mercado de satelites Lincoln Oliveira (Foto: Rudy Trindade / Themapress / Teletime)

Mercado de satélites demanda cada vez mais dados

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A associação de diferentes soluções – como 5G, inteligência artificial e computação em nuvem – são oportunidades de expansão dos negócios



Por Redação em 28/09/2023

O mercado de satélites passa por transformações que são também oportunidades para os seus agentes e consumidores. As mudanças recentes permitem a expansão e a diversificação dos negócios, além da oferta de novos produtos e serviços. A descrição desse cenário e os seus desafios foram apresentados durante o Congresso Latino-americano de Satélites, que aconteceu entre os dias 26 e 28 de setembro, no Rio de Janeiro. 

“Temos três eixos de tecnologias que estão surgindo: o 5G, a inteligência artificial e a computação em nuvem. O ambiente é fértil no setor de satélites. Há a oportunidade dessas tecnologias alcançarem todos os lugares, independentemente da existência de uma estrutura terrestre de telecomunicação”, afirmou Lincoln Oliveira, diretor geral de satélites da Embratel, durante o evento. 

Em sua opinião, a aproximação do 5G às redes não terrestres (NTS) tem desdobramentos. Um deles é a interligação de telefones celulares aos satélites, o que proporciona o acesso ao serviço de telecomunicações em regiões onde as operadoras terrestres não estão presentes, como em zonas rurais remotas. 

Oportunidade de negócios

Da mesma forma, a associação de dispositivos de internet das coisas (IoT) aos satélites pode gerar novas oportunidades de negócios. Um exemplo seria o monitoramento de rebanhos em pasto. Outra possibilidade é o rastreamento de cargas marítimas. 

Os especialistas também questionaram os desafios do setor. Para Oliveira, a chegada das constelações de satélites LEO (satélites em órbitas baixas) é um fator relevante, embora essa não seja uma solução para todas as questões, segundo ele. “A impressão que se tem, pelo seu impacto e novidade, é que tudo se resolve com as constelações. Mas não.”, afirmou o executivo. 

A avaliação é que, com a chegada das constelações de satélites LEO, os operadores de GEO (satélites geoestacionários) devem se reposicionar ao procurar, cada vez mais, soluções integradas. 

Nesse sentido, os LEOs funcionariam como uma complementariedade do negócio. Isso porque, com essa tecnologia, surge o conceito de multi-órbita, no qual são agregadas várias soluções e também modelos de negócios, para atender ao cliente final. 

O momento é de transformação, o mais intenso dos últimos 20 anos, segundo o diretor geral de satélites da Embratel. O desafio, em sua opinião, está na definição da melhor estratégia a ser adotada. Se a opção for pelo desenvolvimento do mercado, as empresas deverão promover uma reorganização administrativa, para alcançar a diversificação dos negócios. 

Mas, se o objetivo é a criação de novos produtos e serviços, a solução é substituir o negócio tradicional de fornecimento de mega-hertz (MHz) pela oferta de megabits por segundo (Mbps), tornando-a uma tendência do setor. Por fim, há a questão da diversificação do negócio, o que passa, cada vez mais, pela oferta de Mbps. 

Diversificação e convergência

“Outra questão é qual estratégia as operadoras estão adotando. Uma estratégia radical é fazer o mesmo de forma melhor, num outro lugar, ou seja, se expandir geograficamente e, por fim, a diversificação”, acrescentou Oliveira. 

Já o vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios & GM Brasil da ST Engineering iDirect, Bart Van Utterbeeck, acredita que, do ponto de vista da tecnologia, o momento é de convergência. Ele afirmou também que a tendência é de avanço da atividade de computação, em detrimento do segmento de tecnologia da informação. A partir daí, de acordo com ele, será viável implementar a virtualização do mercado. 

Utterbeeck disse também que, há alguns anos, o desenvolvimento de satélites e da sua tecnologia podiam caminhar separadamente. No entanto, o cenário atual não é tão “trivial”. Isso porque não é mais possível prever onde e como será a cobertura das telecomunicações. “No passado, era preciso ter hardwares para cada fim. Isso não é mais factível. A solução, agora, é a virtualização também do segmento de hardware para a comunicação por satélite”, afirmou.

A visão do vice-presidente comercial da HiSkySat, Gidi Talmor, é que o mercado está demandando cada vez mais dados e, também, a capilaridade do serviço por diversos lugares. Outra mudança é que as antenas eletrônicas passaram a ser mais acessíveis e, ao mesmo tempo, o número de terminais caiu. Ao mesmo tempo, a comunicação e as mensagens se expandiram. O custo para fornecer os serviços, por sua vez, caiu, enquanto a oportunidade de negócios cresceu. 

“Há lacunas a serem preenchidas nas operações em áreas rurais e estradas, por exemplo. Isso exige soluções dos operadores de satélite”, destacou Talmor. 

Também presente ao evento, o diretor de Política da AAlto HAPS/Airbus, David Hansell, apresentou a tecnologia de operação de veículos em altas altitudes, desenvolvida pela sua empresa, a aeronave Zephy, um sistema não tripulado que atinge, pelo menos, 60 mil pés de altitude e possui uma meta de autossuficiência em operação de 200 dias. Segundo ele, a aeronave pode operar a um “baixíssimo” custo e, simultaneamente, reduzir o tráfego aéreo. 

“Nossa meta é fechar a lacuna de conectividade. Há 3,9 bilhões de pessoas do planeta que ainda não foram conectadas”, destacou Hansell, acrescentando que governos são possíveis consumidores da tecnologia. 

Para desenvolver a aeronave, que utiliza a fonte solar fotovoltaica para gerar a energia que consome, foram necessários cerca de 20 anos de pesquisa. As 10 unidades existentes possuem mais de 4 mil horas de voo registrados.



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