Pessoa segurando um celular com uma interface digital relacionada a pagamentos, segurança e autenticação digital, conceito de pagamentos eletrônicos e IA agêntica nos pagamentos. Foto: Family Stock/ Shutterstock

IA agêntica, tokenização e identidade digital redesenham os pagamentos para 2026

4 minutos de leitura

Executivos projetam um ecossistema em que agentes de IA passam a executar decisões, com avanços em tokens, identidade digital e adequação da segurança às novas experiências de consumo e modelos de negócios



Por Redação em 11/02/2026

A transformação mais radical dos setores de comércio e pagamentos para 2026 está na entrada definitiva da IA agêntica no centro do processo. Segundo executivos das principais bandeiras globais, agentes de inteligência artificial deixam de atuar como ferramentas auxiliares e passam a agir em nome de consumidores e empresas, comparando opções, tomando decisões e executando transações de forma autônoma.

Esses são os pontos destacados pela diretora de Comunicações Globais da Mastercard, Vicki Hyman, e pelo presidente regional da Visa para a América Latina e Caribe, Nuno Lopes Alves, que divulgaram avaliações bem convergentes sobre as tendências no setor. Tanto no artigo do executivo da Visa quanto na publicação da Mastercard, os autores destacam as principais transformações tanto na linha de frente quanto nos bastidores das cadeias de pagamentos.

Comércio agêntico ganha escala e responsabilidade

Robô realizando compras online em um teclado de computador com ícones de comércio eletrônico, vendas e descontos, representando o comércio agêntico digital.
Foto: Koupei Studio/ Shutterstock

Para Nuno Alves, a América Latina entra em uma nova fase do comércio digital à medida que a IA “passa de auxiliar os consumidores para agir em seu nome”. Com agentes autenticados e tokenizados, esses sistemas deverão “comparar, selecionar e comprar produtos de forma autônoma”, criando experiências hiperpersonalizadas e integradas entre canais.

Na visão de Vicki Hyman, o avanço do comércio baseado em agentes é inevitável, mas traz um desafio central: confiança. “Você pode automatizar o comércio, mas não pode automatizar a confiança”, afirma a executiva. Segundo ela, o setor precisará responder a questões como identificar se um agente é legítimo, fortalecer a autenticação e capturar a intenção quando uma transação automatizada dá errado.

Tokenização sai dos bastidores e vira infraestrutura estratégica

Alves enfatiza que o papel da tokenização vai além da proteção de dados. Para ele, os tokens se tornam o alicerce do comércio agêntico, ao permitir que credenciais de pagamento sejam movidas para a nuvem e acessadas de forma segura em qualquer ambiente conectado. “Os tokens em nuvem manterão os emissores relevantes, competitivos e prontos para liderar em um ecossistema de comércio impulsionado por IA”, afirma.

Nesse contexto, Alves destaca a contextualização das transações como um diferencial competitivo. Ao entender melhor o ambiente, o comportamento e o momento do pagamento, os emissores passam a ter condições de entregar alternativas mais seguras aos clientes, e ainda aumentar a fluidez da experiência.

Vicki Hyman aborda a tokenização sob a perspectiva da experiência do consumidor. “A aceleração global dos tokens elimina a entrada manual de números de cartão e senhas estáticas”, menciona. O resultado é um processo mais simples, com menos fricção e mais aderente às expectativas do consumidor digital.

Identidade digital se torna o novo perímetro de segurança

Jovem mulher usando smartphone com reconhecimento digital, destacando a importância da identidade digital como novo perímetro de segurança.
Imagem gerada digitalmente

Evidentemente, o avanço da IA e da automação amplia também a superfície de ataque. Vicki Hyman lembra que, com a expansão do ecossistema digital, “torna-se cada vez mais vital que empresas e consumidores saibam em quem confiar”. Por isso, ferramentas de verificação de identidade mais robustas — e ao mesmo tempo mais simples — ganham protagonismo.

A executiva destaca o papel das carteiras de identidade digital, da verificação biométrica e da criação de pseudônimos verificados, inclusive para transações com criptoativos.

