A Meta apresentou óculos inteligentes equipados com tecnologia de inteligência artificial na Meta Connect, evento anual de desenvolvedores realizado no campus da empresa no Vale do Silício conduzido pelo CEO Mark Zuckerberg. O acessório, chamado Meta Ray-Ban Display, incorpora uma tela colorida de alta resolução em uma das lentes, em que o usuário pode realizar videochamadas, visualizar mensagens e registrar imagens por meio de uma câmera de 12 megapixels.
A empresa também revelou outros modelos que ampliam a linha de wearables em parceria com a Ray-Ban e a Oakley. Entre as novidades está uma pulseira neural capaz de se conectar aos óculos Meta Ray-Ban Display e permitir que usuários executem tarefas como enviar mensagens por meio de discretos gestos de mão. Zuckerberg descreveu o avanço como um grande marco científico.
IA no dia a dia

O executivo reforçou que vê esses acessórios inteligentes como uma das portas de entrada para a integração do Meta AI, a tecnologia de inteligência artificial da empresa, no cotidiano das pessoas. Analistas avaliaram que os óculos inteligentes têm maior potencial de adoção do que o Metaverso, projeto bilionário que busca criar ambientes virtuais imersivos.
O evento ocorreu em meio a investimentos massivos da empresa em infraestrutura de IA. Em julho, Zuckerberg anunciou planos de gastar centenas de bilhões de dólares na construção de data centers nos Estados Unidos, um deles com área quase equivalente à de Manhattan. A iniciativa inclui a contratação agressiva de especialistas de concorrentes, com o objetivo de desenvolver sistemas de IA capazes de ultrapassar a inteligência humana.
Mike Proulx, Diretor de Pesquisa da Forrester, comentou que o formato dos óculos é muito mais fácil de incorporar à rotina do que os headsets de VR, mas que a Meta ainda tem o desafio de convencer as pessoas que não possuem um par de óculos de IA a fazerem este investimento. Lançado no final de setembro, o novo modelo Display chegou ao mercado por US$ 799.
Zuckerberg também apresentou os Oakley Meta Vanguard, voltados para praticantes de esportes e vendidos por US$ 499, e a segunda geração dos Ray-Ban Meta, com preço inicial de US$ 379.
Durante o evento, o CEO da empresa não conseguiu atender uma ligação via WhatsApp pelos óculos, mesmo após diversas tentativas. Ele comentou com os presentes que não sabia o que fazer.
Disputa pelo futuro dos wearables
Além das demonstrações, analistas destacaram que a nova geração de wearables da Meta reforça a disputa por um espaço ainda em aberto no mercado de computação pessoal. Empresas como Apple, Amazon e Samsung também investem em dispositivos de uso contínuo que integrem câmeras, sensores e assistentes de IA, mas nenhuma consolidou um modelo dominante. Para especialistas, a Meta tenta se antecipar à próxima grande plataforma de hardware em busca de um ecossistema em que a IA seja acessada de forma natural, sem depender do smartphone.
Outro ponto que deve influenciar a adoção dos óculos inteligentes é o debate sobre privacidade. Câmeras embutidas em acessórios de uso diário levantam debates sobre a gravação involuntária de pessoas em espaços públicos e privados. Organizações de defesa do consumidor e especialistas em ética digital afirmam que a popularização desses dispositivos exigirá novas regras de transparência, consentimento e sinalização de captura de imagem.
