Smart cities combinam eficiência operacional e qualidade de vida

O conceito de cidade inteligente deixa de ser promessa futurista para se tornar ferramenta de eficiência, sustentabilidade e qualidade de vida nas cidades brasileiras



Por Redação em 01/07/2026

Quando se fala em cidades inteligentes, a imagem de carros voadores e cenários futuristas, como os retratados no desenho animado Os Jetsons, ainda domina o imaginário popular. Na prática, porém, a transformação urbana, já em curso, passa por soluções mais tangíveis: iluminação pública conectada, sensores de saneamento, semáforos inteligentes, monitoramento ambiental e redes móveis de alta capacidade. Nesse sentido, a Smart City se traduz na integração entre a infraestrutura física e os dados gerados por ela, com a finalidade de tornar os serviços públicos mais eficientes e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

O tema foi debatido no episódio “Cidades Inteligentes: Como o 5G transforma o dia a dia?”, do podcast Próximo Nível, da Claro empresas. Durante a conversa, especialistas destacaram que a inteligência urbana não está associada apenas à adoção de tecnologias avançadas, mas à capacidade de integrar diferentes sistemas da cidade para reduzir desperdícios, otimizar recursos e antecipar problemas em áreas como mobilidade, saneamento, energia, segurança pública e adaptação climática.

Iluminação pública como ponto de partida

Embora as cidades inteligentes envolvam uma ampla gama de tecnologias, a iluminação pública tem se consolidado como a porta de entrada para essa transformação. Além de substituir luminárias convencionais por equipamentos mais eficientes, a infraestrutura dos postes se tornou uma base para conectar novos serviços urbanos.

Segundo os especialistas, sistemas inteligentes de iluminação podem reduzir em até 50% o consumo de energia destinado à iluminação urbana, gerando economia imediata para os municípios. A iluminação pública se torna, nesse novo ordenamento da cidade, um ponto de conexão para câmeras de videomonitoramento, sensores ambientais, semáforos inteligentes, sistemas de estacionamento conectado e equipamentos voltados à segurança pública.

Diante desse desempenho, José Roberto Serenini, Head de Vendas IoT/M2M da Claro empresas, define a iluminação pública como a mola propulsora das smart cities. Segundo o executivo, ela pavimenta a hiperconectividade ao constituir a primeira camada de uma gestão urbana mais inteligente e voltada ao bem-estar dos cidadãos. 

O papel do 5G na hiperconectividade das cidades

A expansão das redes móveis, especialmente do 4G e do 5G, também foi destacada como um dos fatores que viabilizam a estruturação de cidades inteligentes. Com alta capacidade de transmissão de dados, baixa latência e grande disponibilidade de conexão, essas redes permitem que milhares de dispositivos operem simultaneamente em tempo real.

Uma das funcionalidades do 5G é o chamado “slice de rede”, ou fatiamento de rede, destacado por Serenini como um recurso para aumentar a eficiência da gestão urbana. A tecnologia permite reservar diferentes níveis de prioridade para cada aplicação. Na prática, ambulâncias, bombeiros e sistemas de emergência podem contar com conectividade dedicada. Assim, a hiperconectividade amplia a qualidade dos serviços prestados à população, ao priorizar aplicações críticas que exigem alta disponibilidade e baixa latência. 

O CEO da Constanta Industrial, Roberval Tavares lembra que a chegada do 5G trouxe ao mercado uma massa de dados muito maior devido à possibilidade de conectar mais dispositivos ao mesmo tempo. Esse movimento permitiu que plataformas construídas sob esse ecossistema gerassem um volume muito maior de informações para os gestores. Com isso, cresceram também as plataformas voltadas à gestão de iluminação, água, gás, energia, entre outros. A expansão também chegou aos consumidores, que podem ter informações sobre seu consumo e interações por meio de aplicativos conectados. Tavares exemplifica: o aplicativo informou que houve um aumento no consumo de água incomum e, por isso, indica que pode haver um vazamento.

“Essa interação é muito importante para que você tenha inteligência no todo, não apenas em um ponto ou outro. Assim, você consegue mapear todo o ecossistema e trazer a inteligência para o usuário final, que no final do dia é a qualidade de vida dele que importa”, explicou o CEO da Constanta Industrial.

Dados para melhorar serviços e reduzir desperdícios

A conectividade também tem transformado setores que enfrentam desafios históricos. No saneamento, por exemplo, a tecnologia permite monitorar a distribuição de água potável em um cenário que, segundo Tavares, registra perdas médias de cerca de 40% no Brasil, índice que pode chegar a 70% em alguns municípios. 

O mesmo conceito se aplica à energia elétrica, ao gás e à mobilidade urbana. Plataformas integradas acompanham o desempenho desses sistemas em tempo real, auxiliando gestores públicos na tomada de decisões e antecipando falhas antes que elas impactem a população.

A eletrificação da frota também ganha espaço nesse contexto com veículos cada vez mais conectados. Segundo Serenini, as montadoras desejam entender como os compradores utilizam seus veículos para fazer ajustes mais alinhados às necessidades dos clientes. Com cidades conectadas, o acesso a informações sobre o comportamento do consumidor se torna mais fácil. A tendência prevista por ele é de que as cidades passem a compartilhar dados com as montadoras. Como resultado, as montadoras conseguem oferecer produtos mais personalizados e a prefeitura consegue elaborar soluções para a cidade com base nas informações obtidas.  

“Não adianta ter inteligência do dado indo do cidadão para a cidade, se não houver retorno da cidade para o cidadão”, afirmou Serenini.

Tendências tecnológicas

Para a futurista Daniela Klaiman, uma das principais tendências para os próximos anos é o uso crescente da tecnologia para aumentar a resiliência das cidades diante das mudanças climáticas.

A primeira tendência apontada por ela é o conceito de “anti-apocalypse cities”, baseado na utilização de dados em tempo real para monitorar enchentes, riscos urbanos e sistemas de drenagem antes que os problemas se agravem. Sensores distribuídos pela cidade poderão alertar autoridades e cidadãos com antecedência, reduzindo impactos de eventos extremos.

A segunda tendência é chamada de “smart lighting”. Nesse modelo, os postes deixam de ser apenas pontos de iluminação e passam a funcionar como plataformas distribuídas de conectividade, sensores e gestão urbana. Eles podem hospedar câmeras, sensores ambientais, pontos de recarga para veículos elétricos e infraestrutura de conectividade 5G.

Já a terceira tendência, denominada “P2P Energy”, prevê uma descentralização crescente da produção energética. Com a combinação de smart grid, medidores inteligentes, IA e plataformas digitais, consumidores poderão produzir energia em suas residências e comercializar excedentes com vizinhos e comunidades próximas.

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