A escalada de investimentos em infraestrutura digital e o avanço da Inteligência Artificial (IA) transformaram os datacenters em elementos críticos da economia digital. Mas a evolução dessa indústria traz também responsabilidades: atender à demanda por potência computacional em alta velocidade exige repensar o consumo de energia, a gestão de emissões e a resiliência operacional.
A agenda ESG tornou-se parte essencial da estratégia de empresas de telecomunicações e provedores de infraestrutura, apoiada por normas internacionais, regulações específicas e tecnologias com novos padrões de eficiência.
Normas e métricas
Uma reportagem do The Shift evidencia como os datacenters estão incorporando a série ABNT NBR ISO/IEC 30134-1 que estabelece métricas padronizadas para eficiência energética, hídrica e de carbono. KPIs como PUE (Eficiência de Uso de Energia), CUE (Eficiência de Uso de Carbono), WUE (Eficiência de Uso de Água) e CER (Índice de Eficiência de Refrigeração) criam uma base objetiva para relatórios e comparações globais.
Essas métricas vão além da operação direta e se conectam aos conceitos de emissões de Escopo 1, 2 e 3: o primeiro abrange emissões diretas da empresa; o segundo contabiliza energia adquirida; e o terceiro envolve toda a cadeia de fornecedores, logística, descarte e uso de serviços. Essa abordagem evidencia uma visão mais ampla de responsabilidade, com atenção à descarbonização em toda a cadeia de valor.
Infraestrutura em mutação
Segundo a Infor Channel, o crescimento da nuvem e da IA generativa tem elevado a densidade computacional a patamares inéditos. Se antes os racks operavam com 5 a 10 kW, já há projetos com 200 kW por rack, concentrados em clusters dedicados a aplicações de IA. A mudança pressiona a capacidade elétrica e torna obrigatórias soluções como resfriamento líquido direto ao chip, contenção térmica e arquitetura modular.
A transformação atinge toda a cadeia de suprimentos e fornecedores, demandando padronização, resiliência e integração com fontes renováveis.
Telecomunicações com agenda avançada de ESG

A eficiência e sustentabilidade das operações de datacenters agora integram o marco regulatório da Agência Nacional de Telecomunicações. A Resolução nº 780/2025 estabelece certificação obrigatória para instalações que suportam redes de telecom, com requisitos que incluem resiliência operacional, segurança cibernética, eficiência energética e práticas ambientais.
Além da homologação obrigatória, a Anatel discute a inclusão de critérios ESG em licitações de radiofrequência, alinhando o setor de telecomunicações às metas globais da COP 30 e da Agenda 2030.
O conjunto de práticas de ESG na Claro empresas mostra como escalar a operação e acompanhar a demanda crescente de energia em datacenters e redes 5G, impulsionada por IA e serviços em nuvem, com controle dos impactos ambientais e sociais.
A Claro empresas abastece 80% de seu consumo com fontes renováveis. A companhia adota geração distribuída com mais de 100 usinas solares, além de plantas de biogás e pequenas centrais hidrelétricas, e projeta migrar integralmente sua energia de baixa tensão para o mercado livre a partir de 2027. A estratégia inclui metas de redução de emissões de 52% nos Escopos 1 e 2 até 2030 e neutralidade até 2050, além de iniciativas de economia circular, como reprocessamento de equipamentos e otimização logística para reduzir emissões.
“Nossos clientes percebem ganhos no escopo 3 de descarbonização ao contratar serviços hospedados em datacenters abastecidos por energia sustentável”, afirma Hamilton Silva, diretor de infraestrutura da Claro. A visão da companhia é que a digitalização e a transição energética são interdependentes, com os datacenters como eixo dessa convergência.
O conjunto de normas, regulações e estratégias corporativas sinaliza uma mudança de paradigma: os datacenters deixam de ser apenas centros de processamento e passam a atuar como vetores de transformação sustentável. A integração de métricas globais, inovação tecnológica e planejamento regulatório mostra que a competitividade do setor dependerá da capacidade de alinhar expansão digital e compromisso ambiental, não apenas dentro de cada operação, mas em toda a cadeia de valor.
