Pessoa segurando representações digitais de ícones ligados à sustentabilidade, como energia renovável, reciclagem e redução de CO₂, com um cérebro digital no centro, simbolizando a integração entre IA e ESG. Foto: Nikon/ Adobe Stock/ Modificada com IA

Consultoria mapeia oportunidades e ameaças da IA para meio ambiente, trabalho e compliance

3 minutos de leitura

Ao mesmo tempo em que viabiliza práticas mais sustentáveis e éticas, tecnologia traz riscos que ainda devem ser incorporados a frameworks de ESG



Por Redação em 02/10/2025

As diversas modalidades de Inteligência Artificial permitem fortalecer a execução das estratégias de responsabilidade ambiental, social e governança. Na agropecuária, a combinação de IoT e IA pode minimizar o impacto ambiental com agricultura de baixo carbono. Já em segurança no trabalho, as aplicações vão desde visão computacional para conferir uso de EPIs (equipamentos de proteção individual) a drones para tarefas perigosas, insalubres ou de baixa remuneração. Em seu uso mais comum, as ferramentas de IA são excelentes para processar grandes volumes de documentação, acompanhar atualizações de normas, e outras rotinas de compliance. Além de otimizar a gestão tributária, trabalhista e operacional, em vários casos as análises se estendem a riscos ambientais ou reputacionais nas cadeias de valor.

Em paralelo a todo esse potencial, a IA também traz efeitos adversos sobre o mercado de trabalho, o meio ambiente, além de levantar questões de ética e compliance. Nesse último item, há ainda o desafio de atuar conforme contornos ainda em definição, tanto por parte de legislação e regulação quanto de autorregulações setoriais. “Embora possa ajudar empresas a atingir metas de sustentabilidade e governança, a IA também traz riscos sérios que os atuais frameworks de ESG não abordam completamente”, adverte Louisa Meliksetyan, consultora da Enhesa e autora do e-book IA sob as lentes de ESG.

No e-book, a especialista oferece uma análise detalhada sobre a rápida integração da IA em diversos setores, apontando tanto oportunidades quanto desafios para as agendas de ESG. A publicação busca explicar como as empresas podem atender a requisitos legais, éticos e de sustentabilidade, à medida que a relação entre a inteligência artificial e os pilares ambiental, social e de governança continua a evoluir. A análise abrange a necessidade de alinhar o uso da IA com objetivos sustentáveis, a aplicação prática da tecnologia em contextos reais de ESG e sua presença em cada um dos três pilares.

Segundo a autora, a IA em seu formato atual funciona como uma faca de dois gumes para as práticas de ESG. Embora possa trazer benefícios transformadores, como eficiência em diversos departamentos e processos de governança, sua integração rápida e em larga escala também introduz riscos complexos. O relatório aponta custos ambientais, alto consumo energético, substituição de mão de obra, viés algorítmico, questões éticas e falhas de governança.

Riscos ao meio ambiente e ao trabalho

Profissional de tecnologia analisando dados de IA focados em sustentabilidade e responsabilidade social, promovendo práticas de ESG
Foto: Andrey Popov/ Adobe Stock

Apesar de melhorar a gestão ambiental, o uso de IA deixa uma pegada significativa no uso de energia, água e emissões. De acordo com a PwC, a IA pode ser responsável por até 15% das emissões globais de gases de efeito estufa até 2040. Por isso, é crucial que as empresas avaliem se realmente precisam de inteligência artificial para suas tarefas. Nem todas as funções exigirão modelos grandes e complexos. Algoritmos menores e mais eficientes ou métodos clássicos de aprendizado de máquina podem ser suficientes para atividades como extração de dados e análise de tendências.

No mercado de trabalho, mais do que a redução no número de vagas, Louisa Meliksetyan chama atenção ao aumento da rotatividade. Quando tarefas padronizadas, ainda que dependam de algum nível de cognição e discernimento, são automatizadas, o tempo de aprendizado e treinamento cai, e o custo de substituição de trabalhadores se torna menor. A capacidade de ML (aprendizado de máquina) ou o uso dos prompts para treinamento das IAs internas, por sua vez, reduz a evasão de valor com o desligamento de um funcionário.

A autora defende que, para usar a IA de forma responsável, as empresas precisam ir além da conformidade básica e adotar uma postura proativa. É essencial estabelecer supervisão humana adequada para mitigar possíveis erros da IA, cumprir os requisitos legais para o uso da tecnologia em contextos específicos e garantir transparência nos dados e na tomada de decisão. A criação de políticas internas claras para implementação em toda a organização completa esse conjunto de medidas.

Frameworks incipientes e sinalizações da transição

Enquanto fóruns e reguladores ainda desenvolvem recomendações e regras, a especialista argumenta que o uso de IA deve seguir desde já o conceito de “ESG na concepção”. A abordagem pode abranger desde as decisões técnicas ao design dos produtos e processos.

Na fase inicial dos projetos, uma boa definição do escopo pode endereçar, ao mesmo tempo, tanto a eficiência energética quanto a simplificação da gestão de risco.A abordagem proativa defendida pela autora do estudo converge com a estratégia em execução por DPOs brasileiras que aproveitam a LGPD e a forte regulação de seus setores como uma referência de sustentabilidade dos projetos, com alta probabilidade de conformidade a futuras regulações. “A adoção dessas práticas ajudará as empresas a aproveitar todo o potencial da IA, mantendo-se alinhadas aos seus compromissos de ESG e preparadas para futuros desenvolvimentos, incluindo a possível integração da IA como um indicador específico dentro desses frameworks”, afirma Louisa Meliksetyan.



Matérias relacionadas

Mulher urbana usando jaqueta de pelúcia vermelha, com celular na mão, ao lado de um bonde amarelo na rua durante pôr do sol, ambiente de cidade moderna com pessoas ao fundo. Inovação

IA baseada em texto não equivale à inteligência humana, avaliam especialistas

Modelos de linguagem se baseiam na previsão de padrões de texto e não reproduzem os processos cognitivos da inteligência humana

Homem trabalhando em ambiente de escritório ilustrando a implementação da IA no RH Inovação

Do operacional à estratégia: como a tecnologia redefine o RH

Integração da tecnologia aos processos de recursos humanos acelera atividades operacionais e permite monitoramento de índices como o de inclusão e diversidade

Pessoa segurando um celular com uma interface digital relacionada a pagamentos, segurança e autenticação digital, conceito de pagamentos eletrônicos e IA agêntica nos pagamentos. Inovação

IA agêntica, tokenização e identidade digital redesenham os pagamentos para 2026

Executivos projetam um ecossistema em que agentes de IA passam a executar decisões, com avanços em tokens, identidade digital e adequação da segurança às novas experiências de consumo e modelos de negócios

Rodrigo Marques, CEO da Claro, e Raj Mirpuri, VP, sorrindo e apertando as mãos em evento corporativo Inovação

Claro é a primeira NVIDIA Cloud Partner na América Latina e, em parceria com a Oracle, acelera IA soberana no Brasil

Robusta infraestrutura ajuda a habilitar o desenvolvimento de modelos de IA soberana e torna a comercialização da IA mais competitiva

    Embratel agora é Claro empresas Saiba mais