Mapa do Brasil com destaque para avanços em inteligência artificial, simbolizando a competitividade global em IA no mercado tecnológico. Imagem gerada digitalmente

Brasil busca lugar entre os 25% mais avançados do mundo em IA

3 minutos de leitura

Com R$ 23 bilhões previstos no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, o país tenta ampliar sua competitividade na corrida global pela tecnologia



Por Redação em 16/03/2026

A corrida global de posicionamento de inteligência artificial (IA) já tem alguns players definidos, com a China e os Estados Unidos disputando uma espécie de superliga. Nessa Champions League da IA só entram os dois times citados, deixando pouca margem para outros se aproximarem desse nível de investimento e desenvolvimento, mesmo para outros países asiáticos e nações europeias.

Já o Brasil poderá estar no quartil superior, ou seja, entre os 25% mais avançados na concorrência pelo desenvolvimento de IA. Essa é a avaliação do diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Hugo Valadares.

Em entrevista ao portal UOL, o especialista apontou que, em termos de orçamento previsto, o Brasil, com R$ 23 bilhões, estaria próximo do trio europeu formado por Alemanha, Inglaterra e França, cujos recursos para IA estariam entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões.

O aporte brasileiro abrange ações de mais de 20 ministérios sob o guarda-chuva do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). Detalhe: de acordo com a reportagem, China e Estados Unidos investem na casa de centenas de bilhões de dólares em IA.

Investimentos do PBIA em infraestrutura e formação

Hugo Valadares – ASCOM/MCTI (Foto: Luara Baggi)

Valadares desdobrou parte dos investimentos já liberados no Brasil, entre eles os R$ 6 bilhões destinados à capacitação de mão de obra especializada nas empresas e que deve envolver o aprimoramento de aproximadamente 140 mil profissionais.

Essa área é estratégica, de acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação (Fenati), que destaca a pesquisa da consultoria Accenture, com vários cenários envolvendo treinamento.

Segundo o levantamento, o alto investimento em IA, sem treinamento, concentraria ganhos apenas nos primeiros anos e geraria desemprego. O melhor modelo seria a introdução de IA, acompanhada de estratégias de redefinição de ocupações.

Na melhor estimativa, a incorporação da IA bem conduzida no país poderia injetar até US$ 429 bilhões na economia brasileira até 2038.

O supercomputador para IA é outro aporte certo do governo brasileiro e tem R$ 1,8 bilhão reservados. O projetor reforça a infraestrutura de tecnologia do país e estaria entre os cinco mais potentes do mundo nessa área.

De acordo com o UOL, o equipamento estaria pronto em 2026, enquanto outras fontes como o site Convergência Digital apontam para a operação inicial em 2027. Independentemente das datas, o supercomputador deve aumentar a capacidade brasileira na área de processamento de dados, beneficiando aplicações que vão desde a modelagem climática às pesquisas em energia e saúde.

O orçamento do PBIA também beneficiará outros setores importantes como o Programa de Promoção da Autonomia da Defesa, para fortalecer ações nessa área, a partir de investimentos estimados em R$ 429,7 milhões.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) é outro beneficiado, de acordo com a Convergência Digital, com aporte de R$ 115 milhões para fortalecer suas atividades e ampliar o monitoramento atual para mais de 2,6 mil cidades, contra as atuais 1,8 mil acompanhadas.

A infraestrutura nacional de dados também está no radar do PBIA, de acordo com o UOL e conta com um orçamento de R$ 390 milhões. Trata-se de um dos projetos mais estratégicos, liderado pelo Ministério da Gestão, em parceria com o CPqD. A meta, nesse caso, é modernizar essa infraestrutura, pavimentando o campo de aplicações de IA.

Ainda segundo o portal, o PBIA deve ser analisado no contexto de objetivos ambiciosos, mas com prazo curto de quatro anos, outro componente importante no posicionamento brasileiro na corrida global de IA.

Na avaliação do MCTI, o Brasil deve avançar rápido para manter sua presença no quartil superior, mesmo que não alcance a elite global da inteligência artificial.



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