Portal gov.br e o logotipo “Agência Nacional” e “Ministério das Comunicações”, ilustrando a pauta da Anatel sobre aperfeiçoar regras para IoT e M2M. Foto: Casimiro PT / Shutterstock

Anatel poderá revisar regras para IoT e M2M

3 minutos de leitura

Tomada de subsídios encerrada em setembro pode levar a ajustes nas regras de roaming, operadoras virtuais, tarifas e conectividade



Por Redação em 21/09/2026

A regulação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre o ecossistema de Internet das Coisas (IoT) e o mercado de comunicação máquina a máquina (M2M) pode passar por ajustes nos próximos meses. A agência encerrou, em 13 de setembro, a Tomada de Subsídios número 3, que integra o processo de avaliação de aspectos regulatórios e concorrenciais desses mercados.

De acordo com a agência, a tomada de subsídios tem por objetivo expandir a participação de agentes do mercado, de instituições, de especialistas e de demais interessados, de modo a obter percepções, informações técnicas, experiências práticas e sugestões que possam contribuir para a compreensão ampla do mercado de M2M.

Antes da iniciativa, a Anatel já tinha coletado informações sobre relações de atacado voltadas à oferta de comunicação IoT através de exploração de rede móvel virtual (MVNO). A pesquisa foi motivada por conflitos relacionados à contratação de serviços de roaming e MVNO para o fornecimento de conectividade M2M e IoT.

Até a publicação desta reportagem, a Anatel não havia disponibilizado documento consolidando as contribuições recebidas para aperfeiçoamento das regras. Atualmente o mercado de IoT e M2M é regido pelas determinações do Plano Geral de Metas de Competição (PGMC), editado em 2025.

Segundo o portal Teletime, as normas do PGMC a respeito de IoT e M2M têm levado a questionamentos do mercado, com foco em cláusulas de exclusividade e acesso a tecnologias de acesso para o M2M e valores mensais de cobrança por dispositivos IoT. A publicação também ressalta que a Anatel teria verificado um aumento na judicialização dos dois temas.

Em relação ao IoT, um dos pontos em discussão é a não inclusão do modelo das operadoras móveis virtuais (MVNO) no PGMC, o que gera questionamentos sobre o tratamento regulatório desse modelo de negócios. Outro ponto da normativa atual do Plano é a manutenção do mercado regulado de roaming, que é um insumo para as empresas que atuam com IoT.

O PGMC traz ainda outras questões relacionadas ao IoT e à M2M que podem sofrer mudanças nos próximos meses, caso a Anatel resolva aperfeiçoar as normas. Entre os pontos previstos atualmente no plano e que podem entrar na discussão estão:

Roaming nacional

  • Definição do mercado relevante: segundo a norma atual, o roaming nacional abrange expressamente a oferta de conectividade para dispositivos destinados à comunicação M2M ou de IoT fora da área de prestação da prestadora contratante.
  • Obrigação nas ofertas de referência: as prestadoras com Poder de Mercado Significativo (PMS) devem apresentar oferta de referência de roaming nacional contemplando obrigatoriamente a conectividade de dispositivos M2M e IoT.
  • Requisitos técnicos: a oferta pública deve detalhar as características técnicas e as tecnologias disponíveis para a conexão dos diferentes tipos de dispositivos destinados a M2M e IoT.

Regras tarifárias

  • Escopo dos valores de referência: os valores de referência de roaming nacional fixados pela Anatel para grupos com PMS englobam voz, SMS, dados e a mensalidade por dispositivo destinado a M2M ou IoT.
  • Vedação à cobrança de assinatura: é vedada a cobrança de assinatura mensal para dispositivos M2M/IoT até 27 de setembro de 2027.

Aplicação de sanções

  • Proibição geral: o roaming permanente, caracterizado pelo acampamento fora da área de prestação original por mais de 90 dias corridos, é vedado tanto para pessoas naturais quanto para dispositivos M2M/IoT.
  • Penalidades para M2M/IoT: nas Ofertas de Referência, a rescisão contratual para pessoas naturais exige que mais de 5% dos usuários estejam em roaming permanente. No entanto, o limite de 5% não se aplica a dispositivos M2M/IoT: em caso de violação da regra de roaming permanente, a aplicação de multa pecuniária ou a rescisão unilateral do contrato pode ocorrer independentemente do volume de dispositivos conectados.

Conectividade em caráter contínuo

  • Garantia temporária a operadoras regionais: até 31 de dezembro de 2030, a Oferta de Referência de roaming nacional deve contemplar a conectividade em caráter contínuo de dispositivos M2M e IoT pertencentes a operadoras regionais do Serviço Móvel Pessoal (SMP) que possuam autorização de radiofrequência em caráter primário dentro de sua área.


Matérias relacionadas

Gabriel Villa e Domingos Secco em um evento, com palestrante no palco e outro participante ao lado, diante de um telão Conectividade

IA e geolocalização ampliam segmentação de campanhas publicitárias 

Solução apresentada na SET Expo 2026 combina dados de mobilidade, perfil demográfico e IA generativa para criar campanhas adaptadas a diferentes públicos e territórios

Palestrantes Guilherme Saraiva e Eduardo Massaud apresentam demonstração em um evento com telão exibindo Conectividade

5G amplia possibilidades para transmissões ao vivo, do jornalismo aos megaeventos

Em painel da SET Expo 2026, especialistas compartilharam experiências em grandes eventos e apresentaram novas soluções para emissoras, produtoras e equipes de jornalismo

Conectividade

Rede inteligente sustenta bilhões de transações do Banco do Brasil

Segundo episódio da websérie “Vamos habilitar o próximo novo?” destaca como redes inteligentes e resilientes sustentam operações críticas na era da IA

Renato Sales Bizerra Aguiar, Robson Tavares, Gina Duarte e Francisco Martins Portelinha Júnior Conectividade

Revolução silenciosa: como o 5G pode transformar a TV

Debates na SET Expo 2026 mostram como redes de quinta geração podem ampliar a produção, a distribuição e o acesso a conteúdos de TV, dos estúdios aos smartphones