Elon Musk, controlador da SpaceX, aposta em dois projetos ambiciosos: lançar até 1 milhão de satélites e transformar a Lua em base de gestão e fabricação de infraestrutura voltada à inteligência artificial.
A cidade autossustentável na Lua teria, inclusive, uma catapulta gigante para lançamentos, de acordo com reportagem da Forbes, que detalha o projeto ambicioso do bilionário nascido na África do Sul.
No caso do lançamento volumoso de satélites, Musk terá que enfrentar alguns desafios específicos, a começar com as estatísticas: atualmente a Terra teria cerca de 14 mil satélites orbitando em torno do planeta, a maioria deles operando em baixa órbita, o que significa estar entre 500 e 2 mil km de altitude e com vida útil de cinco anos, de acordo com a Exame.
E mais: mundialmente, o número de projetos de satélites em desenvolvimento somaria cerca de 1,2 milhão, ou seja, a meta de Musk seria praticamente equivalente ao que está sendo preparado atualmente.
Além da construção da constelação imensa de satélites, a proposta enfrenta alguns desafios, entre elas a provável poluição luminosa, o que comprometeria a atuação de radiotelescópios e telescópios ópticos. Com isso, as pesquisas sobre o universo, que dependem desses equipamentos, seriam comprometidas.
Com tantos satélites, outra ameaça é o impacto ambiental na camada de ozônio, uma vez que os lançamentos dependem de grandes quantidades de combustíveis. A desintegração dos equipamentos em fim de vida útil é um complicador adicional, com a possibilidade de dispersão de milhões de fragmentos metálicos na estratosfera todo ano.
Projeto na Lua com satélites para IA
A possibilidade de colisão aumenta a lista de desafios, considerando que existiriam cerca de 50 mil fragmentos de detritos com mais de dez centímetros circulando na baixa órbita da Terra. Pode até haver uma sucessão de colisões que leve a uma reação de cadeia, tornando certas regiões da órbita inoperáveis para satélites.
E, para finalizar, há ainda os desafios regulatórios, pois os lançamentos teriam que acontecer dentro de um consenso global, da mesma forma que ocorre com o projeto de criar uma cidade sustentável na Lua, o segundo grande projeto de Musk em discussão.

No empreendimento lunar, a ideia seria ocupar a borda da cratera Shackleton, que tem uma alta recepção da luz solar, entre 80% e 90% do ano da Lua. Com isso haveria energia solar para gerir a cidade, além da mineração de gelo no sul da Lua, o que seria uma fonte de água.
Os desafios envolvem várias frentes, desde a construção da cidade até a tecnologia de resfriamento dos servidores de IA que deveriam fazer parte da infraestrutura. Para os seres humanos, a viagem espacial também acarreta perda de massa muscular e impactos de radiação, o que colocaria em risco as equipes envolvidas no projeto.
Para quem acha pouco, o empreendimento lunar aparece para Musk como uma “distração” de seu projeto para Marte, cujo horizonte de realização seria de cerca de 20 anos. A ida para a Lua aconteceria na metade desse tempo, segundo estimativas de especialistas.
