Reunião em ambiente corporativo em escritório moderno com equipe conversando e colaborando ao redor de uma mesa com notebook e quadro branco ao fundo. Imagem gerada digitalmente

IAs especializadas avançam no ambiente corporativo

3 minutos de leitura

Empresas ampliam o uso de soluções voltadas a setores e tarefas específicas, enquanto IA agêntica, sistemas multimodais e RAG ganham espaço



Por Redação em 08/10/2026

O avanço do uso da inteligência artificial generativa nas empresas começa a ser acompanhado por uma nova etapa: a adoção de ferramentas cada vez mais especializadas. Pesquisa da consultoria Michael Page, que ouviu mais de 60 mil profissionais em 36 mercados, mostra que 64% dos entrevistados afirmaram usar IA generativa em suas atividades. No ano anterior, o percentual era de 45%, ante 30% em 2024. 

O levantamento global mostra ainda que o mercado corporativo está valorizando competências que podem ser apoiadas pela IA generativa, entre elas a resolução de problemas complexos e a capacidade de tomada de decisão. As informações são de reportagem da Época Negócios, que destaca que essas características são esperadas principalmente de profissionais com maior senioridade.

Senioridade e IA generativa formam uma boa dupla, segundo os especialistas, uma vez que fazer as perguntas certas, avaliar as respostas e decidir como utilizar os resultados está entre os diferenciais no uso da tecnologia.

De olho nessas oportunidades, empresas de tecnologia estão desenvolvendo soluções de IA generativa mais especializadas, como é o caso do Google Cloud, que criou opções voltadas a setores como o financeiro e o jurídico.

Suporte específico para advogados

Advogado em uma sala de atendimento jurídico, assinando ou analisando documentos enquanto uma equipe conversa ao redor de uma mesa com balança de justiça ao fundo.
Foto: David Gyung / Shutterstock

Segundo comunicado oficial da empresa, o Gemini Enterprise for Legal é uma solução de IA com agentes, de nível empresarial, desenvolvida especificamente para os requisitos e fluxos de trabalho complexos do setor jurídico. A ferramenta inclui, entre outros recursos, habilidades especializadas para advogados, conectores para sistemas jurídicos e um ecossistema de parceiros em expansão com agentes terceirizados.

Na prática, a solução pode ajudar, por exemplo, no monitoramento proativo do cenário regulatório, mantendo as equipes jurídicas e de compliance à frente das exigências globais, acompanhando de forma autônoma as atualizações legislativas, os processos judiciais e os órgãos de supervisão. O suporte da IA permite cruzar mudanças emergentes com as políticas da empresa para identificar possíveis lacunas de exposição e gerar versões atualizadas desses documentos para revisão pelos profissionais da área.

Outra aplicação está na revisão e elaboração de contratos. A ferramenta pode auxiliar na criação de acordos de confidencialidade e de documentação relacionada a fusões e aquisições, além de comparar termos com as práticas adotadas pela empresa. O objetivo é facilitar a identificação de cláusulas de maior risco e possíveis exposições, permitindo que os advogados concentrem seus esforços em negociações estratégicas e decisões de maior complexidade.

No caso dos acordos de confidencialidade, a IA também pode apoiar a validação da estrutura dos documentos, considerando os padrões e as hierarquias estabelecidos pela organização. Segundo a empresa, esse uso permite que as equipes jurídicas criem e desenvolvam esses contratos rapidamente, com segurança na formatação e o mínimo de trabalho de revisão.

Agentes, multimodalidade e RAG ganham espaço

Agentes com multimodalidade e RAG, conectando ícones de IA, servidores e documentos por meio de uma rede de dados e um cérebro em destaque
Ilustração digital

Levantamento recente do site Simplilearn indica a maior aplicação da IA agêntica em substituição à IA generativa. São sistemas capazes de trabalhar a partir de objetivos, dividi-los em etapas, utilizar diferentes ferramentas e executar tarefas com menor necessidade de intervenção humana.

Entre as aplicações reais está a governança de IA, uma iniciativa que organiza o uso de vários agentes dentro das organizações. De acordo com a publicação, espera-se que grande parte dos projetos-piloto de IA agêntica em andamento seja arquivada até 2027 sem a devida supervisão e um retorno sobre o investimento mensurável. Nesse cenário, habilidades relacionadas à governança e à avaliação dos sistemas tendem a ganhar relevância ao lado das competências necessárias para o desenvolvimento dos próprios agentes.

Outro exemplo é a IA multimodal, formada por sistemas capazes de processar diferentes formatos de informação. A tecnologia pode ser aplicada para reduzir gargalos em fluxos de trabalho de suporte, além de atuar em atividades relacionadas a controle de qualidade e conformidade.

Já o enterprise RAG (Retrieval-Augmented Generation) é uma abordagem que permite fundamentar as respostas dos modelos de IA em documentos e bases de informação da própria empresa, inclusive com a indicação das fontes utilizadas. Para os especialistas citados pela publicação, essa é uma das aplicações especializadas com potencial de adoção em larga escala.



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