A força da IA depende da rede: conectividade avança para suportar aplicações críticas

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Especialistas apontam que a hiperconectividade combinada à IA redefine redes, acelera a inovação e exige novas arquiteturas de baixa latência, segurança e eficiência energética



Por Redação em 19/12/2025

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A combinação de hiperconectividade e IA pode impulsionar várias áreas, da inovação à eficiência operacional, segundo os especialistas do terceiro episódio da série “Vamos habilitar o próximo novo? — Conversas”, apresentado pela Claro empresas e veiculada pelo Valor Econômico. 

Para eles, à medida que aplicações avançadas de IA se tornam parte do dia a dia das organizações, a necessidade de redes preparadas, ou seja, com baixa latência, alta capacidade e maior inteligência, torna-se ainda mais evidente. Os exemplos incluem a segurança pública, onde o uso combinado das duas tecnologias ajuda a entender melhor o comportamento de uma cidade, identificar ameaças, organizar respostas e agir sem depender de intervenção humana.

Outras grandes aplicações envolvem o controle mais eficiente de estoque no varejo e a administração otimizada da logística de carga e descarga em portos. O agro, por sua vez, pode utilizar dados de drones e sensores para irrigação inteligente, definindo quando e onde aplicar defensivos.

Para Ronaldo Lemos, advogado, professor e diretor científico do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio), esses exemplos mostram que a humanidade vive um novo processo de convergência, semelhante ao que ocorreu com a internet, mas agora direcionado ao universo da IA. Na visão dele, a inteligência tem sido colocada dentro da rede para facilitar a comunicação, melhorar a cibersegurança e diminuir a latência.

Ronaldo Lemos, advogado e especialista em tecnologia
Ronaldo Lemos, advogado e especialista em tecnologia

“A IA ajudará em diversos setores e quanto mais poderosa é a aplicação, maior é a demanda por conectividade”, resume o especialista.

Redes precisam ser repensadas

Maria Teresa Azevedo Lima, diretora executiva para Governo da Claro empresas, complementa a avaliação de Ronaldo ao lembrar que a combinação de hiperconectividade e IA permite que a obtenção de dados em grande volume acelere a inovação.

Maria Teresa Lima, diretora executiva para Governo da Claro empresas.
Maria Teresa Lima, diretora executiva para Governo da Claro empresas.

“O uso da IA aumenta a eficiência das organizações, simplifica a operação, utiliza menos recursos manuais e gera competitividade. Quem não usar esse potencial ficará para trás”, ressalta.

Na avaliação da executiva, não há limite para a hiperconectividade, uma vez que a combinação dela com IA leva a experiências como a conexão entre máquinas e agentes, numa “conversa” autônoma.

“O que me preocupa é que as redes atuais terão que ser repensadas para responder ao volume absurdo de informação gerado por essa nova demanda”, alerta a especialista. Segundo ela, responder a essa demanda, com hiperconectividade, é um “dever de casa” e exige muito investimento para expandir as redes, dada a geografia e as desigualdades do Brasil.

Lisandro Granville, diretor geral da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e professor da UFRGS, ressalta que a conectividade muda com o tempo e a partir da necessidade do usuário. Ele cita o exemplo dos médicos que utilizam a telemedicina e que precisam de óculos específicos para avaliar um paciente remoto, modelado em 3D.

Lisandro Granville, diretor geral da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e professor de ciência da computação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Lisandro Granville, diretor geral da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e professor da UFRGS

“Eles não vão conseguir mais exercer a profissão com a tecnologia anterior”, argumenta.

Computação na borda

Silvio Meira, cientista chefe da TDS Company, traz outro diferencial dos novos tempos ao lembrar que, com mais inteligência para tomar decisões na borda (edge), o cenário exige mais banda e menos latência.

Sílvio Meira, cientista chefe da TDS Company
Sílvio Meira, cientista chefe da TDS Company

“As indústrias estão se transformando e precisam de tomada de decisão na borda, o que nos leva a pensar sobre o nível de maturidade do cliente brasileiro em relação à baixa latência”, contextualiza.

Maria Teresa explica que a Claro empresas está investindo fortemente nessa arquitetura, transformando prédios antigos em pequenos data centers espalhados para aproximar a captação e o processamento dos dados da aplicação final.

“A estratégia de investimento em edge computing, ou computação na borda como é conhecida em português, é necessária para atender à demanda de latências muito baixas, especialmente ao combinar 5G e Internet das Coisas”, detalha.

De acordo com ela, algumas indústrias, como a de automação de linhas de produção, estão muito mais sensíveis e a baixa latência é essencial para elas, pois caso contrário, haveria riscos.

Lemos reforça a exigência de latência quase zero também no mercado financeiro. Outra aplicação crítica é o controle de tráfego urbano. “As redes agora têm pelo menos duas dimensões importantes, além da largura de banda: baixa latência e inteligência da rede”, defende o especialista.

Cibersegurança

Adicionalmente ao fato de ser virtuosa, a combinação de IA e hiperconectividade precisa ser segura. Ao ampliar a rede e acrescentar inteligência, a superfície de ataque igualmente é ampliada. “Precisamos usar a IA para proteger a organização, combatendo inteligência artificial com inteligência artificial”, sugere Maria Teresa.

Para Granville, a segurança não deve ser vista como um problema, mas sim como uma característica do sistema, uma vez que toda nova tecnologia introduz vulnerabilidades implícitas. De acordo com ele, a segurança, que tradicionalmente não era tratada como um fundamento da computação, deve ser transformada em um fundamento desde o início do treinamento e capacitação das pessoas, sendo uma área multidisciplinar.

Lemos traz o contexto para o edge computing, ao argumentar que uma rede inteligente pode usar a IA na detecção de padrões anômalos, interrompendo ataques na borda. “O que é mais eficaz do que um antivírus, que depende de uma biblioteca fixa para comparar ameaças catalogadas”, explica.

Uso ético da IA

Meira acrescenta outra preocupação em relação à IA, que é o uso responsável dos dados. Ele destaca que a captura e armazenamento excessivo de informações implica risco, inclusive do ponto de vista da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Maria Teresa destaca que é fundamental tratar temas como ética, regulamentação e soberania dos dados com seriedade. Além dessa pauta, outro assunto crítico é a pressão crescente para uma cloud verde, mais sustentável, com mais eficiência energética e menos emissão de carbono.

“O Brasil não pode perder o momento atual, pois tem energia limpa, capacidade de preparar pessoas e vontade política”, finaliza, ao falar de como o país pode capitalizar o aumento combinado de IA e hiperconectividade.



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