A computação quântica pode começar a gerar aplicações comerciais relevantes entre cinco e sete anos. A previsão é de Peter DeSantis, vice-presidente sênior da Amazon responsável pelas áreas de inteligência artificial, desenvolvimento de chips e computação quântica. Em entrevista repercutida por veículos como CNBC e Olhar Digital, o executivo afirmou que a tecnologia está mais próxima de aplicações práticas do que muitos imaginam, embora ainda enfrente desafios técnicos importantes.
DeSantis ressalta que a lógica de funcionamento da computação quântica é completamente diferente dos sistemas clássicos que utilizamos hoje. Enquanto os computadores tradicionais processam informações por meio de bits clássicos, os sistemas quânticos trabalham com “qubits”. Essa mudança altera de forma significativa o tipo de problema que pode ser tratado pela máquina.
Atualmente, o cenário global é de uma intensa disputa no setor de tecnologia, envolvendo gigantes como Google, Microsoft e IBM, além de diversas startups que seguem investindo no desenvolvimento de soluções próprias. A Amazon também entrou ativamente nesse grupo e apresentou recentemente o chip Ocelot, voltado a um dos maiores desafios do segmento: corrigir os erros de processamento nos sistemas quânticos.
Embora a tecnologia ainda se encontre em uma fase experimental, Peter DeSantis acredita que a evolução da computação quântica seguirá um caminho mais concreto do que se imaginava há alguns anos. Confira as principais projeções do executivo a respeito de como a computação quântica deve se desenvolver e impactar o mercado:
Uso comercial a médio prazo: A previsão cronológica mais marcante de DeSantis é a de que a computação quântica passará a ter aplicações comerciais relevantes em um curto horizonte de tempo, estimado entre cinco a sete anos. Segundo ele, isso marcará uma nova fase da tecnologia em escala global.
Evolução contínua e desenvolvimento gradual: Ao contrário de um salto imediato ou uma disrupção repentina, o executivo prevê um caminho mais lento, caracterizado por uma construção contínua ao longo do tempo. Ele utiliza como principal referência a evolução dos semicondutores e a chamada Lei de Moore, sugerindo que o aumento da capacidade dos chips ocorrerá de maneira progressiva.
Sistemas iniciais restritos e experimentais: Nos primeiros estágios desse uso comercial, os sistemas quânticos ainda serão pequenos e restritos. Mesmo em fase experimental, DeSantis prevê um avanço gradual de desempenho e um crescimento contínuo de capacidade computacional com o passar dos anos.
Foco em problemas altamente específicos: Um computador quântico será focado em tarefas pontuais. DeSantis assegura que o uso inicial será direcionado para problemas bem específicos que a computação clássica atual não consegue resolver de forma satisfatória.
Revolução em áreas de simulação científica: Os primeiros grandes impactos práticos farão diferença exatamente nas áreas onde os computadores atuais possuem sérias limitações de simulação. O executivo projeta avanços significativos na química avançada, no mapeamento de reações complexas, nos estudos de novos materiais e em simulações científicas de alta precisão que atualmente estão fora do alcance da computação clássica.
