Pessoa usando smartphone com ícones de inteligência artificial no varejo, destacando tecnologia e inovação no comércio digital. Imagem gerada digitalmente

IA ganha espaço no varejo: cinco tendências em destaque

3 minutos de leitura

Estudo revela gargalos e oportunidades no uso da tecnologia que impactam na eficiência, personalização e confiança digital



Por Redação em 28/10/2025

A inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas uma tendência e passou a moldar o varejo global. De acordo com o Google Cloud, a tecnologia redefine as etapas da jornada de compra ao permitir que empresas analisem grandes volumes de dados, interpretem intenções de consumo e ofereçam experiências personalizadas. No Brasil, o estudo FlashBlack 2025, da R/GA em parceria com o Google Cloud, mostra que o setor ainda tem espaço no uso da IA para elevar a eficiência operacional e o engajamento do cliente.

Segundo o líder do Google Cloud no Brasil, Ricardo Fernandes, o país reúne as condições ideais para avançar na adoção da IA, impulsionada por consumidores altamente conectados. A expectativa é que a IA se consolide como base da competitividade no varejo, impulsionando desde o atendimento automatizado até a segurança das transações digitais.

A seguir, o estudo destaca cinco tendências que mostram como o varejo pode aproveitar melhor o potencial da IA.

IA multimodal

Uma das tendência apontadas pelo Google Cloud é a IA multimodal, capaz de compreender diferentes tipos de dados, como textos, imagens, áudios e vídeos, para oferecer experiências de consumo mais completas. No e-commerce, isso se traduz em recursos como a busca por imagem, em que o cliente fotografa um produto e recebe resultados similares em segundos, ou o upload de listas manuscritas de compras para preenchimento automático do carrinho.

Nesse sentido, o FlashBlack 2025 mostrou que apenas 4 dos 31 varejistas analisados oferecem busca visual, e nenhum supermercado permite o envio de imagens de listas de compras. Esses dados indicam como o varejo nacional ainda explora pouco o potencial da IA.

Consumidores querem mais que chatbots

Os chatbots têm evoluído de ferramentas básicas de atendimento para consultores virtuais, capazes de compreender o contexto das conversas e oferecer soluções personalizadas. No exterior, parcerias como a da americana Best Buy com o Google Cloud já permitem que assistentes virtuais reajam a solicitações complexas, como reagendar entregas ou gerenciar assinaturas, economizando até 90 segundos por atendimento, segundo reportagem do Valor Econômico.

No Brasil, o estudo identificou que, entre os 26 chatbots avaliados, apenas 13 compreendem linguagem natural e só dois utilizam análise de sentimentos. Para a head de retail do Google Cloud, Silvia Somazz, o país deve investir em agentes que funcionem de maneira alinhada com a posição da marca ao mesmo tempo em que oferecem uma experiência de compra mais ágil e humana.

“Para otimizar o atendimento digital, o varejo brasileiro pode usar agentes que representem a marca de forma adequada e ofereçam uma experiência mais empática, que realmente ajudem o cliente e possam até entender quando ele está frustrado”, explicou Silvia.

IA deve entender as buscas para além das palavras digitadas

Pessoa digitando em um notebook, foco nas mãos, com iluminação suave ao fundo
Foto: TippaPatt / Shutterstock / Modificada com IA

A terceira tendência é a busca aprimorada por IA, que permite interpretar a intenção por trás das palavras digitadas, uma forma de reduzir o atrito na jornada de compra. Na pesquisa, 20 dos 31 e-commerces não retornaram resultados para buscas semânticas, ou seja, não interpretam a linguagem natural e o contexto da procura. Somado a isso, 18 não reconheceram erros de digitação, como “bluza” em vez de “blusa”.

Essas falhas contrastam com o comportamento dos consumidores, que esperam interações cada vez mais naturais, semelhantes a uma conversa, e uma entrega personalizada do produto ou serviço que tentam encontrar. A IA de busca semântica e com a capacidade de entender o que o consumidor realmente quer, independentemente do erro que possa ter cometido ao digitar, promete transformar cliques perdidos em conversões.

Personalização em escala

A personalização é outro aspecto dessa transformação digital ao compreender o comportamento do consumidor por meio do cruzamento de dados como histórico de compras, localização e até condições climáticas. Uma vez coletadas as informações, a IA gera recomendações sob medida e aumenta a probabilidade de venda. Ainda assim, o estudo aponta que apenas 13 dos 31 e-commerces personalizam ofertas com base no histórico de navegação do usuário no site ou no aplicativo, e 16 não sugerem produtos complementares, como acessórios relacionados à compra principal. Isso pode representar um percentual de vendas menor, já que 42% dos consumidores fazem compras não planejadas durante a navegação. 

Apesar do potencial da IA para gerar resultados mais personalizados e, consequentemente, maior número de vendas, é preciso estar atento para a privacidade dos dados analisados. Para Somazz, o equilíbrio entre personalização e privacidade é tema central na relação com a tecnologia.

“Ao usar a IA para aprimorar a experiência de compra, é fundamental garantir a proteção dos dados dos clientes, promovendo segurança e transparência e construindo um relacionamento baseado na confiança”, ressaltou a executiva da Google.

Segurança e confiança digital

A quinta tendência é a chamada segurança 360°, que aplica IA para detectar e prevenir fraudes em tempo real. A tecnologia analisa grandes volumes de dados, identifica padrões suspeitos e reage antes que ocorram prejuízos. Essa camada de proteção ganha ainda mais relevância em um contexto de ataques cibernéticos cada vez mais sofisticados e crescimento acelerado do comércio eletrônico. Além de proteger dados, as soluções de IA também ajudam a monitorar redes sociais e identificar insatisfações de clientes para que sejam solucionadas.



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