A Internet das Coisas (IoT) está levando a conectividade para além de computadores e smartphones. Sensores instalados em máquinas, veículos, lavouras, sistemas de iluminação e equipamentos industriais capturam informações e permitem acompanhar operações em tempo real. No Brasil, o número de estações licenciadas de comunicação máquina a máquina passou de 10,94 milhões em 2021 para 28,27 milhões no fim de 2025, crescimento superior a 158%, segundo a Anatel.
O avanço também aparece nas empresas. A TIC Empresas 2025, do Cetic.br, aponta que 14% das empresas brasileiras utilizaram dispositivos inteligentes ou Internet das Coisas. O indicador foi coletado entre empresas que possuem especialistas, área ou departamento de TI, com os resultados apresentados sobre o total de empresas. O percentual sobe conforme o porte: chega a 27% nas empresas com 50 a 249 pessoas ocupadas e a 40% entre aquelas com 250 pessoas ou mais.
Entre as empresas que utilizam dispositivos inteligentes ou IoT, 90% empregam a tecnologia em sistemas de segurança das instalações, como alarmes, detectores de fumaça, travas e câmeras inteligentes. O uso também aparece em gerenciamento do consumo de energia (48%), gestão de logística (37%), atendimento ao cliente (32%), processos de produção (28%) e manutenção de equipamentos (28%).
Na indústria de transformação, o uso de IoT é mais concentrado em algumas aplicações. Entre as empresas industriais que utilizam dispositivos inteligentes ou IoT, 95% empregam a tecnologia para segurança das instalações, 61% para gerenciamento do consumo de energia, 49% para gestão de logística, 41% em processos de produção e 37% na manutenção de equipamentos.
Os dados mostram que a Internet das Coisas já tem sido aplicada a diferentes etapas das operações empresariais, desde segurança e consumo de energia até produção, logística e manutenção. O cenário também evidencia uma diferença de adoção conforme o porte das empresas, com maior presença da tecnologia entre as grandes organizações.
A aplicação está relacionada ao avanço da chamada Indústria 4.0, que combina IoT, inteligência artificial, computação em nuvem, Big Data e sistemas ciberfísicos para integrar processos físicos e digitais. O Inmetro inclui essas tecnologias em seu modelo de avaliação da maturidade da Indústria 4.0.
No agronegócio, sensores levam dados para o campo

No campo, a Internet das Coisas é utilizada junto a sensores de solo e clima, máquinas agrícolas, sistemas de irrigação, GPS, drones e plataformas de análise de dados.
A Embrapa aponta a integração entre IoT, inteligência artificial, Big Data, robótica e sensores como parte da agricultura digital. Entre as aplicações estão o monitoramento de lavouras, a gestão da irrigação, a identificação de condições do solo e o acompanhamento de animais.
O desafio brasileiro inclui a conectividade rural. A própria Embrapa identifica o acesso à conectividade, o custo de equipamentos e softwares e a integração entre máquinas, sensores e sistemas de gestão entre os obstáculos para ampliar a adoção dessas tecnologias.
Cidades conectadas usam sensores para monitorar serviços
Nas cidades, sensores podem coletar informações sobre iluminação pública, trânsito, estacionamento, segurança, consumo de energia e outros serviços.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação identifica aplicações de IoT em mobilidade, segurança e eficiência energética. A tecnologia permite que municípios obtenham dados em tempo real para acompanhar serviços e apoiar decisões. Projetos apoiados pelo BNDES já utilizaram redes de IoT em aplicações como iluminação pública, videomonitoramento, parquímetros eletrônicos, controle semafórico e monitoramento urbano.
Sensores inteligentes são a base da IoT
O sensor é um dos componentes centrais de uma aplicação de IoT. É ele que transforma uma condição física, como temperatura, pressão, localização, umidade ou movimento, em informação que pode ser transmitida e analisada. Quando esses dados são integrados a sistemas de análise, a empresa ou o município pode acompanhar uma operação continuamente. Na manutenção de máquinas, por exemplo, sensores podem fornecer informações sobre o funcionamento do equipamento e ajudar a identificar a necessidade de intervenção.
A combinação entre IoT e inteligência artificial amplia o uso dos dados coletados pelos dispositivos conectados. Enquanto os sensores produzem informações sobre o ambiente físico, algoritmos podem identificar padrões, fazer previsões e apoiar decisões.
Na agricultura, por exemplo, a Embrapa descreve aplicações que combinam sensores, IoT e IA para monitoramento de solos, doenças, condições meteorológicas e manejo das lavouras. Na indústria, a integração entre IoT e IA pode ser utilizada em sistemas de monitoramento e análise de processos. No transporte, sensores instalados em veículos podem alimentar plataformas capazes de analisar comportamento, operação e condições de uso.
Em 2026, o BNDES aprovou R$ 53 milhões para uma solução que combina IA, IoT, câmeras embarcadas e ciência de dados na gestão de frotas.
O papel do 5G na expansão da IoT
O 5G não é obrigatório para todas as aplicações de IoT, mas pode ampliar aquelas que exigem maior densidade de dispositivos, baixa latência ou transmissão de dados em tempo real. Segundo a Anatel, uma das características do 5G é o suporte à chamada comunicação massiva entre máquinas. A agência estima que a tecnologia possa suportar até 1 milhão de dispositivos conectados por quilômetro quadrado em aplicações específicas de alta densidade.
Essa capacidade pode ser utilizada em aplicações como automação industrial, agricultura conectada, monitoramento urbano e logística. O avanço da infraestrutura, porém, precisa ser acompanhado pela disponibilidade de dispositivos, cobertura e viabilidade econômica das soluções.
Quanto maior o número de dispositivos conectados, maior também é a superfície que precisa ser protegida. Uma vulnerabilidade em um equipamento pode representar risco para a rede à qual ele está conectado e para os dados que produz.
O NIST recomenda que dispositivos IoT tenham recursos como identificação do equipamento, proteção de dados, controle de acesso, atualização segura de software e monitoramento do estado de segurança. Em 2025, o órgão também publicou orientações específicas para o processo de entrada segura de dispositivos IoT nas redes, destacando a importância de estabelecer confiança entre o equipamento e a rede antes da concessão das credenciais de acesso.
O cenário da IoT no Brasil
O Brasil já possui uma política específica para o setor. O Plano Nacional de Internet das Coisas foi instituído pelo Decreto nº 9.854, de 2019, com objetivos relacionados à melhoria da qualidade de vida, ganhos de eficiência e desenvolvimento de soluções de IoT no país.
Os dados mais recentes mostram que a infraestrutura está avançando, mas a adoção ainda é desigual. Enquanto 14% das empresas pesquisadas pelo Cetic.br declararam utilizar dispositivos inteligentes ou IoT, o índice alcançou 37% entre as grandes empresas.
Ao mesmo tempo, a conectividade brasileira vem se expandindo. A edição 2025 do Índice Brasileiro de Conectividade mostrou que 4.614 dos 5.570 municípios analisados, ou 82,8%, melhoraram seu índice de conectividade em relação ao ano anterior.
A combinação de conectividade, sensores, computação em nuvem, inteligência artificial e 5G amplia o campo de aplicação da Internet das Coisas. O desafio agora é integrar esses componentes de forma segura, economicamente viável e capaz de transformar dados coletados no mundo físico em informação útil para empresas, produtores e gestores públicos.
