Entre os inúmeros debates e palestras realizados no Rio Innovation Week sobre tecnologias emergentes e seus impactos nos negócios e na sociedade, um elemento esteve presente em praticamente todas as discussões: a conectividade. Afinal, é ela que habilita as aplicações tecnológicas e garante a disponibilidade de serviços críticos, além de permitir a integração entre dispositivos, plataformas e sistemas em tempo real.
O papel da conectividade na segurança pública foi o fio condutor para o painel “A era da hiperconectividade: a convergência como vantagem competitiva”, que mostrou como a convergência tecnológica tem remodelado a atuação da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ).
A conversa contou com a participação do head de Conectividade da Claro empresas, Gustavo Busse, e do major Agdan Miranda Fernandes, da PMERJ, que apresentou iniciativas já implementadas e projetos em desenvolvimento. Em comum, todas as soluções têm a conectividade como elemento central para garantir comunicação contínua, processamento de dados em tempo real e integração entre tecnologias que vão do reconhecimento facial à inteligência artificial aplicada ao atendimento de emergências. Busse resumiu essa dinâmica ao afirmar que “todos os avanços recentes começam com a garantia de acesso à própria rede”.
Conectividade como infraestrutura invisível para serviços críticos
Embora pouco perceptível para o usuário final, a conectividade tornou-se uma das camadas mais estratégicas da transformação digital. Segundo Busse, o avanço de arquiteturas baseadas em software, computação em nuvem e redes mais inteligentes permite que organizações ampliem a capacidade de processamento e acompanhem o crescimento do número de usuários e aplicações sem a necessidade de substituir continuamente a infraestrutura física.
Na Polícia Militar, essa evolução passa pela modernização gradual da rede. A corporação utiliza atualmente uma infraestrutura baseada em MPLS, mas já possui equipamentos escaláveis preparados para o SD-WAN, que oferecem gerenciamento centralizado, maior flexibilidade e redução de custos.
Paralelamente, aplicações voltadas ao cidadão, como Rede Mulher, 190 RJ e Rede Escola, também são habilitadas pela hiperconectividade devido à sua criticidade e necessidade de permanecerem disponíveis continuamente.
IA amplia capacidade operacional da PMERJ

A conectividade também viabiliza o uso crescente da inteligência artificial nas operações policiais. Atualmente, a PMERJ já utiliza aplicações de IA para reconhecimento facial e leitura de placas, automatizando tarefas que antes dependiam exclusivamente da análise humana e acelerando a identificação de pessoas e veículos.
Além dessas aplicações, a corporação prepara novas ferramentas baseadas em IA generativa e analítica. Entre elas está um sistema capaz de analisar ocorrências para recomendar o melhor posicionamento das equipes, indicar rotas mais eficientes para atendimento de chamadas e apoiar decisões operacionais dos comandantes.
Outra iniciativa, prevista para este ano, envolve o atendimento do 190. A tecnologia fará a tradução automática das ligações por meio da identificação de diferentes padrões de linguagem. Dessa maneira, explicou o major, espera-se reduzir o tempo de resposta das equipes.
Tecnologia reduz riscos e melhora a tomada de decisão

O avanço da conectividade também amplia o uso de dispositivos inteligentes em campo. Um dos exemplos apresentados foi o das câmeras corporais conectadas, que passaram a oferecer benefícios além do registro das ocorrências.
Durante uma operação policial em 2025, um policial ferido conseguiu ser orientado e acalmado em tempo real pelo comandante por meio da comunicação integrada ao equipamento, enquanto sua localização era compartilhada automaticamente com as equipes de resgate. Em outra situação, imagens transmitidas pelas câmeras permitiram que um médico indicasse o hospital mais adequado para uma vítima de acidente de trânsito antes mesmo de sua remoção, acelerando o atendimento.
Segundo Fernandes, a corporação também já realizou testes com robôs humanoides e cães robóticos equipados com tecnologias como reconhecimento facial. Embora ainda estejam em fase experimental, essas soluções podem futuramente atuar ao lado dos policiais em operações de maior risco.
Segurança digital acompanha a evolução das redes
À medida que cresce a digitalização das operações, aumenta também a preocupação com proteção de dados e soberania digital. O major destacou que a PMERJ adota controles rigorosos sobre sistemas e equipamentos, mantendo o gerenciamento administrativo das plataformas sob responsabilidade da própria instituição e restringindo acessos externos apenas quando necessário para manutenção.
A instituição também prepara cursos, junto à PUC-Rio, voltados à defesa cibernética e inteligência artificial para fortalecer sua capacidade técnica diante da evolução das ameaças digitais.