Pagamentos em tempo real e interoperabilidade avançam

Nuno Lopes Alves também chama atenção para a consolidação dos pagamentos em tempo real na América Latina, com destaque para transações conta a conta. Para ele, esses sistemas estão “remodelando fundamentalmente o cenário financeiro”, ao tornar transações imediatas, de baixo custo e cada vez mais integradas a modelos de open banking.

Esse movimento, segundo o executivo, exige defesas compartilhadas, inteligência antifraude e colaboração entre os participantes do ecossistema para sustentar a confiança em escala.

Stablecoins saem do colchão e chegam aos balcões

Uma stablecoin dourada em exibição, com gráficos financeiros ao fundo mostrando variações de preço, destacando a importância das stablecoins no mercado financeiro digital.
Imagem gerada digitalmente

Ao abordar a evolução das stablecoins, Vicki Hyman observa que esses ativos começam a ocupar um papel distinto daquele que marcou sua fase inicial, mais associada à reserva de valor e à experimentação financeira. Para a executiva, o avanço das regulações em mercados centrais criou as condições para que as stablecoins passem a funcionar como instrumentos efetivos de pagamento, integrados ao sistema financeiro e ao comércio digital. “A clareza regulatória criou a confiança que o setor financeiro precisava para a comercialização”, avalia.

Segundo Hyman, esse novo ambiente regulatório tende a estimular uma maior colaboração entre emissores, instituições financeiras, redes de pagamento e provedores de tecnologia, tornando mais simples e seguro o uso de stablecoins em transações do dia a dia. A expectativa é que esses ativos ganhem espaço não apenas em remessas internacionais, mas também em liquidações transfronteiriças, pagamentos entre empresas e integrações com carteiras digitais.

Nuno Lopes Alves complementa essa leitura ao destacar que, à medida que deixam de ser tratadas apenas como ativos de reserva ou instrumentos especulativos, as stablecoins passam a atuar como infraestrutura complementar de pagamentos, especialmente relevante para economias emergentes. Na avaliação do executivo, esse modelo amplia a eficiência das transações internacionais, reduz custos e encurta prazos de liquidação, ao mesmo tempo em que se beneficia de credenciais e camadas de segurança já consolidadas no ecossistema financeiro.

Nesse cenário, as stablecoins deixam de competir diretamente com os meios tradicionais e passam a se integrar a eles, reforçando a ideia de um sistema híbrido. Um ambiente em que ativos digitais regulados coexistem com redes de pagamento estabelecidas, ampliando o alcance e a interoperabilidade das transações globais.

Pagamentos digitais e inclusão

Cliente  aproximando o celular da maquininha de pagamento para efetuá-lo de forma digital.
Foto: Nattakorn_Maneerat/ Shutterstock

Ao olhar para a base do ecossistema, Alves destaca que a próxima onda de inovação em pagamentos passa necessariamente pela inclusão das pequenas e médias empresas. Para ele, a digitalização da chamada longa cauda dos negócios deixa de ser um tema periférico e se torna estrutural para o crescimento do setor na América Latina.

“Em entrevistas recentes conduzidas pela Visa com milhares de PMEs na região, ouvimos uma mensagem consistente: elas querem proteger seu dinheiro e seus dados, acessar crédito, adotar ferramentas de aceitação imediata e se digitalizar para o futuro”, diz.

Segundo Alves, a combinação de soluções de aceitação simplificadas, pagamentos móveis, QR codes e ferramentas digitais reduz barreiras históricas de entrada e permite que micro e pequenos negócios participem de forma mais ativa da economia digital. Esse movimento tende a ampliar a base de aceitação, fortalecer a formalização e criar novas oportunidades de crescimento, especialmente em mercados emergentes.

Novos valores e hábitos de consumo

Na avaliação de Vicki Hyman, a evolução dos pagamentos também reflete mudanças mais amplas no comportamento do consumidor. A executiva observa que uma parcela crescente da população, liderada pela Geração Z, passa a adotar modelos associados à economia circular, baseados em reutilização, revenda e reparo de produtos.

Esse movimento cria espaço para novos fluxos financeiros, sustentados por microtransações, pagamentos ponto a ponto e soluções digitais que facilitam ciclos de devolução, recarga e reaproveitamento.



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