A indústria de satélites atravessa um momento de transformação marcado pela combinação de diferentes tecnologias e pelo fortalecimento de parcerias entre empresas. O cenário foi destacado durante o painel “Summit executivo: cenário competitivo e econômico”, realizado no Congresso Latinoamericano de Satélites 2026, que reuniu executivos da StarOne/Claro empresas, SES, Eutelsat, Telesat, Viasat, Hispasat e Agility Beyond Space.
Os participantes mostraram como a colaboração entre empresas, mesmo quando concorrentes, já faz parte da dinâmica do mercado e pode ampliar a capacidade de adaptação e a resiliência do setor. A estratégia passa pela atuação em ecossistema, com a integração de satélites GEO, MEO e LEO, redes terrestres e serviços digitais.
A lógica de colaboração também se estende à relação entre empresas e governos e traz à discussão a proteção de sistemas críticos, como destacou o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
Integração de soluções ganha espaço
Entre os participantes, o diretor geral da StarOne/Claro empresas, Lincoln Oliveira, destacou a capacidade de integração de soluções como um dos principais diferenciais da companhia no mercado brasileiro. Segundo ele, a empresa ocupa uma posição particular por combinar a atuação em telecomunicações móveis e fixas com uma frota própria de satélites.
Além da oferta de serviços relacionados à cobertura 5G e à fibra óptica, a companhia afirmou que sua atuação não se limita à frota de cinco satélites GEO e inclui parcerias para o uso de satélites em órbitas baixa e média, compondo uma infraestrutura capaz de atender às demandas dos clientes.
“Essa diversidade permite uma capacidade muito interessante de integração. Nosso objetivo é atender qualquer necessidade do mercado em termos de TI, data center, cibersegurança e conectividade”, declarou Oliveira.
O modelo, que contempla diferentes tecnologias e serviços, foi discutido sob a perspectiva de reforçar a importância das relações com parceiros para ampliar capacidades e tornar o mercado mais competitivo. Para o head de vendas da Hispasat, Sérgio Chaves, as parcerias com a StarOne e a SES reforçam a capacidade de adaptação do setor, uma vez que a “realidade do mercado é que sozinho não se vai a lugar nenhum”.
Multi-órbita e parcerias

A estratégia de combinação de diferentes órbitas também foi apresentada pela SES, que concentra os esforços na órbita média, mas também opera com satélites geoestacionários e constelações LEO.
A Eutelsat, por sua vez, aposta no LEO com a OneWeb, constelação que compete operacionalmente com a Starlink e representa 25% da receita da companhia. O diretor geral da empresa no Brasil, Rodrigo Campos, ponderou, no entanto, que embora o segmento tenha crescido 69% em um ano, os investimentos envolvidos são altos, a disponibilidade de veículos lançadores é um gargalo e as questões geopolíticas são condicionantes.
Na Viasat, a colaboração aparece no compartilhamento de infraestrutura. A companhia criou, com a Space42, a joint venture Equatys, voltada à comunicação direta entre satélites e dispositivos – modelo D2D. A iniciativa recebeu aporte conjunto de US$ 1 bilhão e busca reduzir o capital necessário para investimentos em rede por meio de um modelo de “space towerco”, baseado no compartilhamento de infraestrutura espacial.
Proteção de infraestruturas estratégicas ganha destaque
A visão de complementaridade também foi defendida pelo ministro das comunicações, que acredita que, em um país de dimensões continentais como o Brasil, nenhuma tecnologia isolada consegue responder a todos os desafios de conectividade. Nas palavras dele, “as comunicações via satélite se somam às redes de fibra e de comunicação móvel como ferramentas essenciais para enfrentar o desafio da transformação digital no Brasil”.
Ao mesmo tempo, o ministro defendeu que a abertura brasileira à inovação, aos investimentos e à cooperação internacional seja acompanhada por mecanismos de proteção para sistemas críticos, especialmente os ligados à defesa e às comunicações estratégicas. Nesse contexto, destacou o desenvolvimento da nova geração do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC 2), como um instrumento de fortalecimento e atualização das capacidades nacionais no que diz respeito aos satélites.
Outro ponto destacado foi o avanço da comunicação direta entre satélites e dispositivos, o D2D. Para Siqueira, a tecnologia poderá complementar as redes terrestres de maneira economicamente viável, com a Anatel trabalhando na homologação dos serviços.
