O Brasil passou a integrar o grupo dos dez países mais bem avaliados em modernização digital do setor público, segundo o Índice de Governo Digital 2025 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O país subiu da 16ª para a 10ª posição em dois anos, alcançando nota 0,79, acima da média de 0,70 registrada entre os membros, e empatando com o Chile no ranking global.
O avanço reflete uma evolução consistente na digitalização de serviços públicos e na estruturação de políticas voltadas à eficiência, transparência e experiência do usuário. A melhora brasileira ocorre em um contexto de aceleração global da transformação digital que levou Coreia do Sul, Austrália, Portugal, Reino Unido, Dinamarca, Estônia, Irlanda, Noruega e França às primeiras posições.
Avanço consistente e acima da média
Para o secretário de governo digital do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços (MGI), Rogério Mascarenhas, a evolução brasileira no ranking da OCDE reflete o “olhar focado em melhorar a experiência do cidadão quando o assunto é governo digital”. Entre as iniciativas brasileiras, Mascarenhas destaca a melhora na qualidade do gov.br, a ampliação da emissão da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) e a construção da Infraestrutura Nacional de dados, a chamada ‘Base de Dados do Brasil’. Os esforços ajudaram o país a saltar de 0,62 para 0,79, um avanço de seis posições em dois anos.
Além de superar a média geral da OCDE, o Brasil se posiciona como líder continental, ao lado do Chile, superando países como Canadá e México. O índice considera a capacidade dos governos de estruturar uma transformação digital integrada, eficiente e centrada nas necessidades dos cidadãos.
Segundo a própria OCDE, a avaliação leva em conta políticas e iniciativas implementadas de janeiro de 2023 a dezembro de 2024, com coleta de dados realizada no primeiro semestre de 2025.
Seis dimensões e evolução estrutural
O desempenho brasileiro se destaca por avanços em todas as seis dimensões analisadas pelo índice: digital por concepção, orientação por dados, governo como plataforma, aberto por padrão, centrado no usuário e proatividade. Confira, a seguir, em que consiste cada uma delas.
- Digital por concepção: avalia em que medida as políticas de governo digital são concebidas para integrar, desde a origem, o uso de ferramentas tecnologias e dados na formulação de políticas ou na transformação de serviços públicos.
- Orientação por dados (data-driven): mede os avanços em governança e nos mecanismos necessários para acesso, compartilhamento e reutilização de dados em todo o setor público.
- Governo como plataforma: examina a adoção de blocos estruturantes comuns para capacitar equipes a promover uma transformação de processos e serviços governamentais em todo o setor público.
- Aberto por padrão: verifica o nível de abertura do governo para além da publicação de dados abertos. Envolve também o uso de tecnologias para ampliar a comunicação e o engajamento com a sociedade e outros atores.
- Centrado no usuário: observa a capacidade do governo de estruturar políticas e serviços a partir das necessidades dos cidadãos.
- Proatividade: avalia a capacidade dos governos de prever demandas de usuários e prestadores de serviços, permitindo a entrega antecipada e proativa de serviços públicos.
As dimensões com maior crescimento, no recorte brasileiro, são as de aberto por padrão e centrado no usuário.
GOV.BR como eixo da transformação

Parte relevante desse avanço está associada à expansão da plataforma gov.br, que, atualmente, reúne mais de 173 milhões de usuários e concentra o acesso a mais de 4.600 serviços federais, além de outros 8.300 serviços estaduais e municipais.
De acordo com a própria plataforma, dentre os serviços mais utilizados estão as funcionalidades Assinatura GOV.BR, Meu INSS, Meu SUS Digital, Enem, Fies, Carteira de Trabalho Digital e Carteira Digital de Trânsito. A plataforma também passou a organizar a oferta de serviços por perfis de usuários, como estudantes, trabalhadores e empreendedores, reforçando o foco em usabilidade.
O sistema tende a ganhar uma nova camada de robustez nos próximos anos, com a incorporação de tecnologia quântica voltada à segurança dos serviços digitais. Entre os movimentos mais recentes, destaca-se a decisão do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) de introduzir algoritmos criptográficos na Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), com potencial impacto direto sobre serviços da plataforma gov.br.
