As empresas de redes neutras nasceram no Brasil seguindo um modelo conhecido: empreendimentos separados de seus principais sócios, geralmente operadoras de telecomunicações, e tendo – como inquilino principal – um grande cliente âncora.
A meta de diversificar as atividades também aconteceu em várias delas, inclusive com novos negócios em áreas como de data centers. O problema é que o modelo não avançou, na avaliação dos especialistas ouvidos pela reportagem do site especializado Teletime.
Os exemplos citados pela publicação incluem a FiBrasil e V.Tal, além da I-Systems e American Tower.
No primeiro caso, a Vivo recomprou sua participação na empresa, substituindo o fundo canadense CDPQ, ou seja, reverteu o modelo em que as operadoras de telecomunicações venderam seus ativos de redes, concentrando-se em negócios principais.
O movimento da operadora muda a proposta de substituir os custos de investimento em capital por despesas operacionais, ou seja, trocar capex por opex. Falando de outra forma: a neutralidade racionalizaria os investimentos e a expansão da rede, que passaria a ser feita por empresas neutras.
Os outros exemplos citados mostram que a diversificação emperrou. Na V.Tal, a Nio segue como maior cliente. A I-Systems mantém a TIM como grande âncora. A American Tower, que tem redes de fibra óptica adquiridas da Cemig Telecom, continua com a Vivo como um dos parceiros importantes.
O exemplo chileno
Diferentemente do modelo brasileiro, a reportagem aponta a estruturação de redes neutras no Chile como um exemplo relevante. O país vizinho tem somente uma rede neutra, a OnNet Fibra, nascida do consenso entre as operadoras de telecomunicações. A estratégia prioriza o compartilhamento e evita sobreposição de infraestrutura, como acontece no Brasil.
A Claro empresas é uma exceção entre as grandes operadoras: manteve sua rede própria e financiou a transição de parte da sua infraestrutura de rede híbrida de cabo coaxial e fibra (HFC) para a fibra pura.
