Imagem conceito de cabos ligados a um data center transmitindo dados

A história do Brasil conectado

3 minutos de leitura

Lembranças do Diretor de Vendas Luciano Carino nos contam como surgiram o primeiro backbone brasileiro e o acesso pessoal à internet.



Por Redação em 29/10/2018

Foi por uma ordem do ex-ministro das Telecomunicações, Sérgio Motta, em 1994, que uma equipe de três técnicos da Empresa Brasileira de Telecomunicações se sentou em uma sala para conectar a ampla população do Brasil ao mundo. Luciano Carino, colaborador da Embratel (agora Claro empresas) há 38 anos, estava lá.

“Sabe qual foi a maior dificuldade de trazer a internet para o Brasil? É que não tinha internet!”, conta ele, que agora é um diretor dos mais animados.

Carino quer dizer que não tinha um site de buscas, no qual fosse possível realizar as pesquisas. Não havia e-mails da forma como temos hoje nem a variedade de aplicações existentes atualmente. A rede estava restrita a universidades e poucas empresas ligadas à tecnologia.

A primeira tarefa do grupo foi estudar tudo o que havia a respeito da internet acadêmica para, então, implantar o embrião do NOC – um roteador Cisco 7000. Surge a internet comercial no Brasil, a partir da criação de um backbone, tornando a Embratel o primeiro provedor de acesso discado do País.

“A gente não fazia a mínima ideia do volume que isso ia gerar, não fazia a mínima ideia de quantidade. Os nossos primeiros clientes foram Mandic, UOL… A gente vendia acesso, era o provedor dos provedores.”

Na conta feita pela Embratel, no primeiro ano de internet, a demanda seria de 10 clientes – provedores para acesso. Foram 60. No segundo ano, 300. Isso considerando que, na época, 90% do acesso era direcionado a sites externos.

Técnica

O primeiro link, ativado em maio de 1995 e que permaneceu durante todo o ano inicial da internet no Brasil, era de 384 KB – para a saída inteira do País, dividida entre todos os provedores.

“Para você ter uma ideia, hoje um acesso Wi-Fi simples tem 500 MB. Mas como o computador era mais lento, as pessoas tinham mais paciência ao utilizá-lo. Era até romântico”, ri Carino.

A engenharia consistia na transmissão de dados em intervalos de um canal de voz, pois não existia uma rede única para dados, já que não havia capilaridade para isso. “Naquele momento, a voz é que ia ser perene. Os dados eram uma brincadeira. A gente, nas horas vagas, fazia ‘sisteminhas’ para transmitir poucos dados na rede de voz. Hoje, a ideia foi totalmente invertida. Tudo é dado.”

Por isso, o acesso à internet era uma ligação, chamada de conexão dial-up. No entanto, Carino lembra que a tecnologia do Wi-Fi existe há 40 anos, o que faltava eram dispositivos para que ela pudesse funcionar com todas as suas capacidades.

Linha do tempo da internet

A internet completa 49 anos em 2018. A rede que existe hoje é uma superevolução de um projeto desenvolvido pelos Estados Unidos na década de 1960, durante a Guerra Fria. Para descentralizar as informações nacionais do Pentágono, evitando uma perda irreparável em caso de ataque, foi criada a Arpanet, uma rede de conexão da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada dos Estados Unidos (Darpa).

Essa primeira rede era apenas um sistema de fragmentação e codificação de dados, de modo que os documentos pudessem ser quebrados e divididos em trechos com dados, endereços de destinatários e outras informações que permitiam a remontagem do documento completo. Em 1970, surgiram os protocolos de internet, como o TCP/IP, e em 1974 foi usado pela primeira vez o termo “internet” para uma rede global. Já em 1983 entrou no ar a primeira rede de grande extensão baseada nesse protocolo.

A próxima etapa foi o desenvolvimento da National Science Foundation Network, um conjunto de redes universitárias interconectadas em 56 KB. A partir do Protocolo de Internet, a transmissão de dados entre redes conectadas pelo mesmo IP passou a ser possível, de forma que todos os computadores poderiam navegar pelos arquivos e trocar mensagens. Próximo passo? Surgiram os backbones.

Depois de todas essas etapas, foram os interesses comerciais que propiciaram a popularização da internet. No final dos anos 1980, surgiram os primeiros serviços de correio eletrônico e provedores de conexão dial-up. E, finalmente, em 1992, conhecemos o “www” – a World Wide Web – uma criação do cientista Tim Berners-Lee para que a Organização Europeia para Investigações Nucleares pudesse oferecer a possibilidade de trabalho conjunto e em tempo real aos seus colaboradores. A continuidade disso nos trouxe ao lugar onde estamos hoje, conectados full time em múltiplas plataformas e telas, com um infinito de conteúdos passando diante de nós e sendo oferecido por nós aos outros.



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