O Web Summit Rio 2026 acontece em um momento em que a corrida pela inteligência artificial começa a mudar de foco: empresas e governos passaram a disputar capacidade computacional, energia e infraestrutura para sustentar a próxima fase da tecnologia. Depois de anos marcados pela explosão da inteligência artificial generativa e pela corrida para incorporar algoritmos em produtos e serviços, o setor entra agora em uma nova etapa, menos orientada pelo impacto inicial da novidade e muito mais focada em escala operacional, conectividade e resiliência tecnológica.
A edição de 2026 do que é considerado o maior evento de tecnologia da América Latina tende a refletir esse novo momento do mercado. Se nas últimas edições o debate esteve concentrado em startups, crescimento acelerado e inovação digital, agora o foco se desloca para questões mais estruturais, como automação inteligente, capacidade computacional, soberania tecnológica, consumo energético e segurança digital.
Além de uma vitrine para tendências, o Web Summit Rio 2026 deve funcionar como um retrato das forças que começam a redefinir a economia digital global. A inteligência artificial continua no centro das discussões, mas agora conectada a temas como data centers, chips avançados, energia para infraestrutura computacional, regulação algorítmica e riscos associados à automação em larga escala.
A programação já sinaliza essa mudança de direção: a inovação deixa de ser tratada apenas como camada de software e passa a aparecer cada vez mais como infraestrutura crítica.
A IA em uma nova fase

A tendência é que a IA continue sendo a protagonista do Web Summit Rio 2026, mas, se antes a atenção estava voltada para ferramentas generativas e aplicações voltadas à produtividade, agora o mercado começa a discutir sistemas autônomos capazes de executar tarefas, tomar decisões e operar fluxos completos de trabalho com mínima interferência humana.
A chamada “Agentic AI” tende a ser um dos conceitos mais presentes nos painéis e debates do evento, mostrando uma mudança importante na relação entre empresas e inteligência artificial. Parte do mercado começa a discutir aplicações menos assistivas e mais orientadas à execução de tarefas. Neste novo momento ela passa a atuar como agente operacional dentro de plataformas, softwares corporativos e estruturas de automação.
Essa transformação tende a impactar áreas como atendimento, análise de dados, desenvolvimento de software, operações financeiras e produtividade empresarial. Ao mesmo tempo, surge uma nova discussão sobre o futuro do trabalho e os limites da automação corporativa.
A programação do Web Summit Rio 2026 já indica a força desse movimento. Sessões como “Autonomia é tudo o que você precisa”, “Agentes de IA”, “Futuro do trabalho”, “Quem testa a IA?” e “Integrando IA nas empresas” mostram como esta edição pretende explorar o avanço da inteligência artificial para além do hype inicial da geração de conteúdo.
O tema ganha ainda mais relevância porque o mercado começa a sair da fase experimental da IA. Grandes empresas agora enfrentam o desafio de implementar automação em larga escala, sustentando operações complexas, infraestrutura computacional e segurança de dados.
Infraestrutura computacional deixa de ser invisível
Durante muitos anos, a tecnologia vendeu a ideia de inovação como algo essencialmente digital, leve e quase abstrato. Mas, a expansão acelerada da inteligência artificial recolocou no centro da discussão um tema menos visível e muito mais estratégico: infraestrutura computacional.
O Web Summit Rio 2026 pretende aprofundar debates sobre data centers, cloud computing, conectividade, capacidade de processamento e chips avançados, mostrando que a nova corrida tecnológica global não acontece apenas no software. Ela depende diretamente da infraestrutura capaz de sustentar sistemas cada vez mais exigentes em processamento e armazenamento.
A explosão da IA ampliou drasticamente a demanda por capacidade computacional, transformando data centers e semicondutores em ativos estratégicos da economia digital. Isso também aumenta a discussão sobre concentração tecnológica e soberania digital.
O tema “infraestrutura digital” atravessa praticamente todas as áreas da programação ligadas à inteligência artificial, cloud, escalabilidade e plataformas digitais. A tendência é que o evento amplie o debate da nova fase da tecnologia em que infraestrutura deixa de ser suporte técnico e passa a ocupar posição central na economia digital.
