Que a inteligência artificial se tornou protagonista da transformação dos negócios, você já sabe. Mas essa transformação começa a ganhar novos contornos práticos. Com o tema “Agentes inteligentes, liderança humana”, o Febraban Tech 2026, um dos principais eventos de tecnologia e inovação do setor financeiro da América Latina, reunirá especialistas, executivos, reguladores e empresas para discutir como a próxima geração da IA, os novos modelos de infraestrutura digital e a convergência entre diferentes setores da economia estão redesenhando o mercado financeiro.
O evento será realizado entre os dias 24 e 26 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo, que recebe pela primeira vez o congresso em uma edição ampliada, com mais de 42 mil metros quadrados e seis palcos simultâneos.
Além de apresentar tendências tecnológicas, a programação deste ano deve mostrar como os bancos ampliaram seu papel, consolidando-se como plataformas de dados, inteligência, infraestrutura e serviços conectados a diversos setores da economia. A programação traduz esse movimento em 13 trilhas temáticas, que funcionam como um mapa dos principais desafios e oportunidades para os próximos anos.
Conheça as trilhas do evento
Embora cada trilha trate de um tema específico, elas podem ser agrupadas em cinco grandes movimentos que devem orientar a nova fase do setor financeiro.
O primeiro é a consolidação da inteligência artificial autônoma. O segundo é a construção de um ambiente de confiança digital, baseado em identidade, segurança e governança. O terceiro concentra-se na evolução da infraestrutura tecnológica, indispensável para suportar IA em larga escala. O quarto aborda a transformação do sistema financeiro em uma plataforma integrada a outros mercados. Já o quinto destaca o papel do capital na transição para uma economia mais sustentável. Veja o que esperar de cada trilha:
- Agentes de IA em rede: o início da era dos sistemas autônomos
A principal aposta do evento é a evolução da inteligência artificial para um modelo baseado em agentes inteligentes capazes de atuar de forma coordenada. Em vez de assistentes que respondem perguntas ou executam tarefas isoladas, agora é a vez das redes de agentes especializados que colaboram entre si para realizar processos completos, desde análises financeiras até atendimento ao cliente, prevenção a fraudes e tomada de decisão. Na prática, essa trilha inaugura uma nova fase da IA corporativa, conhecida internacionalmente como Agentic AI, com desenvolvimento de modelos inteligentes, governança, supervisão humana e coordenação entre diferentes agentes.
- Engenharia do futuro: como será trabalhar ao lado da IA
Se a primeira trilha discute a tecnologia, esta trata das pessoas. A expansão dos agentes inteligentes levanta uma questão inevitável: como liderar equipes formadas por profissionais e sistemas autônomos? Os painéis devem abordar mudanças nas competências exigidas pelo mercado, novos modelos organizacionais, requalificação profissional e o papel da liderança em ambientes cada vez mais automatizados. O tema acompanha uma tendência global observada por consultorias e centros de pesquisa, segundo a qual o diferencial competitivo passará a depender da capacidade das organizações de integrar inteligência humana e inteligência artificial.
- Identidade digital e confiança: a base da economia conectada
À medida que pessoas, empresas, dispositivos e agentes inteligentes passam a compartilhar dados continuamente, cresce também a necessidade de mecanismos confiáveis de autenticação e governança. Por isso, a trilha sobre identidade digital amplia o debate tradicional sobre biometria e segurança para incluir autenticação de agentes de IA, compliance, privacidade, ética, proteção de dados e credibilidade dos ecossistemas digitais. A identidade digital é apresentada como um dos pilares para o funcionamento do Open Finance, do Pix, do Drex e dos novos modelos de serviços financeiros.
- A guerra invisível da cibersegurança
A trilha dedicada à cibersegurança discute como a inteligência artificial está transformando tanto as estratégias de defesa quanto as técnicas utilizadas por criminosos digitais. Entre os temas esperados estão IA aplicada à detecção de fraudes, ataques automatizados, deepfakes, arquitetura Zero Trust, criptografia pós-quântica e resiliência operacional.
- Meios de pagamento: inovação também precisa ser sustentável
O Brasil é uma referência mundial em pagamentos instantâneos, impulsionado pelo sucesso do Pix. Agora, a discussão evolui para um novo estágio: como financiar a próxima onda de inovação? A trilha sobre meios de pagamento deve reunir discussões sobre monetização, competição entre bancos, fintechs e Big Techs, tokenização de ativos, novos modelos de receita e os desafios econômicos da inovação em um ambiente de pagamentos cada vez mais digital.
