A conectividade deixou de ser apenas um serviço de apoio para se tornar parte fundamental da experiência em grandes eventos. Esse movimento ganhou um novo capítulo com o anúncio da parceria entre a Claro e o Nubank Parque, apresentada durante a SP2B. O projeto prevê a ampliação da infraestrutura digital da arena com tecnologias como 5G Advanced, Wi-Fi 6, ondas milimétricas e recursos avançados de segmentação de rede, criando as bases para uma experiência mais conectada tanto para o público quanto para produtores, emissoras e patrocinadores.
O tema foi discutido no painel “A infraestrutura por trás dos grandes eventos”, com o vice-presidente de Entretenimento da WTorre, Marcelo Frazão, e o diretor de marketing da Claro empresas, Márcio Carvalho.
Segundo Carvalho, a evolução das redes móveis permite que diferentes serviços compartilhem a mesma infraestrutura com recursos ajustados às necessidades de cada aplicação. “A segmentação de rede com 5G entrega banda dedicada para serviços com requisitos diferentes, como câmeras de emissoras, pontos de venda ou para o público”, explicou.
A tecnologia, conhecida como network slicing, cria circuitos virtuais independentes dentro da mesma rede física. Assim, uma transmissão ao vivo, uma operação de pagamentos e o acesso dos espectadores à internet podem funcionar simultaneamente, cada um com requisitos específicos de velocidade, latência e disponibilidade.
Outro recurso destacado pelo executivo é o uso de ondas milimétricas (mmWave), que oferecem elevadas taxas de transmissão em áreas concentradas. A tecnologia permite criar pequenas células de cobertura em pontos estratégicos da arena, aumentando significativamente a capacidade da rede em locais de grande concentração de pessoas ou alto tráfego de dados.
Infraestrutura para uma arena conectada

O projeto inclui uma arquitetura híbrida composta por 5G Advanced e Wi-Fi 6, com centenas de pontos de acesso distribuídos pelo estádio e seu entorno. O objetivo é garantir conectividade de alta capacidade em eventos com dezenas de milhares de participantes simultâneos.
A infraestrutura foi concebida para suportar grandes volumes de tráfego de dados e aplicações que exigem resposta em tempo real. Além do público, a rede atende operações de segurança, monitoramento, sistemas de pagamento, equipes de produção, patrocinadores e emissoras.
Para Marcelo Frazão, essa evolução acompanha uma mudança mais ampla no próprio conceito de entretenimento. “O show deixa de ser apenas a banda e um telão. Hoje é um espetáculo com múltiplos estímulos”, definiu.
Segundo ele, a complexidade das produções cresceu significativamente nos últimos anos. Os eventos incorporam experiências visuais, conteúdos digitais, interações em tempo real e múltiplas formas de consumo de mídia.
Ao mesmo tempo, as exigências das transmissões profissionais aumentam. Mais câmeras, resoluções mais elevadas, recursos gráficos avançados e diferentes formatos de distribuição de conteúdo demandam uma infraestrutura robusta e altamente confiável.
Frazão observou que até mesmo a cenografia dos espetáculos passou a considerar a forma como o público registra os eventos. Hoje, segundo ele, muitos shows são planejados levando em conta a captura de imagens em formato vertical para redes sociais. Mesmo com a existência de registros profissionais de alta qualidade, os espectadores continuam produzindo seus próprios conteúdos como uma forma de lembrança pessoal do evento, em um comportamento comparável ao hábito de guardar ingressos impressos.
Tecnologia para aprofundar a experiência presencial
A conectividade também passa a desempenhar um papel cada vez mais importante na experiência presencial. Em vez de competir com o espetáculo, as tecnologias digitais buscam ampliar a imersão e facilitar a interação dos espectadores com todo o ecossistema do evento. O objetivo é permitir que o público transite de forma mais fluida entre entretenimento, consumo, serviços e compartilhamento de conteúdo, reduzindo atritos ao longo da jornada.
Nesse cenário, a infraestrutura digital possibilita acesso mais rápido a serviços, informações em tempo real, conteúdos exclusivos, programas de relacionamento, navegação dentro da arena e novas formas de interação com patrocinadores e organizadores.
A expectativa é que a tecnologia torne a experiência presencial mais completa e imersiva, aproximando o ambiente físico dos recursos digitais já incorporados ao cotidiano dos consumidores.
Próximos passos: pagamentos e consumo
Frazão adiantou que entre as expectativas da WTorre está a modernização da experiência de consumo dentro da arena. Apesar dos avanços observados nos últimos anos, Frazão reconhece que ainda existem barreiras que afetam a jornada dos espectadores.
“Hoje ainda temos um grande desafio nas facilidades transacionais. Melhorou, mas ainda temos filas, retirada de fichas e a necessidade de carregar um cartão para os pagamentos no local. Isso destoa do momento de entretenimento. Vamos usar tecnologias que facilitem o consumo”, revelou.
A expectativa é que a combinação entre conectividade avançada, autenticação digital e integração de serviços permita criar processos mais simples para compras de alimentos, bebidas, produtos licenciados e outros serviços oferecidos durante os eventos.
Confiabilidade é requisito para grandes produções
Além da inovação, a infraestrutura precisa oferecer altos níveis de disponibilidade e previsibilidade. Em um ambiente que reúne milhares de pessoas e movimenta grandes operações simultâneas, falhas de conectividade podem comprometer transmissões, sistemas de pagamento e experiências digitais.
Por isso, Frazão destaca a importância da escolha dos parceiros tecnológicos. “Tudo que uma grande produção precisa é previsibilidade. Temos que ter total tranquilidade de que os SLAs (acordos de nível de serviço) vão se cumprir”, afirmou.
Segundo o executivo, a velocidade das transformações tecnológicas exige fornecedores capazes de combinar capacidade de inovação, escala operacional e confiabilidade.
A parceria entre Claro e WTorre reflete essa convergência entre infraestrutura e experiência. À medida que os eventos se tornam mais digitais, conectados e multimídia, a rede passa a ocupar um papel tão estratégico quanto os palcos, telões e sistemas de som, sustentando uma nova geração de experiências para público, produtores e marcas.
