Empresas discutindo inovação com inteligência artificial e geopolítica para se manter competitivas no mercado global Imagem gerada digitalmente

IA e geopolítica desafiam empresas a se adaptar para manter competitividade

4 minutos de leitura

Combinação entre a aceleração da inteligência artificial e a fragmentação do ambiente geopolítico força organizações a rever estratégias de tecnologia, dados e pessoas



Por Redação em 30/12/2025

Diante da disseminação da inteligência artificial (IA) e de um cenário geopolítico e regulatório fragmentado, as empresas deixam de se preparar para a disrupção e passam a reagir a ela em tempo real. Números da Kyndryl Readiness Report 2025 exemplificam o momento das organizações ao revelarem um crescimento de 33% nos investimentos em IA em comparação ao ano passado e ajustes na estratégia de nuvem frente às pressões geopolíticas que atingiram 65% dos entrevistados.

O estudo, baseado em entrevistas com 3.700 líderes empresariais e dados de empresas em 21 países, avalia que as organizações devem responder a cinco desafios para não correrem o risco de perder competitividade. Os tópicos envolvem bases sólidas de TI, estratégias em nuvens e dados ágeis para um mercado fragmentado, alinhamento da força de trabalho com velocidade da inovação, projetos-piloto de IA com escalabilidade, e visão de negócio alinhada com tecnologia.

Bases sólidas de TI

Apesar de um tímido crescimento de 2% nas empresas que se sentem preparadas para lidar com riscos externos, passando de 29% em 2024 para 31% em 2025, o despreparo ainda é dominante. Com a disrupção causada pela IA e exigências regulatórias intensificadas, lacunas de prontidão, ou seja, de capacidade de prevenir e responder a ameaças, são expostas. Para preencher tais lacunas, as empresas precisam promover a segurança e a resiliência cibernética ao mesmo tempo em que ganham eficiência e inovação.

Além de três em cada quatro empresas afirmarem investir em IA para cibersegurança, 42% das organizações estão aprimorando a infraestrutura de TI e 39% estão implementando medidas robustas de segurança cibernética.

Outro ponto levantado pelo relatório diz respeito às tecnologias que se aproximam do fim de suporte e demandam modernização para se alinhar aos objetivos de escalabilidade, agilidade, conformidade regulatória e soluções nativas de IA, por exemplo. Sem a atualização, verbas que poderiam ser alocadas em iniciativas estratégicas são usadas para solucionar problemas recorrentes de sistemas legados. Nesse sentido, 22% dos líderes responderam que essa “dívida técnica” é responsável por retardar o crescimento da empresa.

Fragmentação geopolítica redesenha estratégias de dados e nuvem

Se a IA impõe novos desafios tecnológicos, o ambiente geopolítico amplia a complexidade operacional. Pressões geopolíticas e regulatórias forçam organizações a repensar onde armazenar, processar e acessar dados. De acordo com a pesquisa, 65% dos líderes já fizeram mudanças em suas estratégias de cloud em resposta a incertezas geopolíticas e regulatórias.

Entre as principais ações para responder às pressões estão a ampliação do uso de criptografia para proteger dados (45%), a reavaliação das políticas de governança de dados (44%) e a repatriação de dados (41%). 

O estudo aponta que muitas empresas chegaram ao seu ambiente atual de nuvem “por acidente”, acumulando decisões fragmentadas ao longo do tempo. Os setores de telecomunicações, energia e finanças lideram o ranking dos que concordam que chegaram ao ecossistema de cloud dessa forma.

Infraestrutura defasada limita inovação

Profissional de escritório em ambiente moderno, refletindo sobre os desafios de infraestrutura defasada que limitam a inovação nas empresas.
Imagem gerada digitalmente

Outro fator crítico destacado pelo relatório é a fragilidade das bases tecnológicas. Dados do Kyndryl Bridge indicam que uma parcela significativa de redes, servidores e sistemas de armazenamento já atingiu ou está próxima do fim de seu ciclo de vida. Para 57% dos executivos, problemas na infraestrutura básica atrasam iniciativas de inovação e dificultam a escalabilidade de projetos digitais.

Essa defasagem técnica se traduz em riscos operacionais, dificuldades de integração e aumento do chamado “débito técnico”, que consome recursos e energia que poderiam ser direcionados à inovação. Não por acaso, atualizar a infraestrutura de TI e reforçar a cibersegurança aparecem como as principais ações adotadas pelas empresas para mitigar riscos externos.

Cultura organizacional no centro da equação

Apesar do foco em tecnologia, o relatório expõe que o gargalo não é apenas técnico e reside também no alinhamento da força de trabalho e da cultura organizacional com a velocidade das inovações. Embora nove em cada dez líderes acreditem na transformação dos papéis e responsabilidades com a expansão da IA, a visão de que a cultura da empresa sufoca a inovação preocupa 48% dos CEOs. No processo de implementação da IA, ter as competências tecnológicas adequadas, desenvolver habilidades humanas e cognitivas e saber como capacitar e requalificar funcionários cujos empregos estão sendo impactados são as principais questões para tirar o máximo proveito das oportunidades da IA.

Empresas com culturas mais adaptáveis, que incentivam aprendizado contínuo, são 22 pontos mais prováveis de relatar que sua infraestrutura de TI está pronta para gerenciar riscos futuros; 15 pontos mais prováveis de ter tido um retorno positivo sobre o investimento (ROI) em seus investimentos em IA; 14 pontos mais prováveis de expandir os esforços de inovação além da fase de prova de conceito; e 14 pontos mais propensos a obter um ROI positivo em seus investimentos em nuvem.

Pilotos que não saem do papel

Ainda que os investimentos em IA tenham aumentado em 33% das companhias respondentes, 57% das iniciativas de inovação estagnam na fase de provas de conceito. O documento aponta que complexidade dos ambientes tecnológicos, questões regulatórias e em alinhar as equipes de negócios e de tecnologia são os principais fatores que impedem a expansão de investimentos em tecnologia.

A boa notícia é que o ROI em IA é positivo para 54% das empresas em um momento no qual tecnologias de IA enfrentam uma pressão 61% maior por resultados.

Velocidade com visão estratégica

Em um contexto de mudanças rápidas, pressão por resultados de curto prazo e aumento dos riscos externos, alinhar tecnologia e estratégia de negócios tornou-se mais difícil. O relatório destaca que 74% dos CEOs concordam que a pressão para demonstrar um ROI de curto prazo prejudica os objetivos de inovação de longo prazo. Além disso, 60% concordam que sua organização tem dificuldades para acompanhar o ritmo dos avanços tecnológicos.

Organizações que conseguirem alinhar visão estratégica, investimentos em inovação e cultura organizacional terão melhores condições de transformar incertezas em vantagem competitiva. As demais correm o risco de ficar presas a estruturas rígidas, incapazes de responder à velocidade e à complexidade do novo cenário global.



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