O impacto energético da inteligência artificial entra no radar

Outro tema que tende a ganhar destaque no Web Summit Rio 2026 é a relação entre tecnologia e energia. O crescimento acelerado da IA gerou um aumento expressivo no consumo energético global, especialmente em função da expansão de data centers e do treinamento de modelos avançados. Esse cenário faz com que climate tech e infraestrutura energética tenham maior relevância estratégica dentro da indústria de tecnologia. O debate deixou de ser apenas ambiental e ligado ao ESG para envolver questões econômicas e operacionais.
A discussão sobre eficiência energética, infraestrutura verde e sustentabilidade computacional deve aparecer de forma transversal em diferentes trilhas do evento. O Web Summit Rio 2026 tende a levantar a questão central para a próxima década: como sustentar o crescimento da computação global sem ampliar proporcionalmente o impacto energético dessa expansão? A programação sinaliza que essa conexão entre inteligência artificial, infraestrutura e energia esteja entre os principais pontos dos debates.
Fintechs entram na era da automação inteligente
As fintechs continuam entre os principais pilares do Web Summit Rio 2026, mas o setor financeiro também vive uma transformação importante impulsionada pela inteligência artificial. A expectativa é que os painéis discutam desde banking as a service até inovação em crédito, open finance e infraestrutura financeira baseada em IA.
O setor financeiro aparece como um dos ambientes mais propícios para automação em larga escala, principalmente porque já opera com grandes volumes de dados estruturados. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com golpes digitais, fraudes sintéticas, deepfakes financeiros e ataques automatizados.
Entre os nomes já confirmados para a programação estão lideranças de empresas que moldam o mercado financeiro global, como David Vélez, Nik Storonsky, Monica Long e Tarciana Medeiros.
Segurança digital é prioridade

Diante do aumento no nível de sofisticação das ameaças digitais, o Web Summit Rio 2026 deve trazer debates sobre deepfakes, identidade digital, fraude automatizada, cibersegurança corporativa e uso de IA defensiva para proteção de sistemas críticos. O tema atravessa diferentes trilhas do evento, especialmente as ligadas a fintech, inteligência artificial e governança digital.
Em meio ao avanço de sistemas capazes de gerar imagens, vozes e conteúdos sintéticos, o que gerou novos desafios para empresas, governos e plataformas digitais, essa deixou de ser apenas uma preocupação técnica e passou a ocupar posição central na estabilidade operacional. A tendência é que o evento mostre como a disputa tecnológica global também se tornou uma disputa por confiança digital.
Regulação tecnológica ganha espaço
Outro eixo importante do Web Summit Rio 2026 será a discussão sobre governança e regulação da inteligência artificial. À medida que a IA avança para áreas mais estratégicas da economia, cresce também a pressão por mecanismos de controle, transparência e responsabilidade algorítmica.
A programação do evento conta com temas ligados ao AI Act europeu, à regulamentação brasileira de inteligência artificial, compliance digital e soberania tecnológica. Painéis como “Encontro sobre IA em tecnologia jurídica” e “Da ansiedade à vantagem: IA e governança cibernética” reforçam a expectativa de que o debate regulatório ocupe posição central na edição de 2026. A tendência é que o debate ultrapasse a tentativa de limitar riscos associados à inteligência artificial, envolvendo temas como competitividade econômica e capacidade tecnológica.
O que esperar do Web Summit Rio 2026
A expectativa é que a edição de 2026 marque uma mudança na forma como o setor tecnológico discute inovação. Durante muitos anos, o mercado esteve concentrado em crescimento acelerado, plataformas digitais e expansão de startups. Agora, a indústria entra em uma fase mais madura, estrutural e crítica. Além da tecnologia, o evento traz temas que envolvem todo o ecossistema, como energia, infraestrutura, automação, segurança digital e soberania computacional.
A programação reúne executivos ligados a IA, cloud, fintechs e economia digital. Entre os destaques estão: Mati Staniszewski, referência global em inteligência artificial generativa de voz; Christian Rôças, líder de comunidade e talentos da OpenAI no Brasil; além de Fábio Coelho, presidente do Google Brasil e vice-presidente da companhia na América Latina.
