arquitetura de cibersegurança IA Imagem gerada por Inteligência Artificial

Empresas adaptam arquitetura de cibersegurança pós-IA

2 minutos de leitura

Relatório da Netwrix também apresenta as perdas financeiras e de valor de marca decorrentes de ataques cibernéticos



Por Redação em 14/07/2025

Um novo estudo divulgado pela Netwrix (representada no Brasil pela Aiqon) revelou que 37% das empresas globais já ajustaram sua arquitetura de cibersegurança em resposta a ataques baseados em Inteligência Artificial (IA). O relatório “Tendências em Cybersecurity Híbrida 2025”, que ouviu cerca de 2.150 profissionais de TI e segurança em 121 países, incluindo o Brasil, retrata o posicionamento das organizações diante do avanço do cibercrime, por vezes, impulsionado pela IA.

A pesquisa aponta que a IA está remodelando o cenário de ameaças e criando novos desafios para as equipes de segurança. Cerca de 30% dos entrevistados expressaram preocupação com a nova superfície de ataque gerada por aplicativos de IA utilizados por seus colaboradores. Além disso, 29% enfrentam dificuldades em manter a conformidade, já que os auditores exigem provas de que sistemas baseados em IA estão devidamente protegidos.

Thiago Felippe, CEO da Aiqon, ressalta a preocupação com essa cultura defensiva. “Esse quadro pode indicar uma mentalidade reativa, em que as posturas só são modificadas depois que o ataque acontece. Isso prejudica os negócios e afeta o valor da marca”, afirma o executivo. Ele destaca ainda o gap entre a cultura de IA das empresas e a dos criminosos. “Hoje, o crime organizado, tanto mundial quanto brasileiro, conta com braços de alta tecnologia, dedicados 24 horas a inovar as estratégias de ataque. A IA é crítica nesse processo. O fato de as organizações estarem atrasadas na implementação e domínio das plataformas de segurança baseadas em IA aumenta a sua vulnerabilidade.”

Convergência de dados e identidade

Matheus Nascimento, diretor de operações da Aiqon, enfatiza a interdependência entre segurança de dados e segurança de identidade, um dos pontos-chave do relatório. “É impossível proteger dados sem primeiro entender e proteger as identidades que os acessam. Do mesmo modo, toda identidade é definida a partir dos dados que ela toca”, explica. Ele alerta que os cibercriminosos já compreenderam essa “ligação umbilical” e estão desenvolvendo estratégias eficazes de violação.

Essa percepção está se consolidando entre os Chief Information Security Officers (CISOs). Quando questionados sobre onde investiriam se a decisão de compra fosse exclusivamente deles, 42% dos entrevistados priorizariam o fortalecimento de soluções de PAM (Privileged Access Management), enquanto 37% optariam por intensificar a implementação de IGA (Identity Governance and Administration) em suas organizações. “PAM, IGA e Identity Access Management (IAM) baseados em IA somam forças para proteger as identidades contra ataques, aumentando a resiliência da empresa na era da multicloud e dos acessos remotos, fora do perímetro”, complementa Nascimento.

O estudo da Netwrix também apresenta as perdas financeiras e de valor de marca decorrentes de ataques cibernéticos. Cerca de 43% dos entrevistados foram forçados a realizar investimentos urgentes para corrigir falhas em suas infraestruturas digitais. As consequências se desdobram em uma “cascata de desafios”: 17% afirmaram que a marca perdeu vantagens competitivas, 15% pagaram multas por falhas de conformidade e 13% relataram a perda de clientes.

Para mitigar esses riscos, algumas organizações estão recorrendo a seguros cibernéticos. No entanto, para reduzir o valor da franquia, é essencial demonstrar a maturidade da cultura digital da empresa. Nesse contexto, 72% dos entrevistados utilizam soluções de Multi-Fator de Autenticação (MFA), 54% realizam o patch management seguro e 48% declararam que usam plataformas de Identity Access Management (IAM).

A expertise em IA dos criminosos tem impulsionado o desenvolvimento de ataques de phishing cada vez mais sofisticados. Nascimento destaca a gravidade dessa ameaça: “76% dos líderes de TI entrevistados disseram que esse tipo de violação é o que mais os preocupa em seus ambientes de cloud computing. Nos ambientes on-premise, a preocupação é de 69%”, exemplifica o especialista.



Matérias relacionadas

Homem trabalhando em um computador com telas de código e modelos de IA, em ambiente de escritório com iluminação vermelha, ilustrando quatro caminhos para reduzir custos com IA Estratégia

Quatro caminhos para reduzir custos com IA

Estudos de Google, DeepSeek, Nvidia e Tencent apontam para uma mudança na corrida da inteligência artificial, deslocando o foco da expansão dos modelos para arquiteturas capazes de reduzir o custo da inferência

Servidores em um data center com racks iluminados por luzes vermelhas e arquitetura tecnológica de alta performance. Estratégia

Corrida pela infraestrutura de IA desafia a economia antes dos ganhos de produtividade

Investimentos bilionários em data centers, energia e chips pressionam custos globais e a política monetária, enquanto o Brasil busca espaço na nova cadeia de valor

Pessoa trabalhando em notebook com interface digital de IA em estilo futurista, mostrando o texto “IA Agents”, elementos de busca, anúncios e painéis de análise em vermelho e branco. Estratégia

Tecnologia pode substituir horas de trabalho por eficiência no varejo

Automação de processos e inteligência artificial permitem elevar a produtividade, redistribuir tarefas e preservar a qualidade do atendimento diante da possível redução da jornada e do fim da escala 6×1

ícone de cadeado digital em destaque com circuitos e pontos luminosos em tons de vermelho, simbolizando cibersegurança, proteção e segurança de dados Estratégia

Organizações avançam na cibersegurança de ambientes industriais

Visibilidade sobre parques automatizados, estrutura de defesas e arquiteturas seguras de conectividade trazem amadurecimento da segurança em ambientes que sustentam operações críticas, enquanto amplia consciência sobre os riscos