A expansão da conectividade nas escolas públicas brasileiras deixou de enfrentar apenas barreiras técnicas e passou a esbarrar, cada vez mais, em desafios de coordenação entre governos, secretarias e unidades escolares. O diagnóstico foi apresentado por operadoras e entidades do setor durante o Seminário Educação Conectada, realizado em Brasília, ao discutir os obstáculos para implementação de projetos de internet nas escolas e o futuro das tecnologias educacionais no país.
Embora a infraestrutura de rede, fibra óptica, satélite e Wi-Fi ainda sejam elementos centrais para a digitalização do ensino, representantes das empresas afirmam que parte significativa dos atrasos ocorre por fatores não técnicos. Entre os principais entraves relatados estão ausência de autorização das escolas ou secretarias municipais, unidades desativadas ou em obras, endereços incorretos, áreas dominadas pela violência e divergências dos editais na execução dos projetos voltados à educação conectada.
Obstáculos não técnicos
Durante o painel sobre desafios de implementação e futuro das tecnologias, a diretora executiva da Claro empresas, Maria Teresa Azevedo Lima, afirmou que a companhia foi selecionada para conectar 2,8 mil escolas públicas por meio de projetos que incluem conectividade, rede interna e Wi-Fi. Segundo ela, cerca de 2,4 mil unidades já foram atendidas, alcançando aproximadamente 1,2 milhão de estudantes.

Ainda assim, parte das escolas previstas segue sem conexão por motivos que fogem da capacidade técnica das operadoras. Das unidades pendentes, 46% não receberam autorização das escolas ou das secretarias municipais para execução das instalações.
Além disso, a empresa relatou que 11% das escolas estavam em reforma, desativadas ou indisponíveis para instalação da infraestrutura. Outro fator apontado foi a dificuldade de atuação em áreas consideradas de alto risco, onde equipes técnicas não conseguem acessar as unidades devido ao domínio de organizações criminosas.
Provedores regionais que também atuam em projetos financiados pelo Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), relataram desafios semelhantes. Segundo a gerente de relações institucionais da Vero, Thamyris Gaida Alonso, a implementação dos projetos exige uma articulação entre Ministério da Educação, Ministério das Comunicações, Anatel, estados, municípios e diretorias escolares.
A executiva destacou que as dificuldades envolvem desde dúvidas sobre prestação de contas e emissão de notas até especificações nos editais. Problemas de cadastro e localização das escolas também foram citados como obstáculos recorrentes pelo presidente da iuh! telecom, Laerte Magalhães.
Coordenação e continuidade
As discussões do seminário mostraram que a conectividade escolar passou a depender menos da simples disponibilidade de rede e mais da capacidade de coordenação entre os diferentes atores envolvidos no processo.
Representantes do setor apontaram que iniciativas de apoio institucional, como a atuação da Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (Eace), têm ajudado a reduzir parte desses entraves ao centralizar a interlocução com estados e municípios.
Além da instalação, as operadoras ressaltaram que a manutenção da qualidade da conectividade exige monitoramento contínuo e estruturas específicas de suporte técnico. De acordo com a matéria da tele síntese, empresas, como a Claro, passaram a criar centros dedicados para acompanhar falhas, ampliar pontos de Wi-Fi e monitorar o funcionamento das redes em tempo real.
