A agenda de tecnologia na América Latina entra na segunda metade da década marcada por crescimento consistente e mudança de prioridades entre empresas usuárias de TI. Projeções da IDC indicam que o mercado latino-americano de TI empresarial deve movimentar cerca de US$ 93 bilhões em 2025, avançar para US$ 104,6 bilhões em 2026 e alcançar aproximadamente US$ 117,9 bilhões em 2027, com taxas anuais entre 11% e 13%.
Os números e análises foram apresentados em um webinar promovido pela IDC, no qual diretores de pesquisa da consultoria compartilharam dados consolidados de mercado e resultados de pesquisas realizadas com líderes de TI e executivos de negócios da região.
Segundo Diego Anesini, vice-presidente de pesquisa para a América Latina na IDC, a inteligência artificial é o principal vetor desse crescimento. “O que vemos que está impulsionando o crescimento é tudo o que tem a ver com inteligência artificial, desde hardware, com aceleradores, até segurança, serviços, capacitação e consultoria”, afirmou. Para o executivo, a IA gera efeitos indiretos relevantes, ao pressionar investimentos em dados, analytics e novas formas de organização do trabalho.
Do ponto de vista geográfico, o avanço é relativamente homogêneo entre os principais mercados. O Brasil deve crescer 12,2% em 2025, 12,3% em 2026 e 13,1% em 2027. O México apresenta uma aceleração gradual, saindo de 7,9% em 2025 para 12,5% em 2027. Argentina, Chile, Colômbia e Peru também exibem trajetórias de alta, com taxas anuais entre 8% e 14%.
Novas oportunidades e mudanças de prioridades
Na análise por segmentos do mercado, grande parte das projeções de crescimento se devem a uma digitalização mais ampla das atividades econômicas. Além de verticais tradicionais como serviços financeiros, manufatura, governo, telecomunicações e mídia, áreas historicamente mais conservadoras passam a investir mais em tecnologia. Saúde, energia, recursos naturais e transporte aparecem como setores com crescimento acelerado, impulsionados por casos de uso ligados à inteligência e à automação. “São mercados importantes para a região e onde vamos ver cada vez mais a implementação de casos de uso de inteligência”, destacou Anesini.
As prioridades do lado da demanda refletem esse movimento. Resultados de pesquisas apresentados durante o webinar mostram que 36% dos CIOs apontam o aumento da produtividade como principal prioridade de negócio, seguido pela expansão de automações, com 33%, retenção e aquisição de clientes, com 28%, e redução de custos, citada por 19%.
Pietro Delai, diretor de pesquisas para a América Latina na IDC, observou que o ranking indica maior maturidade dos executivos. “Diferente do passado, quando reduzir custos era a prioridade número um, hoje os executivos estão mais focados em melhorar produtividade de forma sustentável”, afirmou.
Segundo ele, levantamentos globais da IDC com CEOs já indicam a experiência do cliente como prioridade número um, tendência que começa a se refletir também na América Latina.