- Open Finance em fase de maturidade
Depois de anos dedicados à implementação da infraestrutura regulatória, o Open Finance passa a enfrentar questões relacionadas à escala, interoperabilidade e geração de novos negócios. Os debates abordarão segurança, privacidade, compartilhamento de dados, experiência do usuário e novas possibilidades de integração entre diferentes serviços financeiros. O foco está em considerar o impacto do Open Finance na criação de ecossistemas digitais cada vez mais conectados.

- Do big data ao real-time intelligent banking
Outra mudança importante que será apresentada pelo evento é a evolução do uso de dados. Em vez de análises retrospectivas, bancos e instituições financeiras caminham para decisões tomadas em tempo real, apoiadas por inteligência artificial e processamento contínuo de informações. Essa trilha mostra como IA generativa, analytics, streaming de dados e hiperpersonalização estão transformando a forma como produtos financeiros são oferecidos e gerenciados.
- Cloud, data centers e a nova infraestrutura financeira
A expansão da IA depende diretamente da capacidade computacional. Por isso, a infraestrutura ganha protagonismo na edição de 2026. Cloud computing, edge computing, computação quântica, eficiência energética e data centers aparecem como elementos essenciais para sustentar a próxima geração dos serviços financeiros.
- Drex e stablecoins: a nova disputa pela infraestrutura monetária
A digitalização do dinheiro também tem seu espaço na programação. A trilha dedicada ao Drex analisa como a moeda digital brasileira se posiciona diante do crescimento das stablecoins e da corrida internacional por novos modelos de liquidação financeira. Além de discutir criptomoedas, os painéis devem explorar infraestrutura, regulação, tokenização e soberania monetária.
- Tecnologias emergentes reprogramam os setores
Robótica, computação quântica, veículos autônomos, novas interfaces digitais e inteligência artificial aparecem reunidos em uma trilha dedicada às tecnologias que prometem transformar diversos segmentos da economia. A proposta é mostrar como inovações desenvolvidas inicialmente para nichos específicos acabam influenciando cadeias produtivas inteiras.
- Finanças embarcadas aceleram a convergência entre mercados
Uma das transformações mais relevantes dos últimos anos é o avanço das chamadas finanças embarcadas. Na prática, serviços financeiros deixam de estar restritos aos bancos e passam a ser incorporados a aplicativos, marketplaces, plataformas de saúde, mobilidade, varejo e indústria. A trilha deve mostrar como Embedded Finance, Banking as a Service e Open Finance estão tornando o sistema financeiro uma infraestrutura invisível presente em diferentes experiências digitais.
- Transition Finance coloca o capital no centro da economia verde
A sustentabilidade permanece na agenda do Febraban Tech, mas com um enfoque mais econômico. A trilha analisa como bancos, investidores e empresas podem financiar a transição para uma economia de baixo carbono, conciliando competitividade, inovação e responsabilidade climática. O debate inclui financiamento sustentável, mercado de carbono, investimentos verdes e mecanismos capazes de acelerar a descarbonização da economia.
- Fintechs entram em uma nova fase de maturidade
O crescimento acelerado das fintechs deu lugar a uma etapa marcada por consolidação, rentabilidade e fortalecimento regulatório. A programação desta trilha deve discutir confiança, compliance, segurança, governança e novos modelos de crescimento para empresas que hoje fazem parte da infraestrutura financeira brasileira. A organização do evento destaca que inovar continua sendo essencial, mas a sustentabilidade dos negócios e a credibilidade são fatores igualmente decisivos.
Grandes nomes do Febraban Tech 2026
Tradicionalmente, o Febraban Tech tem uma programação que conta com a participação de grandes nomes e lideranças do setor bancário, da tecnologia, da academia e da economia mundial. E esta edição não será diferente. A programação do Febraban Tech 2026 combina a presença dos principais CEOs do sistema financeiro brasileiro com especialistas internacionais que estão moldando o futuro da inteligência artificial, da infraestrutura digital, da economia e da transformação tecnológica.
