nuvem tv

Nuvem e convergência ajudam a reter espectador na TV

2 minutos de leitura

Estrutura técnica baseada em nuvem e aglutinação de serviços digitais podem proporcionar recuperação do valor da publicidade, junto a ganho de eficiência operacional



Por Vanderlei Campos em 20/08/2024

O hábito tipicamente brasileiro de trocar posts e mensagens sobre a novela ou o jogo de futebol, na prática, já é uma forma comum de interagir com as mídias. Todavia, a experiência é fragmentada em duas telas, duas redes e modelos de negócio paralelos e concorrentes  – embora com algumas interseções indiretas. As oportunidades trazidas pela tecnologia para que as emissoras ampliem suas alternativas de serviços, assim como suas fontes de receita, foram o eixo do painel TV 3.0: Tecnologia e Negócios, na SET Expo 2024.

Além da qualidade de imagem e áudio da TV 3.0, a tecnologia de transmissão ATSC 3.0 (Advanced Television Systems Committee), definida em julho como padrão no Brasil, embute recursos de customização e relativa interatividade (com as aplicações baixadas no televisor). 

Ainda que seja necessária uma conexão à internet para aplicações altamente interativas, Boris Kauffmann, arquiteto de soluções da AWS, argumentou como a arquitetura de referência para ATSC 3.0, junto à competência dos criadores de serviços, pode proporcionar ao cliente uma experiência integrada, com um gerenciamento central das entregas e do feedback.

O arquiteto mencionou que o avanço da virtualização é um dos direcionadores dessa arquitetura de referência. “Da mesma forma que ocorre a convergência no receptor (TV, streaming e serviços de dados por meio do mesmo dispositivo), também faz sentido a convergência na origem”, afirmou. O especialista em broadcast vislumbra um cenário em que a nuvem funcione como um backbone virtualizado para as operações de TV, cabendo às retransmissoras apenas modular e irradiar o sinal.

Dos reclames à mídia programática

A transformação digital empreendida pelas emissoras, a maturidade das estruturas virtualizadas e em nuvem, junto aos padrões da TV 3.0, trazem um novo equilíbrio ao jogo. Possibilidades como publicidade por microlocalização, com precificação granular, junto a produtos a serem criados, proporcionam às emissoras flexibilidade comercial e reforça a atratividade aos clientes. “O CPM (custo por mil visualizações) da TV tem que ter um valor necessariamente maior. É a maior tela da casa, em uma mídia segura e com credibilidade”, afirmou Bruno Pacheco, CEO da Zedia.

Ele definiu o “Anunciante 3.0” como um cliente que requer métricas, cobra performance, e anseia por novidades, embora seja conservador para testar. “É importante focar em como apresentar resultados aos clientes; estruturar modelos com métricas interessantes”, disse.

Outra figura descrita por Pacheco é a “Concorrência 3.0”, que inclui as big techs, as plataformas públicas e até marketplaces que geram conteúdo e publicidade. Contudo, enfatizou a relevância da TV, que deve ser alavancada com as inovações. 

Em meio a debates sobre as mudanças na tecnologia, nas redes e as grandes transformações na indústria de televisão, Pacheco destacou a importância de alinhar a força de vendas, até para que as oportunidades técnicas se revertam em resultados para as emissoras e afiliadas.

“O maior desafio é dentro de casa, com as equipes comerciais”, resumiu. “O vendedor estava acostumado a receber a compra. Agora o cliente quer uma venda mais consultiva, com mais alternativas de formatos e preço”, concluiu.



Matérias relacionadas

Jovem trabalhando em um escritório com vista para prédios, usando fones de ouvido e anotando em um caderno, no contexto de Autonomia digital. Estratégia

Autonomia digital amplia oportunidades de cooperação e negócios globais

Controle sobre dados e infraestrutura, governança e segurança jurídica criam um ambiente mais previsível para inovação e expansão de serviços

Jozef Síkela, discursando sobre cooperação tecnológica e soberania digital no Future Affairs Forum Estratégia

Brasil e União Europeia ampliam cooperação em tecnologia e regulação 

Parceria avança em conectividade e governança digital para ampliar oportunidades de desenvolvimento e proteção a direitos

Cadeado de segurança metálico em primeiro plano com fundo de código e circuitos, simbolizando proteção e privacidade de dados Estratégia

LGPD avança nas organizações, mas fica concentrada em poucos profissionais e práticas isoladas

Pesquisa do Cetic.br mostra estagnação na nomeação de DPOs e revela que pequenas empresas ainda tratam a proteção de informações como responsabilidade acumulada por proprietários ou equipes de TI

Pessoa jovem em ambiente externo usando exclusivamente um celular, com baixa escolaridade, destacando vulnerabilidade a golpes digitais e fraudes online. Estratégia

Baixa escolaridade e uso exclusivo de celular acentuam vulnerabilidade a golpes

Pesquisa do do Cetic.br mostra que usuários sem letramento e acesso a computador têm menos chance de defesa e sofrem os maiores impactos do uso de seus dados pessoais