Profissional de tecnologia analisando dados de inteligência artificial e gráficos digitais, representando o papel estratégico do Chief AI Officer na inovação empresarial. Foto: ESB Professional / Shutterstock

CAIO: o cargo estratégico que vai dominar o topo das empresas até 2030

4 minutos de leitura

A liderança em IA ganha status estratégico, e o CAIO surge como o executivo-chave para transformar tecnologia em valor de negócio



Por Redação em 29/01/2026

O Chief AI Officer (CAIO), ou diretor-chefe de Inteligência Artificial (IA), é o executivo nível C-suite responsável por definir, liderar e governar a estratégia de IA de uma organização. Ele atua como o ponto máximo de decisão sobre como a inteligência artificial será utilizada para gerar eficiência operacional, fomentar a inovação, desenvolver novos produtos/serviços, e estabelecer vantagem competitiva. Essa combinação de visão estratégica, competência técnica e capacidade de transformação o posiciona como um cargo crescente e essencial nas empresas até 2030.

Seu papel se distingue de funções tradicionais como Chief Information Officer (CIO) ou Chief Technology Officer (CTO), pois seu foco não é primariamente em infraestrutura de TI ou desenvolvimento de software. A função do CAIO é conectar a IA diretamente com a estratégia de negócio. Segundo a IBM, é um cargo com função executiva e expertise técnica focado em orientar o desenvolvimento, definir a estratégia e assegurar a implementação de tecnologias de IA.

Entre suas atribuições centrais, estão:

  • Elaboração da estratégia de IA corporativa: é ele quem define como a inteligência artificial será empregada para gerar valor real, identificando oportunidades de negócio, melhoria da eficiência operacional, e impulsionando a inovação.
  • Governança, ética e compliance de IA: além da perspectiva técnica, o CAIO deve garantir que os projetos de IA sejam implementados com responsabilidade, observando a proteção de dados, transparência, mitigação de vieses e conformidade com regulamentações internas e externas.
  • Fomento à colaboração entre departamentos: a IA impacta múltiplas áreas: marketing, operações, RH, produto, finanças e compliance. O diretor-chefe de Inteligência Artificial atua como ponte entre esses departamentos para coordenar as iniciativas de IA.
  • Formação e liderança de equipes especializadas: cabe a ele recrutar e reter talentos, estruturar times multidisciplinares (dados, engenharia, negócio) e garantir que a empresa desenvolva capacidade interna robusta para IA.
  • Avaliação de resultados e ROI de IA: ele acompanha indicadores-chave de desempenho (KPIs) dos projetos de IA, garantindo que os investimentos demonstrem retorno mensurável e sustentem a adoção de IA em escala.

A adoção global e a trajetória recente da função CAIO

O CAIO é um diretor de IA que têm a missão de gerenciar a complexidade diária para criar novos caminhos e agregar valor à empresa. Apesar da ascensão ser relativamente recente, ela é também expressiva. Segundo levantamento do IBM Institute for Business Value (IBV), em colaboração com a Dubai Future Foundation (DFF) e a Oxford Economics, a proporção de empresas com essa função mais que dobrou no período recente, subindo de 11% em 2023 para 26% em 2025.

A metodologia levou em consideração as perguntas respondidas por mais de 600 CAIOs em 22 regiões geográficas, no primeiro trimestre de 2025. Ainda segundo a pesquisa, trata-se de um trabalho de alto impacto, com potencial para gerar grandes retornos. “Organizações com CAIOs observam um ROI 10% maior em investimentos em IA e têm 24% mais chances de afirmar que superam seus concorrentes em inovação”, revelou.

O mesmo estudo aponta ainda que, dessas empresas, 57% nomearam o CAIO internamente e 66% acreditam que a maioria das organizações terá essa função nos próximos dois anos. Um movimento global que reflete a percepção de que a IA deixou de ser “experimentação” de nicho e passou a ser elemento central da estratégia corporativa, exigindo liderança dedicada para integrar IA em larga escala de forma eficaz e alinhada ao negócio.

O panorama brasileiro

Profissional de tecnologia trabalhando com análise de dados e inteligência artificial em ambiente de escritório com múltiplos monitores.
Foto: Summit Art Creations / Shutterstock / Modificado com IA

No Brasil, a adoção de lideranças de IA também está crescendo. Segundo a pesquisa “Generative AI Adoption Index”, realizada pela AWS em parceria com a Access Partnership, aproximadamente 56% das empresas consultadas já possuem um CAIO ou diretor de IA. 

No entanto, o mesmo estudo mostra que somente 28% dessas organizações têm uma estratégia estruturada para IA, o que revela que somente nomear alguém para esta função não basta, sendo necessário uma certa maturidade para transformar essa liderança em resultados concretos. 

“A IA generativa continua a ser uma das principais prioridades de investimento em 2025, mas o sucesso exige mais do que tecnologia – exige uma liderança forte, as competências certas e uma cultura inovadora”, afirmou Cleber Morais, diretor-geral da Amazon Web Services (AWS) no Brasil, em nota oficial divulgada no Portal Startups.

A implicação é que existe uma oportunidade significativa para o CAIO atuar como agente de transformação, auxiliando empresas brasileiras a avançarem de projetos piloto ou intenções para uma adoção robusta, com governança, planejamento e impacto de longo prazo.

Por que a função será fundamental até 2030?

A importância da função CAIO tende a crescer por motivos estruturais, como:

  • A IA será um diferencial competitivo: as empresas que souberem usar IA com estratégia clara terão vantagem em inovação, eficiência e novos modelos de negócio. Neste sentido, o CAIO será o responsável por converter IA em valor de mercado contínuo.
  • Governança, ética e conformidade crescentes: com o avanço das regulações (como a proposta de Lei Brasileira de IA) e preocupações com privacidade, viés e uso responsável da IA, o CAIO é o profissional que garante que a adoção da IA não resulte em riscos legais, reputacionais ou operacionais.
  • Escalabilidade e integração ampla: IA deixa de ser silo de tecnologia, impactando sobre produto, operações, atendimento, marketing. Neste sentido, o CAIO é o profissional que fará a orquestra para adoção em toda a empresa, promovendo sinergia entre áreas.
  • Cultura de inovação e talento: montar times, treinar pessoas, integrar IA ao escopo da empresa exige liderança contínua. Novamente entra o CAIO em cena para cumprir esse papel.
  • Adaptação a ritmo acelerado: todos sabemos que a IA evolui muito rápido. São novas tecnologias, métodos e regulamentações que surgem constantemente. O diretor de IA é quem garante que a empresa acompanhe essas mudanças sem traumas nem desperdícios.

A tendência é que a função de CAIO deva se estabelecer como uma posição padrão no topo das organizações, com peso similar a outros cargos de C-suite (CFO, CIO, CMO, etc.), especialmente para as empresas com planos de crescimento e modernização com IA até 2030.



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