Entre os destaques internacionais está Radia Perlman, engenheira da Dell Technologies e reconhecida mundialmente como a “mãe da Internet”. Sua palestra deve abordar os desafios da infraestrutura digital e da evolução das redes em um cenário impulsionado pela inteligência artificial. Outro nome de peso é John Maeda, vice-presidente de IA e Design da Microsoft, referência global na integração entre design, tecnologia e IA, que discutirá como essas áreas estão redefinindo produtos, serviços e a experiência dos usuários. A programação também traz Joel Mokyr, professor da Northwestern University e vencedor do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 2025, que apresentará sua visão sobre o impacto da inovação tecnológica no desenvolvimento econômico.
O evento reúne praticamente todos os principais líderes do sistema financeiro nacional. Estão confirmados Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco; Marcelo Noronha, CEO do Bradesco; Tarciana Medeiros, presidenta do Banco do Brasil; Gilson Finkelsztain, CEO do Santander Brasil; Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual; e Carlos Vieira, presidente da Caixa Econômica Federal. As discussões devem girar em torno de temas como inteligência artificial, Open Finance, Drex, cibersegurança, transformação digital e o futuro do sistema bancário.
As grandes empresas globais de tecnologia também terão forte presença. Entre os destaques estão Adriana Alonso, do Google; Adriano Bottas, da Microsoft; Alexandre Maloral, presidente da Oracle Brasil; além de executivos da Dell Technologies, Tata Consultancy Services (TCS), NTT DATA e outras empresas que vêm liderando projetos em computação em nuvem, dados, inteligência artificial e segurança cibernética.
Complementando a programação, representantes do Banco Central, da Febraban, da Associação Open Finance Brasil, além de especialistas em regulação, inovação, sustentabilidade e transformação digital, reforçam o caráter multidisciplinar do evento.
Visão integrada da economia digital

O setor financeiro vive uma transformação muito mais ampla do que a simples adoção de novas tecnologias. A inteligência artificial já não é mais apresentada como uma inovação isolada. Agora ela faz parte da infraestrutura operacional das organizações. Segurança, identidade digital, dados, pagamentos, computação em nuvem, ativos digitais, sustentabilidade e novos modelos de negócios formam um ecossistema integrado, no qual bancos, empresas de tecnologia, telecomunicações, varejo, indústria e governos compartilham desafios comuns.
E para aproveitar ao máximo a experiência de participar do Febraban Tech 2026, vale a pena se organizar antes mesmo de chegar ao Distrito Anhembi, uma vez que o evento reúne centenas de palestras, painéis, demonstrações de tecnologia e oportunidades de networking ao longo de três dias.
O primeiro passo é realizar a inscrição com antecedência pelo site oficial do evento e acompanhar a programação completa. Como diversas apresentações acontecem simultaneamente em diferentes palcos, analisar previamente as 13 trilhas temáticas e definir quais painéis são prioritários ajuda a montar uma agenda alinhada aos seus interesses e evita perder debates importantes.
Outro ponto é verificar as orientações para retirada antecipada da credencial, quando disponível. Isso reduz filas no primeiro dia e permite entrar no evento com mais agilidade, especialmente nos horários de maior movimento. Também é recomendável baixar o aplicativo oficial do Febraban Tech 2026, disponível gratuitamente para dispositivos Android e iOS, para acompanhar atualizações da programação, localizar auditórios e receber avisos sobre possíveis alterações de horários.
Como a programação é intensa e o espaço do evento é amplo, prefira roupas leves e confortáveis e use um calçado adequado para caminhar durante todo o dia. Levar uma garrafa ou squeeze para se manter hidratado também é uma boa ideia, assim como fazer pequenas pausas entre os painéis para descansar e aproveitar os espaços de convivência.
Reserve tempo para visitar a área de exposição e conversar com empresas, startups e especialistas. Muitas das principais tendências apresentadas no congresso também são demonstradas nos estandes, tornando o networking e as demonstrações tecnológicas uma parte tão importante da experiência quanto as palestras.
Com um bom planejamento, você consegue aproveitar diversas oportunidades durante o Febraban Tech 2026, como participar de palestras técnicas, ampliar conhecimentos, estabelecer conexões estratégicas e acompanhar de perto as inovações que estão moldando o futuro da economia digital.
Acompanhe a cobertura especial do Febraban Tech 2026 no Próximo Nível.
Serviço:
Febraban Tech 2026
Data: 24, 25 e 26 de agosto
Local: Distrito Anhembi , São Paulo – SP, Brasil
