Esfera verde com o logo do World Economic Forum, com vegetação simulando textura de jardim, vista em cenário ao ar livre com céu azul e destaque em “WEF” no primeiro plano. (Foto: World Economic Forum via Flickr)

China defende avanço da governança internacional para IA

3 minutos de leitura

Em discurso durante o encontro internacional conhecido como "Davos de Verão", governo chinês propõe regras globais e alerta para riscos de sistemas cada vez mais autônomos



Por Redação em 29/07/2026

A corrida pela inteligência artificial entrou em uma nova etapa. Depois da corrida por modelos cada vez mais poderosos, governos e organismos internacionais passaram a concentrar esforços em outro desafio estratégico: definir as regras que orientarão o desenvolvimento e o uso da tecnologia nas próximas décadas. Questões como transparência, responsabilidade, segurança digital e proteção de direitos ganharam protagonismo à medida que sistemas de IA passam a influenciar decisões em áreas críticas da economia e da sociedade. 

O debate ganhou um novo capítulo durante a Reunião Anual dos Novos Campeões, conhecida como “Davos de Verão”, realizada em Dalian, na China. Na abertura do evento, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, defendeu uma governança internacional para a inteligência artificial e alertou que o avanço acelerado da tecnologia pode levar a humanidade a “perder o controle” sobre sistemas cada vez mais sofisticados caso a regulamentação não acompanhe a velocidade da inovação. 

Li Qiang, primeiro-ministro chinês, discursa em um púlpito no World Economic Forum, em fundo azul com o logotipo do evento e microfones à frente.
Li Qiang, primeiro-ministro chinês (Foto: World Economic Forum via Flickr)

A declaração reforça um movimento observado em diferentes regiões do mundo: a regulamentação é parte da corrida tecnológica. Hoje, definir padrões para o desenvolvimento da inteligência artificial representa também uma forma de exercer influência econômica, política e tecnológica em escala global.

Da inovação à governança

Ferramentas generativas, agentes autônomos e modelos multimodais passaram a apoiar desde diagnósticos médicos e desenvolvimento de software até atendimento ao cliente e automação industrial. Um avanço que levou também novos desafios para o setor, especialmente sobre riscos relacionados à desinformação, ataques cibernéticos, discriminação algorítmica, violação de direitos autorais, uso militar da tecnologia e impactos sobre o mercado de trabalho.

Nesse contexto, especialistas e formuladores de políticas públicas defendem que inovação e regulação precisam evoluir de forma coordenada. E embora compartilhem preocupações semelhantes, as principais potências econômicas seguem caminhos distintos para regular a inteligência artificial.

A União Europeia aprovou o AI Act, legislação que estabelece níveis de risco para aplicações de IA e impõe obrigações proporcionais ao potencial impacto de cada sistema. Nos Estados Unidos, a abordagem combina diretrizes federais, iniciativas estaduais e normas específicas para diferentes setores econômicos. A China foi um dos primeiros países a estabelecer regras específicas para algoritmos de recomendação e para plataformas de inteligência artificial generativa. Ao defender uma governança internacional durante o encontro em Dalian, o governo chinês também buscou ampliar sua influência na definição dos padrões globais para a tecnologia.

Infográfico sobre regulamentação de IA no mundo, com mapa-múndi e blocos comparando União Europeia, Estados Unidos, China e Brasil
Imagem gerada digitalmente

Regulação ganha dimensão geopolítica

A discussão sobre regulação acontece em paralelo à crescente competição tecnológica entre China e Estados Unidos. O acesso a semicondutores avançados, infraestrutura computacional, grandes modelos de linguagem e capacidade de processamento tornou-se estratégico para o desenvolvimento econômico e para a segurança nacional. Nesse contexto, estabelecer normas para o uso da inteligência artificial não é mais uma questão ética ou jurídica. As regras definidas poderão influenciar a competitividade das empresas, o fluxo internacional de dados e a liderança tecnológica das próximas décadas.

Durante o encontro, representantes do Fórum Econômico Mundial destacaram que a inteligência artificial pode impulsionar ganhos expressivos de produtividade e abrir novas oportunidades para setores como saúde, educação e indústria. No entanto, esses benefícios dependem da construção de um ambiente de confiança capaz de reduzir riscos para empresas, governos e cidadãos.

O debate acompanha um movimento semelhante no Brasil. O Projeto de Lei nº 2.338/2023 propõe um marco regulatório para a inteligência artificial baseado em princípios como gestão de riscos, transparência, supervisão humana e responsabilização para sistemas considerados de alto impacto. Se aprovado, o texto deverá estabelecer parâmetros para aplicações em áreas sensíveis, como saúde, segurança pública, crédito e relações de trabalho, aproximando o país das principais iniciativas internacionais de governança digital.

A próxima fronteira da IA será definir quem estabelece as regras que orientarão seu desenvolvimento e uso. E, nesse cenário, governança, inovação e soberania tecnológica tendem a caminhar de forma cada vez mais integrada.



Matérias relacionadas

Uso da IA no rádio: microfone profissional em estúdio de gravação com fones de ouvido e equipamentos, com computador ao fundo em ambiente iluminado em tons vermelhos e dourados. Inovação

Uso da IA no rádio precisa manter a conexão humana, segundo pesquisador

Especialista destaca a importância da transparência, da supervisão humana na apuração e da preservação do vínculo com os ouvintes

Notebook aberto e uma figura humana em perfil com rede de pontos e circuitos sobreposta, sugerindo risco de ia e tecnologia Inovação

Risco da IA para a humanidade reacende debate entre especialistas

Pesquisadores que deixaram grandes empresas de tecnologia alertam para os impactos de sistemas cada vez mais autônomos e defendem maior supervisão humana

Cientistas em laboratório analisam um sofisticado equipamento de computação quântica, com circuito metálico e telões de dados ao fundo, levantando dúvidas sobre avanços. Inovação

Cientistas levantam dúvidas sobre avanços em computação quântica 

Novo estudo questiona resultados de pesquisas com qubits topológicos e reacende o debate sobre a validação científica da tecnologia

Corredor de data center com racks de servidores e telas luminosas, mostrando infraestrutura de IA e computação em nuvem em ambiente simulado. Inovação

Avanço da IA exige mais investimentos em infraestrutura no Brasil

Energia, data centers e infraestrutura de dados estão entre as áreas que precisam de mais investimentos, segundo avaliação da Dataprev