60% dos custos totais, ainda segundo o Valor.
A reportagem aponta que grupos fortes como Ascenty e Scala têm planos de aumentar sua presença no país, além de outras corporações. Um dos projetos de grande porte – acima de 200 megawatts – já oficializado é o da Tecto, que pertence ao grupo V.Tal, focado no armazenamento de dados tanto no Brasil como para atender clientes externos.
Os pedidos de interligação de empreendimentos de data center já representariam 26,3 GW em capacidade de transmissão até 2028, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). São pedidos de interligação à chamada rede básica.
Os dados da EPE, citados pelo site Click Petróleo e Gás, indicam estudos para o Sudeste, principalmente para as regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas. As duas receberiam reforços, respectivamente, de 2 GW e 5 GW, nos próximos anos, justamente para atender às necessidades energéticas dos data centers.

De acordo com a publicação, a demanda da capacidade de transmissão de energia é, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade. Desafio porque somaria 54,2 GW até 2038, ao considerar não apenas os data centers, mas também projetos de hidrogênio verde.
Nova política muda o acesso à rede básica
É importante destacar ainda que esse acesso passou a ser regulado pela Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST). A medida moderniza o modelo de acesso de geradores e grandes consumidores à rede básica e inaugura uma nova lógica de planejamento, expandindo a capacidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) para atender à transição energética e à nova onda de investimentos industriais estratégicos.
A PNAST reorganiza o processo ao introduzir as “Temporadas de Acesso”, mecanismo que substitui o regramento por ordem de chegada (fila) por análises em lote, com seleção por critérios técnicos e competitivos. O objetivo é assegurar o uso racional da rede, melhorar a previsibilidade para investidores e oferecer ao planejamento setorial informações mais robustas e realistas sobre as necessidades futuras do SIN.
As Temporadas de Acesso ocorrerão, no mínimo, duas vezes por ano e contarão com processos competitivos somente nos pontos da rede onde houver mais demanda do que capacidade de escoamento. A primeira delas deve acontecer até outubro de 2026.
