Ilustração que representa sofisticação em ataques digitais na era da inteligência artificial, com um especialista monitorando múltiplos monitores e uma atmosfera tecnológica avançada. Ilustração digital

Sofisticação redefine ataques digitais na era da IA

3 minutos de leitura

Uso intensivo da tecnologia em ofensivas mais personalizadas, difíceis de detectar e potencialmente mais danosas pressiona modelos tradicionais de defesa



Por Redação em 03/02/2026

O aumento de 85% no número de ataques cibernéticos bloqueados na América Latina entre julho de 2024 e julho de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior, reflete o uso cada vez mais intensivo da inteligência artificial por grupos criminosos para tornar as ofensivas digitais mais sofisticadas. Dados do Panorama de Ameaças Cibernéticas de 2025 da Kaspersky, levantados pelo InfoMoney, reforçam que a cibersegurança passa a enfrentar novas camadas de preocupação. Além da frequência crescente dos ataques, ganha centralidade a qualidade dessas ações, agora mais direcionadas, personalizadas e difíceis de detectar. 

Nesse novo cenário, ameaças exploram comportamentos, dados e vulnerabilidades específicas de indivíduos, empresas e infraestruturas, o que exige uma revisão das estratégias tradicionais de defesa. Indicadores apontam um cenário no qual 5 bilhões de anúncios intrusivos, cerca de 40 bilhões de rastreadores e 60 milhões de malware bloqueados se concentraram em um mês, o que dá uma dimensão da capacidade das ferramentas de inteligência artificial em impulsionar ataques.

Segundo o diretor da equipe global de pesquisa e análise da Kaspersky para a América Latina, Fábio Assolini, “um criminoso inexperiente consegue implementar vários ataques desse tipo e agora com uma linguagem mais legítima e em escala, porque a IA permite isso”. Nesse sentido, alguns riscos devem ser observados para que haja uma segurança digital mais reforçada. 

Monocultura da internet

Uma lupa segurando um símbolo de nuvem digital, rodeada por ícones de segurança, desempenho, e armazenamento de dados, representando tecnologia de nuvem.
Foto: Armadillo Photograph/ Shutterstock

Dentre os riscos emergentes destacados pela reportagem do portal Terra, a chamada monocultura da internet é considerada uma das cinco principais. Ela diz respeito à vulnerabilidade sistêmica ocasionada pela concentração da infraestrutura digital de provedores de nuvem, redes de distribuição de conteúdo e suítes de produtividade em poucos fornecedores.

Devido à alta concentração, um ataque bem-sucedido de pequena escala pode resultar em lucro para os agentes maliciosos e comprometimento de milhões de usuários. Com um grau de resiliência menor do que em sistemas heterogêneos, as pequenas brechas em monoculturas se consolidam como opções atrativas para os criminosos.

Desinformação como estratégia dos criminosos

Mulher com cabelos cacheados usando fones de ouvido e assistindo a conteúdo no smartphone em ambiente doméstico, destacando uso de tecnologia e cuidado com falsificações digitais.
Foto: Stokkete/ Shutterstock

Outro risco em expansão é o avanço da desinformação digital, agora potencializada por inteligência artificial e pelo descrédito a boas práticas de segurança. A estratégia aplicada por organizações criminosas consiste em pagar influenciadores para fragilizar a confiança dos consumidores em medidas de segurança, bem como em promover produtos inseguros e menosprezar fatores de proteção. Sob essa lógica, fóruns online, redes sociais e streamings se tornaram os canais de preferência para campanhas de desinformação que tendem a perpetuar a vulnerabilidade digital.

Soma-se a essa estratégia o uso de imagens, áudios e vídeos gerados por IA como forma de expandir o potencial dessas campanhas, que usam da ferramenta para confundir usuários por meio de uma falsa credibilidade. Como resultado, o ambiente digital perde a confiança dos usuários, que viram um aumento na fraude por deepfake aumentar 126% em 2025, respondendo por aproximadamente 39% das identificadas na América Latina.

Em outubro de 2025, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou uma operação com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que utilizava deepfakes de pessoas famosas para promover produtos inexistentes. A fraude eletrônica e publicitária movimentou mais de R$ 20 milhões e ilustra como a ferramenta pode ser utilizada por criminosos. Combinar dados reais com informações fabricadas, criar sites falsos que simulam originais e automatizar fraudes também são estratégias utilizadas. 

Ambiguidade da IA na cibersegurança

Embora amplie a capacidade de defesa ao identificar atividades fora do padrão, a IA também potencializa ataques, tornando-os mais rápidos, precisos e difíceis de detectar quando empregada por agentes maliciosos. As preocupações para 2026, portanto, concentram-se no armazenamento e no uso de informações sensíveis, além do avanço tecnológico que permite a agentes e sistemas autônomos ganhar eficiência não apenas na identificação, mas também na execução de ataques a partir de vulnerabilidades exploráveis.

Ameaças quânticas no horizonte

O avanço da computação quântica completa o quadro de riscos, mesmo que ataques quânticos em larga escala ainda não sejam iminentes. A preocupação atual reside na adoção da tática de “colher agora, decodificar depois”, na qual dados criptografados são capturados para possível quebra futura. Esse risco pressiona organizações a adotarem, desde já, soluções criptográficas resistentes a ameaças quânticas.



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