Apesar de ser frequentemente associada a uma automação ou digitalização da operação industrial, a indústria 4.0 tem se consolidado como um modelo baseado na integração inteligente de dados, pessoas e processos. Essa foi a visão abordada por especialistas do setor de bens de consumo e da siderurgia durante o episódio “Integração de Dados: o principal motor da indústria 4.0”, do podcast Próximo Nível, da Claro empresas.
O debate abordou desde momentos de reflexão sobre o futuro da indústria até o papel da hiperconectividade, deixando em evidência que o diferencial competitivo das empresas não está mais na adoção de ferramentas digitais isoladas, mas na capacidade de articular tecnologias em um ecossistema integrado.
Embora cerca de 69% das indústrias brasileiras já utilizem ao menos uma tecnologia digital, segundo dados mencionados no podcast, o nível de maturidade ainda é desigual. O desafio atual não é mais implementar soluções, mas transformá-las em inteligência operacional. Nesse cenário, conectividade, 5G, inteligência artificial e capital humano passam a compor, de maneira integrada, a base estrutural das operações industriais.
Automação, integração e maturidade
Segundo a CIO para países emergentes da Reckitt, Alaine Charchat, a transformação da indústria no passado era relacionada à robotização da fábrica. No entanto, com a evolução do conceito, a questão já não se restringe mais a automatizar atividades, mas em como acrescentar os componentes de inteligência e pensamento humano com o objetivo de ter uma fábrica integrada com capacidade de gerar valor para a companhia.
Alaine acredita que quando os dados atravessam as diferentes áreas da empresa e se convertem em insights, ajudam a organização a estruturar uma “conectividade inteligente”, como definiu.
Na prática, isso significa que fábricas deixam de operar como unidades isoladas e passam a funcionar como sistemas interconectados. A integração entre áreas como produção, logística, qualidade e planejamento permite que decisões sejam tomadas com base em informações compartilhadas e em tempo real.
Somado à conexão entre sistemas e dados, os executivos reforçaram a importância de incorporar o conceito de inovação entre os colaboradores. Para o CIO da Usiminas, Fernando Adrian Carrizo, o tema não pode ser propriedade de uma só área, como a de TI, deve ser abordado pelos funcionários de toda a companhia.
Outro ponto destacado no podcast foi o nível de maturidade da empresa, tanto do ponto de vista tecnológico quanto da perspectiva de análise das próprias competências. Carrizo apontou que é preciso alinhar as prioridades da organização às capacidades das tecnologias. Alaine reforçou que “nem sempre é sobre ter o budget para investir, mas sobre a capacidade e maturidade (readiness) do negócio”. Para ela, a empresa deve avaliar os impactos que a tecnologia vai gerar na autonomia, na resiliência, na sustentabilidade, além de avaliar se há um “use case” que faça sentido para a companhia.
Hiperconectividade e 5G

O episódio abordou ainda a questão da hiperconectividade como um dos componentes e habilitadores da Indústria 4.0. Nesse contexto, tecnologias como o 5G ampliam a capacidade de transmissão de dados em tempo real, viabilizando aplicações mais complexas dentro do ambiente industrial.
Esse avanço se reflete diretamente em operações de grande escala, já que a conectividade permite monitoramento contínuo, automação e integração entre sistemas. Isso se traduz em três pilares do ambiente industrial apontados pelo diretor de vendas da Claro empresas, Alexandre Mello: eficiência, segurança e sustentabilidade.
Segundo o executivo, “a partir do momento em que se pavimenta essa estrada da tecnologia com a hiperconectividade, você consegue convergir uma série de vantagens competitivas e ganhos operacionais que tornam a liderança de mercado previsível. E é isso que todos buscam: parceiros confiáveis que estão presentes, contribuindo para que sua operação tenha fluidez, economicidade e inovação contínua.”
Dessa forma, a hiperconectividade é vista por Mello como mais que um habilitador digital, tornando-se um “ativo extremamente valioso para a indústria”.
A era das self-optimizing operations
A conversa contou também com a visão da futurista e consultora de inovação Daniela Klaiman, que indica que a indústria está entrando na era das “self-optimizing operations”, na qual as máquinas e os sistemas não apenas executam tarefas, mas aprendem, se atualizam e se ajustam sozinhos.
Nesse cenário, Daniela destacou três pontos que compõem essa nova era: conectividade que vira ativo (o Porto de Qingdao, na China, é usado como exemplo desse uso para operar maquinários remotamente e garantir segurança e produtividade); automação com aprendizado (incorpora inteligência como em usos de digital twins para testar linhas de produção e realizar manutenção preditiva); e monitoramento contínuo com respostas em tempo real.
Na visão dela, o mais interessante é que esse processo não se dará por meio de implementação de uma fase por vez. Haverá uma “supraintegração”, ou seja, uma combinação de diversas tecnologias que integram desde o chão de fábrica até os sistemas corporativos.
Ouça o episódio completo do podcast Próximo Nível e confira os detalhes da conversa com a Reckitt e a Usiminas.