A programação também contará com executivos ligados ao avanço da IA, computação em nuvem, fintechs e transformação digital. Estão entre os participantes Michele Catasta, presidente e head de IA da Replit; Marcio Aguiar, diretor executivo da NVIDIA para a América Latina; Fernando Miranda, CEO do banco digital Neon; e Neil Patel, um dos especialistas em marketing digital mais influentes do mundo.
O evento ainda pretende ampliar as discussões sobre empreendedorismo, mídia, creator economy e investimentos. Nomes como Nick Thompson, CEO da revista The Atlantic, Patricia Muratori e Santiago Fossatti reforçam a diversidade temática dos palcos do encontro.
Pelo quarto ano seguido, a Claro empresas participa como parceira tecnológica oficial do evento. Ao lado do beOn, a companhia prepara uma programação com palestras voltadas para inteligência artificial, cloud computing, dados e open innovation, além de outros temas ligados à transformação digital dos negócios.
Dicas para quem vai participar presencialmente
Com milhares de pessoas circulando diariamente pelo Riocentro, dezenas de palcos funcionando simultaneamente e uma programação intensa ao longo de todo o dia, planejamento e organização fazem diferença para aproveitar melhor a experiência.
Pensando nisso, algumas dicas podem ajudar quem vai acompanhar o evento presencialmente no Rio de Janeiro.
- Retire sua credencial antecipadamente
Uma das recomendações mais importantes para quem vai ao Web Summit Rio 2026 é retirar a credencial o quanto antes. O evento costuma reunir um grande fluxo de participantes logo nas primeiras horas da manhã, o que pode gerar filas extensas no credenciamento. Fazer a retirada antecipada ajuda a economizar tempo e evita perder palestras importantes logo no início da programação. Dependendo da agenda escolhida, alguns auditórios podem atingir lotação rapidamente, especialmente em sessões ligadas à inteligência artificial, fintechs e inovação corporativa.
- Defina prioridades
O evento oferece tantas possibilidades simultâneas que tentar acompanhar tudo pode acabar sendo improdutivo. Por isso, vale a pena definir previamente quais serão as prioridades da participação. Alguns visitantes preferem focar em palestras e debates, enquanto outros aproveitam o evento principalmente para networking, reuniões ou visitas à área de expositores e startups. Ter clareza sobre os objetivos ajuda a organizar melhor a agenda e evita deslocamentos desnecessários entre os pavilhões do Riocentro, que costuma exigir bastante caminhada ao longo do dia.
- Acompanhe a programação em tempo real
Outro ponto importante é acompanhar a programação oficial do evento. No Web Summit, assim como em qualquer outro evento, mudanças de horários, palestrantes e sessões podem acontecer ao longo do dia. Por isso, é fundamental ficar atento aos painéis espalhados pelo evento e também ao aplicativo oficial, que funciona como principal ferramenta de atualização em tempo real. Além de evitar desencontros, acompanhar a programação permite identificar sessões extras, alterações de auditório e conteúdos que podem surgir de última hora.
- Vá preparado para caminhar bastante
Quem participa do Web Summit presencialmente precisa se preparar para passar horas circulando entre auditórios, áreas de networking, estandes e espaços de convivência. O Riocentro possui uma estrutura ampla e o deslocamento entre os diferentes palcos pode exigir longas caminhadas ao longo do dia. Por isso, escolher roupas leves e calçados confortáveis faz diferença para manter o ritmo durante a programação. Pode parecer um detalhe simples, mas conforto é essencial em um evento que normalmente começa cedo e segue até o fim da tarde (isso sem contar que podem surgir programações).
- Leve apenas o necessário
A segurança do Web Summit costuma ser bastante rigorosa, com controle de acesso e revista na entrada do evento. Participantes com mochilas, bolsas maiores ou muitos equipamentos geralmente passam por filas específicas de inspeção, o que pode aumentar o tempo de espera. Por isso, a recomendação é levar apenas o essencial para o dia. Além de agilizar a entrada, isso também facilita a mobilidade dentro do evento.
O Web Summit Rio 2026 acontece entre os dias 8 e 11 de junho, no Riocentro, na cidade do Rio de Janeiro.
