As conexões de internet das coisas (IoT) e máquina a máquina (M2M) cresceram, em 2025, em um ritmo 17 vezes superior ao das conexões de telefonia celular. Em outras palavras, o número de novos dispositivos conectados evoluiu muito mais rapidamente do que o crescimento das linhas de telefonia móvel utilizadas por pessoas. O crescimento da IoT e do M2M deve demandar maior infraestrutura de redes para as cidades inteligentes, um dos principais impulsionadores do incremento.
Os dados são do portal Telesíntese, que destaca a estimativa de investimentos de R$ 48 bilhões nas chamadas cidades inteligentes (smart cities), o que inclui aportes governamentais e privados diretos ou por meio de parcerias público-privadas. Estão nesse rol os investimentos em infraestrutura física, que envolve desde redes de fibra óptica até torres de telefonia móvel, além de outras frentes necessárias ao funcionamento das cidades inteligentes.
É o caso da camada de conectividade, que passa pelas redes tradicionais de telefonia móvel e de satélite, entre outras. A gestão de serviços é a terceira camada, sendo a quarta delas a camada de aplicações adotadas pelos setores público e privado.
Tomada de decisões data driven
O relatório da consultoria Market Research Future mostra a ligação direta entre crescimento de IoT e cidades inteligentes. De acordo com o material, a IoT permite a interconectividade de dispositivos, possibilitando a coleta e análise de dados em tempo real. Essa capacidade é importante para aprimorar serviços urbanos como gestão de tráfego, gestão de resíduos e segurança pública.
De acordo com os especialistas, o mercado de IoT em cidades inteligentes deve crescer a uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 25% de 2023 a 2030, refletindo a crescente dependência de tecnologias inteligentes.
O documento da consultoria indica que as cidades estão utilizando a IoT para otimizar a alocação de recursos e melhorar a eficiência operacional, o que, por sua vez, aprimora a qualidade de vida dos moradores. A proliferação de sensores e dispositivos inteligentes também está facilitando o desenvolvimento de ecossistemas urbanos inteligentes, impulsionando, assim, a demanda por soluções inovadoras no setor global de cidades inteligentes.
Os autores do relatório indicam ainda que a tomada de decisões baseada em dados está emergindo como uma tendência essencial no mercado global de cidades inteligentes. A utilização da análise de big data permite que planejadores e administradores urbanos façam escolhas com base em informações em tempo real. Essa abordagem não só otimiza a alocação de recursos, como também aprimora a prestação de serviços em diversos setores urbanos.
Custos podem limitar adoção de IoT
O site IoT for All destaca, por sua vez, as oportunidades do crescimento de modelos de conectividade híbrida para a cobertura de IoT. É o caso da integração de redes celulares terrestres com comunicações via satélite, ampliando a cobertura da IoT para regiões remotas e carentes. A ascensão de dispositivos 5G RedCap de gama média, voltados a aplicações com menor consumo de energia e custo reduzido, está abrindo novas possibilidades de uso em dispositivos vestíveis (wearables), monitoramento de saúde e sensores industriais.
Além disso, modelos de precificação baseados em API e no uso permitem que as operadoras ofereçam serviços flexíveis, incentivando a inovação e uma adoção mais ampla, segundo os especialistas.
Por outro lado, essa adoção maciça envolve desafios. Os riscos de cibersegurança estão entre eles, uma vez que a vulnerabilidade aumenta à medida que bilhões de dispositivos IoT se conectam à internet, tornando a proteção de dados, a autenticação de dispositivos e a conformidade regulatória preocupações críticas.
Além disso, o alto custo de implantação da infraestrutura de IoT celular, principalmente para pequenas e médias empresas, pode limitar a adoção. Por fim, os padrões globais fragmentados e estruturas regulatórias complexas podem dificultar ainda mais a implantação global integrada.
