Febraban Tech 2025 Febraban Tech 2025
Da esquerda para direita: Adriano Milani (Citi Brasil), Breno Lobo (BC), Carlos Netto (Matera), César Boralli (PCMI), Luciana Sias (Santander) e Carolina Sansão (Febraban) – (Foto: Nelson Valêncio)

Futebol, carnaval e o Pix: as referências do Brasil no mundo

4 minutos de leitura

No universo dos bancos, Pix supera o samba e futebol como referência brasileira internacional; BC segue com agenda de aperfeiçoamento interno



Por Nelson Valêncio em 12/06/2025

O Pix entra em uma nova fase com o lançamento da versão automática, iniciativa do Banco Central (BC) que vai liberar o uso do meio de pagamento para cobranças recorrentes. Com isso, assinaturas de serviços e contas de luz ganham um novo modelo de débito em conta. O anúncio foi feito por Breno Lobo, chefe-adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do BC, durante o Febraban Tech.

A nova funcionalidade reforça o Pix como sucesso não só no Brasil, mas internacionalmente. Essa é a avaliação de Lobo e de outros cinco especialistas do mercado financeiro que fizeram um balanço da ferramenta no painel O que esperar do Pix e dos meios de pagamento.

Segundo eles, o apelo tecnológico fez do Pix uma referência do Brasil no mundo, superando símbolos como o futebol e o samba — pelo menos no universo das instituições financeiras.

Apesar da revolução trazida pela ferramenta, que inclui desde a redução do uso do dinheiro físico até a inclusão financeira de pessoas de baixa renda, o avanço do Pix deve continuar focado no mercado interno.

Agenda internacional ainda distante

A expansão internacional faz parte da agenda de médio prazo do BC, segundo Lobo. Isso inclui a integração global, mediada pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), uma espécie de BC dos bancos centrais. No curto prazo, a meta é aperfeiçoar a tecnologia.

Lobo lembrou ainda que a inclusão financeira não era um objetivo primário do Pix, mas foi percebida posteriormente, atingindo atualmente 160 milhões de usuários. “Ele serve como uma porta de entrada para outros serviços financeiros”, disse o executivo.

Os efeitos positivos foram se amplificando, segundo ele, incluindo o surgimento de novos modelos de negócio. Outra forma de avaliar o sucesso da ferramenta é a estimativa de que o ecossistema que utiliza o Pix economizou o equivalente a 1% do PIB, por meio das funcionalidades agregadas.

Um exemplo é o já citado Pix Automático, com tarifa zero para as empresas. Já o Pix Parcelado, que será lançado até o final do ano, é outra modalidade que traz benefícios. Nesse caso, a versão deve uniformizar as operações de crédito e aumentar a transparência para o consumidor, segundo Lobo.

A agenda de otimizações também inclui mecanismos de devolução de valores, em caso de fraudes, e a possibilidade de contestação do Pix dentro dos aplicativos dos bancos. Os recursos estão em desenvolvimento e devem aumentar a velocidade no bloqueio das contas dos fraudadores.

O objetivo é rastrear toda a cadeia de pagamentos envolvida em fraudes — não apenas a conta original — e inibir a distribuição de valores.

Barreira de entrada foi menor no Pix

Foto: Diego Thomazini/ Shutterstock

A colaboração entre BC e instituições financeiras foi outro tema recorrente entre os especialistas.

César Boralli, diretor do PCMI, empresa de pesquisa de mercado e serviços de inteligência de pagamentos, destacou que o conceito de interoperabilidade do Pix teve antecedentes nas transações de boletos e outros meios desde a década de 1980.

“Houve uma barreira de entrada menor no Pix devido ao alto acesso à internet e ao uso de smartphones. O resultado foi uma bancarização superior a 90% no período pós-pandemia de Covid-19”, resumiu.

Carlos Netto, CEO e cofundador da Matera, empresa de software como serviço (SaaS), reforça que o espírito colaborativo sempre pautou a jornada do Pix. Isso se reflete, segundo ele, na velocidade das transações da ferramenta, que espanta o mercado internacional. “O Pix acontece em segundos. Não é uma meta aspiracional. Se não for feito no prazo, há multa.”

Carolina Sansão, diretora de Inovação, Tecnologia e Segurança Cibernética da Febraban, lembra que a padronização é um aspecto fundamental da ferramenta, reforçando a sinergia entre o órgão de regulação e as instituições financeiras.

“O BC sempre deu espaço para a sociedade na formação do Pix e os bancos auxiliaram na criação de pontos essenciais”, argumentou.

Já Luciana Sias, head de Pagamentos de Pessoa Física do Santander Brasil, trouxe outra característica importante da ferramenta: a centralidade e experiência do cliente. No caso de pessoas físicas, ela lembra que 96% das ações de pagamentos e transferências no aplicativo do Santander são feitas por meio do Pix.

Liquidez imediata do PIX beneficia empresas

“Em média, um cliente faz 20 Pix por mês, tornando o contato uma coisa diária e não uma iniciativa pontual.”

Luciana destaca ainda que a jornada do Pix dentro do Santander mudou em 2024 para ser mais personalizada, melhorando a usabilidade do recurso. As alterações repercutiram, e o NPS (metodologia que mede a fidelidade do cliente) da ferramenta aumentou 10 pontos percentuais.

A experiência entre as pessoas jurídicas também é impressionante, de acordo com o relato de Adriano Milani, líder das áreas de treasury e trade solutions do Citi Brasil.

“Ele proporciona liquidez imediata, em até dez segundos, comparado com o TED, que tem tempo limite no dia para ser realizado”, detalha.

Para Milani, o Pix muda a gestão de caixa das empresas, pois as antecipações podem ocorrer a qualquer momento. Um dos efeitos é permitir que empresas de médio porte recorram menos ao capital de giro para financiar o dia a dia, resultando em redução de custo de capital. Outro ganho acontece com a diminuição nos custos transacionais, em função da realização de mais pagamentos com tarifas menores.

As empresas também foram beneficiadas no processo de reconciliação de informações financeiras. Essa atividade, antes complexa, tornou-se mais simples e automática com o Pix, na avaliação de Milani.

A mesma simplificação acontece no caso de microssistemas, como é o pagamento de serviços públicos em concessionárias de energia e de saneamento básico. A mudança transformacional, que eliminou os boletos, agora vai ganhar ainda mais tração com o Pix Automático, que tem a função de débito em conta, e com o futuro Pix Parcelado, que vai facilitar a negociação em caso de contas atrasadas.

O sucesso do Pix também pode ser avaliado fora dos parâmetros financeiros, segundo Carlos Netto, da Matera. “É o único meio de pagamento do mundo que foi tema de várias músicas.”



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